A expedição científica: da preparação à pesquisa | WWF Brasil

A expedição científica: da preparação à pesquisa



21 Dezembro 2010    
Dormitório no acampamento da primeira base de pesquisa durante Expedição Científica ao Parque Nacional da Serra do Pardo.
Dormitório no acampamento da primeira base de pesquisa durante Expedição Científica ao Parque Nacional da Serra do Pardo.
© WWF-Brasil / Adriano Gambarini
Por Ligia Paes de Barros

A III Expedição Científica à Terra do Meio, com destino ao Parque Nacional da Serra do Pardo aconteceu de 3 a 14 de dezembro, mas os preparativos começaram muito antes. Inicialmente planejada para acontecer em agosto, o primeiro passo para a sua realização aconteceu em maio quando técnicos do WWF-Brasil, ICMBio e um coordenador de pesquisa científica se reuniram para analisar imagens de satélite da área do parque e definir quais os pontos prioritários para pesquisa dentro dessa unidade de conservação.

Na ocasião quatro bases de pesquisa foram definidas e, em junho, a equipe de logística do Instituto Natureza Amazônica (INAM) foi para o campo preparar o terreno para receber os pesquisadores. 

A preparação dos acampamentos

De mochila nas costas, ou melhor de “jamanxim” nas costas – uma espécie de mochila feita com aproveitamento de tonéis de óleo diesel e alças que facilitam seu carregamento – 20 homens se embrenharam nas matas do Parque Nacional para fazer os acampamentos.

Técnicos florestais e acostumados desde pequenos a andar pela floresta amazônica, eles saíram de Itaituba (PA), foram de avião fretado pelo ICMBio a uma fazenda desapropriada na beira do Rio Xingu, hoje base operacional do trabalho do ICMBio no Parque Nacional da Serra do Pardo, e de lá saíram em pequenas embarcações, conhecidas como voadeiras, pelos rios e igarapés do Parque até o ponto mais próximo das áreas escolhidas para pesquisa.

Desse ponto em diante, eles caminharam durante dias na mata fechada, carregando sua comida e os equipamentos, até chegarem ao local correto. “Essa é a parte mais difícil. A caminhada na floresta exige muito esforço físico. Ter que abrir a trilha, andar o dia todo na mata fechada e no fim do dia ter que montar a sua cabaninha para dormir”, afirma Rodrigo Pereira Junior, diretor técnico do INAM, empresa especializada em capacitação em manejo florestal contratada para fazer esse serviço de logística na expedição.

 Uma vez na área definida para a realização da pesquisa, eles levantaram os acampamentos, formados por dois alojamentos com estruturas de madeira para segurar as redes e lonas para cobri-las, um espaço para cozinha, e um local para a mesa de trabalho dos pesquisadores.

Depois do acampamento pronto, eles fizeram uma clareira para área de pouso do helicóptero que faz o transporte da equipe de pesquisadores, e abriram quatro trilhas, em formato de “x” a partir do heliporto, por onde os pesquisadores caminham em busca de exemplares da biodiversidade local. 

Todo esse processo demorou cerca de 20 dias, com duas equipes de 10 homens trabalhando em bases diferentes.  A maioria deles é natural da cidade de Itaituba, no Pará, e muitas vezes ficam meses sem voltar para casa. Segundo Isaac Coelho da Silva, não há medo do mato ou dos bichos, o problema maior é a saudade da família. “A saudade é que nem paixão, dói muito, mas depois de uns três meses, a gente começa a acostumar. O bom é que o pessoal da expedição acaba virando uma família enquanto estamos aqui”, afirmou Silva.




Saiba mais sobre a Expedição Científica à Terra do Meio 2010:
Dormitório no acampamento da primeira base de pesquisa durante Expedição Científica ao Parque Nacional da Serra do Pardo.
Dormitório no acampamento da primeira base de pesquisa durante Expedição Científica ao Parque Nacional da Serra do Pardo.
© WWF-Brasil / Adriano Gambarini Enlarge
Edineide Souza, cozinheira da expedição.
Edineide Souza, cozinheira da expedição.
© WWF-Brasil / Adriano Gambarini Enlarge
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