Espécie exótica de camarão



Levantamento em águas oceânicas encontra camarão exótico

 
© Alex Silveira
Vista aérea do Lago Maruani
© Alex Silveira
Por se tratar de um parque continental e marinho, com 200 mil hectares dentro do Oceano Atlântico, o Parque Nacional do Cabo Orange (PNCO) é importante para o estudo das condições ecológicas dessa parte da costa amapaense.

A bióloga Sirley Figueiredo e o engenheiro de pesca Maurício Abdon, ambos do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), ficaram quatro dias em águas marinhas, fazendo observações e coletas entre a foz dos rios Cunani e Cassiporé.

Sirley Figueiredo, que integra a equipe que trabalha no gerenciamento costeiro da região norte, explica que esses levantamentos visam verificar a diversidade e a abundância de peixes e crustáceos na região. Os dados extraídos poderão dar uma idéia do impacto provocado pela pesca ilegal praticada dentro do parque - em dezembro de 2004, uma operação realizada durante oito dias pelo Ibama e pela Polícia Federal apreendeu oito barcos e cerca de 10 toneladas de pescados. Essas informações servirão para que o Ibama planeje a vigilância e um eventual manejo da área.

Os levantamentos preliminares, realizados em abril de 2005, encontraram um exemplar de Macrobrachium rosenbergii , uma espécie de camarão de origem africana, muito cultivada em fazendas costeiras do Nordeste. A pesquisadora informa que se trata de uma espécie invasora muito competitiva, de crescimento rápido, introduzida por carcinicultores (criadores de crustáceos) em águas brasileiras na década de 1990.

Ela avalia se tratar de um "fugitivo" e informa que até então não havia registros de indivíduos dessa espécie em águas acima da costa do estado do Pará. E adverte que, se esse crustáceo se espalhar pela região, poderá alterar toda a cadeia trófica do parque.

Além de coletas no Oceano Atlântico, serão feitos levantamentos sobre os recursos pesqueiros em lagos e rios do parque. O resultado final dessas análises, a ser consolidado nos laboratórios do Iepa, será posteriormente publicado pelo WWF-Brasil.

 
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Membros da expedição percorrem o Lago do Marrecal, na região do igarapé de mesmo nome
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Com rica biodiversidade, os cientistas necessitam fazer várias expedições para elaborar um bom plano de manejo para o parque
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