Adaptação às mudanças climáticas | WWF Brasil

Adaptação às mudanças climáticas



Pegadas de pássaros em chão rachado, Espanha rel=
Precisamos de ações imediatas de adaptação às mudanças climáticas que se afiguram em um horizonte muito próximo.
© Juan Carlos DEL OLMO / WWF-Spain

Mudanças climáticas exigem adaptação já

Ainda que nós reduzíssemos hoje as emissões de gases de efeito estufa a zero, os cientistas prevêem um aumento na temperatura global da ordem de 1º C nas próximas décadas. Adaptação às mudanças climáticas são, portanto, as palavras de ordem.
É consenso, entre os cientistas que se debruçam sobre a questão das mudanças climáticas, que o planeta deve aquecer-se em 1º C nas próximas décadas, independentemente das ações de redução de emissões de gases de efeito estufa que os países venham a implementar.  É o chamado efeito inercial resultante de um aquecimento de 0,7 a 1ºC, ocorrido na última década, de acordo com o quarto relatório do Painel Científico Internacional sobre as Mudanças Climáticas (“IPCC”, na sigla em inglês), de 2007.

Os estudiosos também prevêem, como resultado tanto do aquecimento já ocorrido como do que virá, um asseveramento de furacões, chuvas, enchentes, secas.  Estas manifestações , além disto, tendem, segundo eles, a se tornar cada vez mais frequentes. E isto requer ações imediatas de adaptação às mudanças climáticas que se afiguram em um horizonte muito próximo.

O que é?

Adaptação às mudanças climáticas pode ser entendida como uma série de respostas aos impactos atuais e potenciais da mudança do clima, com objetivo de minimizar possíveis danos e aproveitar as oportunidades potenciais.

Estas respostas podem assumir diversas formas, desde arquitetônicas, de engenharia, até a de adaptação por ecossistemas, preconizada pelo WWF-Brasil. 

Trata-se, aqui, de proteger os ecossistemas que, em contrapartida, oferecerão mais proteção à sociedade, reduzindo o assoreamento de corpos d’água e, consequentemente, as enchentes, facilitando a infiltração das chuvas e reabastecendo os lençóis freáticos, reduzindo a velocidade da chuvas sobre as encostas, reduzindo drasticamente os deslizamentos de terra.  Tudo isto reduz, com uma relação custo-benefício extremamente positiva, as mortes e perdas econômicas associadas a estas catástrofes.

A capacidade de adaptação de um sistema depende de duas variáveis: vulnerabilidade, que é o grau de suscetibilidade dos sistemas (ecológicos, geofísicos e socioeconômicos) para lidar com os efeitos adversos da mudança do clima; e a resiliência. Quanto menor a vulnerabilidade de um sistema e maior a resiliência, maior será o seu potencial de adaptação.

Portanto, além da absoluta necessidade de minimizarmos as emissões de gases que geram o efeito estufa, e o mais rapidamente possível, a adaptação ao aquecimento mínimo esperado é algo inexorável e que teremos que aprender.

Adaptação com base nos ecossistemas: proteção e biodiversidade

O ano de 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade, e o WWF-Brasil chama a atenção, também, para a necessidade de proteção e recuperação dos ecossistemas terrestres e aquáticos como uma maneira de defendermos a vida em nosso planeta.

Os ecossistemas naturais coevoluíram durante milhões de anos com eventos climáticos extremos como temporais, secas, furacões, tornados, alagamentos, incêndios etc. Essa coevolução fez com que esses ecossistemas desenvolvessem resiliência.  Tome-se como exemplo o Cerrado, um bioma que se regenera rapidamente depois de um incêndio e no qual as sementes de algumas espécies somente germinam após um incêndio, como ocorre com as sequóias americanas.

Com o ritmo acelerado com que as mudanças climáticas vêm acontecendo, essa capacidade de resposta (resiliência) dos ecossistemas e espécies está muito reduzida.

Soma-se a isso a incrível perda dos ecossistemas naturais, restando apenas remanescentes dos originais. A manutenção ou recuperação dos ecossistemas naturais, portanto, diminui a vulnerabilidade e mantém capacidade de resiliência para as áreas. Assim, a conservação de ecossistemas passa a ser necessária em defesa da vida e como medida essencial de adaptação, procurando-se recuperar essa capacidade de auto organização e garantir a segurança climática da população.

Além de contribuir para a redução dos impactos das mudanças climáticas, as estratégias de adaptação com base nos ecossistemas também podem contribuir significativamente para a redução dos níveis de extinção de espécies, um dos principais objetivos da Convenção da Diversidade Biológica, da qual o Brasil é signatário. Os ecossistemas naturais fornecerão abrigos e refúgios térmicos, alimentos, água e colaborarão com o amortecimento dos impactos dos eventos extremos.

O que é efeito estufa?

  • O efeito estufa é um fenômeno natural que garante, de forma equilibrada, a vida no planeta. Mas a velocidade das emissões e a quantidade de gases jogados na atmosfera pelas atividades humanas desde a revolução industrial são os grandes vilões do aquecimento global.

O que é resiliência?

  • A esponja é um exemplo de resiliência alta: ela tem a capacidade de recuperar sua forma. 
© WWF-Brasil / Gadelha Neto
    Resiliência é a capacidade de um ecossistema de se recuperar e retomar as mesmas funções após um determinado impacto (seca, enchente, fogo, desmatamento etc.).

    O termo resiliência vem da física e é a capacidade de determinados sistemas de readiquirirem formas e funções.
DOE AGORA
DOE AGORA