São Lourenço – a vida por meio do extrativismo



23 agosto 2011    
A comunidade de São Lourenço é a mais importante no Rio Guariba. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
A comunidade de São Lourenço é a mais importante no Rio Guariba. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira
Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira

Situada à margem direita do rio Guariba, a comunidade rural de São Lourenço é uma das mais importantes da região. Por sua proximidade com a Vila Guariba, ela é passagem obrigatória para todos os ribeirinhos que vivem às margens daquele rio e procuram, em algum momento, por serviços públicos como consultas médicas, emissão de documentos ou buscam comprar mantimentos e utensílios para suas casas.

Fundada há mais de 50 anos, São Lourenço possui uma população de apenas 14 habitantes, pertencentes a duas famílias: a família “do Cabeludo”, antigo morador daquele local, e a família “do professor Aílton”, conhecido por ser educador de uma das poucas escolas municipais daquelas redondezas.

A comunidade possui apenas seis estruturas – duas residências, dois depósitos, um salão de festas e a escola municipal, a “Trilha do Saber I”. O colégio possui 10 alunos, vindos de outras comunidades do entorno, e oferece o 1ª ao 4º ano do Ensino Fundamental.

A economia é baseada no extrativismo – castanha, copaíba, látex e farinha são produzidos e vendidos nos mercados de Guariba e Colniza. A pesca também é comum naquele local e espécies como o mandi e o matupiri são parte do cardápio.

Tesoureira da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Resex Guariba Roosevelt - rio Guariba, Artemisa Alves dos Santos, 29, contou que o principal problema daquela localidade é a precariedade dos serviços de saúde: “De dois em dois meses, os técnicos de saúde vêm aqui e fazem tratamento odontológico, mas é só. Para tratar doenças mais graves, somos obrigados a ir para a cidade. Isso leva tempo e é trabalhoso”, falou.

Já a estudante Maria de Nazaré Oliveira, 23, contou que o principal problema da comunidade é a falta de energia. “Já vimos todo mundo falar do programa Luz Para Todos, mas aqui ele nunca chegou. Dependemos dos geradores quando queremos fazer uma festa ou ver o telejornal e a novela”, disse.

Por toda a extensão do rio Guariba, moram cerca de 150 pessoas, distribuídas em 11 colocações e 2 comunidades, segundo a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso. “Colocações” são locais que servem como residência para famílias mas não possuem serviços públicos disponíveis. Além de São Lourenço, outras das comunidades existentes na região são Bastos, Cujubim, Monte Real e Serra Azul.

Nos últimos anos, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Mato Grosso (Sema) registrou aumento na população do rio Guariba: entre 1996 e 2010, 55 indivíduos foram morar às margens do rio. Cerca de 60% desta população é formada por  crianças e jovens entre 0 e 20 anos.
A comunidade de São Lourenço é a mais importante no Rio Guariba. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
A comunidade de São Lourenço é a mais importante no Rio Guariba. Expedição Guariba-Roosevelt 2010.
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira Enlarge
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