Acordo de Paris completa cinco anos com lições aprendidas



12 dezembro 2020    
O futuro deve ser baseado em projetos de matriz elétrica limpa, agricultura de baixo carbono, eletrificação do setor de transportes, etc.
© WWF-Brasil
Entenda o que está por trás do famoso compromisso mundial pelo clima

Por Taís Meireles

Cinco anos atrás, em 12 de dezembro de 2015, durante a COP 21 (21ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), foi firmado o Acordo de Paris. Compromisso mundial que vem sendo muito falado desde então, mas nem todos entendem o que é.

O famoso Acordo é um compromisso firmado entre 195 países com meta na redução da emissão de gases do efeito estufa. Ou seja, para combater a crise climática, após várias negociações, os países assinaram o Acordo, que entrou em vigor em 4 de novembro de 2016. 

A principal meta do Acordo de Paris é manter o aumento da temperatura do planeta bem abaixo dos 2ºC, para garantir um futuro com baixa emissão de carbono, adaptável, próspero e justo para todos. 



Crise climática 
A emissão de certos gases tem provocado o agravamento do efeito estufa e do aquecimento global. Essas emissões ocorrem em razão da intensa queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão mineral) para o uso industrial, transporte urbano e geração de energia elétrica, por atividades agrícolas e pelo desmatamento de florestas tropicais.  

Assim, os países signatários do Acordo criaram suas Contribuições Nacionais Determinadas (NDC, na sigla em inglês), ou seja, compromissos para colaborar com a meta global de redução de emissões. 

O Brasil, por exemplo, comprometeu-se a reduzir até 2025 suas emissões de gases de efeito estufa em até 37% (comparados aos níveis emitidos em 2005), estendendo essa meta para 43% até 2030.  

As principais metas do governo brasileiro são: 
  • Aumentar o uso de fontes alternativas de energia; 
  • Aumentar a participação de bioenergias sustentáveis na matriz energética brasileira para 18% até 2030; 
  • Utilizar tecnologias limpas nas indústrias; 
  • Melhorar a infraestrutura dos transportes; 
  • Diminuir o desmatamento; 
  • Restaurar e reflorestar até 12 milhões de hectares. 
Desses acordos firmados pelos países, a cada cinco anos os governos devem comunicar de forma voluntária o andamento de suas metas. Se já estiverem alcançando as metas previstas, devem criar mecanismos para elevá-las, tornando-as mais ambiciosas. 

Acordo de Paris como oportunidade 
“Os benefícios que uma economia de baixo carbono podem trazer para os países estão claros para uma parcela cada vez maior da sociedade”, comenta Alexandre Prado, diretor de Economia Verde do WWF-Brasil, referindo-se a projetos de matriz elétrica limpa, agricultura de baixo carbono, eletrificação do setor de transportes, entre outros. 

“O problema é conseguir que todos esses projetos saiam do papel. Para isso, é preciso que o governo federal os estados e os municípios tenham uma atuação mais forte, tanto na valorização de florestas em pé —combatendo desmatamento e queimadas, por exemplo— quanto facilitando a adaptação da indústria e da agricultura para a economia do século XXI”, complementa Alexandre. 

“Nós só seremos capazes de cumprir com essas metas se definitivamente assumirmos como sociedade um novo padrão de desenvolvimento, de baixo carbono e sustentável nos pilares econômico, social e ambiental”, conclui Alexandre.
O futuro deve ser baseado em projetos de matriz elétrica limpa, agricultura de baixo carbono, eletrificação do setor de transportes, etc.
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O Acordo de Paris foi um compromisso firmado em 2015 entre 195 países com metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa
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A principal meta é manter o aumento da temperatura do planeta bem abaixo dos 2ºC, para garantir um futuro com baixa emissão de carbono, adaptável, próspero e justo para todos
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A emissão de certos gases tem provocado o agravamento do efeito estufa e do aquecimento global. Essas emissões ocorrem em razão da intensa queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão mineral)
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