WWF-Brasil promove intercâmbio sobre turismo com ribeirinhos do Rio Juruena



10 setembro 2014    
A agricultora Maria Imaculada, da Barra de São Manoel, assiste a confecção de artesanato feita por uma comunitária paraense
A agricultora Maria Imaculada, da Barra de São Manoel, assiste a confecção de artesanato feita por uma comunitária paraense
© Ana Gabriela Fontoura / Estação Gabiraba
Por Jorge Eduardo Dantas 

Elevar a renda familiar, conservar os recursos naturais e apoiar a implementação do Mosaico da Amazônia Meridional (MAM) são os objetivos de um projeto que o WWF-Brasil desenvolve hoje junto a Barra de São Manoel – uma comunidade ribeirinha situada no Sul do Amazonas, às margens do Rio Juruena.
 
Como parte deste projeto, o WWF-Brasil promoveu um intercâmbio sobre turismo de base comunitária.
 
Por meio desta ‘modalidade’ de turismo, os ribeirinhos conduzem os turistas por experiências que fazem parte de seu dia-a-dia. Eles levam os visitantes, por exemplo, para visitar os roçados; acompanhar a produção das casas de farinha; visitar pontos turísticos de sua região como praias, cachoeiras e cavernas. Também são oferecidas comidas, bebidas, frutas e quitutes típicos aos visitantes.
 
Para que tudo isso funcione, no entanto, é preciso que a comunidade esteja bem preparada e organizada – é necessário, por exemplo, estabelecer previamente um roteiro de visitas para os turistas; definir os preços de serviços e produtos e decidir como será a partilha dos lucros.
 
E é este tipo de iniciativa - organizar a comunidade para oferecer serviços de turismo comunitário - que o WWF-Brasil está fazendo na Barra de São Manoel.
 
Sobre o intercâmbio
 
Por meio do intercâmbio, sete moradores da Barra foram levados pelo WWF-Brasil à zona rural da cidade de Santarém, no Pará.
 
Ali, eles visitaram as comunidades de Anã, Arimum  e Atodi – a primeira, situada dentro da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns; e as outras duas dentro do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) do Lago Grande. Essas comunidades paraenses, por meio de projeto Saúde & Alegria, desenvolvem trabalhos de turismo comunitário há 5 anos, com resultados muito interessantes como o incremento e diversificação de sua renda; a organização da comunidade e o aumento de sua autoestima.
 
Na ocasião, os moradores da Barra participaram de atividades como almoços e jantares tradicionais, trilhas na floresta e oficinas de produção de artesanato. 
 
A ideia por trás dessa viagem era de que os moradores da Barra de São Manoel tivessem contato com experiências reais de turismo de base comunitária – e pudessem refletir sobre como replicar o que foi visto em sua própria comunidade.
 
A Barra de São Manoel está situada nas imediações do Parque Nacional do Juruena, entre o Amazonas e o Mato Grosso; e do Mosaico do Apuí, conjunto de Unidades de Conservação do Sul do Amazonas.

Ambos preveem, em seus planos de manejo e de gestão, a utilização do turismo como ferramenta para garantir a geração de renda às comunidades da área e manter a biodiversidade na região.
 
“Longo caminho” 
 
Um dos intercambistas, o professor Cleudo Macuya Miranda, 30, disse que o planejamento é fundamental para que a atividade do turismo ocorra bem. 
 
“Me impressionou ver que, mesmo com dificuldades, há como construir algo diferente. Se quisermos mesmo trabalhar com o turismo em nossa comunidade, temos que ter planejamento e não desistir. Há um longo caminho pela frente. Temos que estar unidos e lembrar que os bons resultados não vêm de uma hora para outra”, disse.
 
A capacitação em turismo de base comunitária pelo WWF está sendo feita em parceria com a empresa Estação Gabiraba, sediada no Pará. Sua proprietária, a turismóloga Ana Gabriela Fontoura, fez uma boa avaliação do intercâmbio. 
 
“Os moradores da Barra de São Manoel não são novatos. Eles já têm experiência com o turismo de pesca esportiva, então eles sabem como tratar o turista, tem noção de como fazer este trabalho”, afirmou. 
 
O analista de conservação do WWF-Brasil, Samuel Tararan, lembrou do enorme potencial que a Barra tem para desenvolver atividades ligadas ao turismo. 
 
“Esta área tem um grande potencial paisagístico, com inúmeras cachoeiras, grutas e serras, além de uma grande riqueza de espécies de fauna e flora muito bem preservadas. Estes atrativos, associados à forma de vida das populações tradicionais e sua rica história, oferecem grandes oportunidades”, afirmou.
 
Ele lembrou ainda que o trabalho na comunidade busca fortalecer a economia local e a integração entre as Unidades de Conservação daquela área, como o Parna do Juruena, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Bararati, a Floresta Estadual do Apuí e o Parque Estadual do Sucunduri.
 
Trabalho contínuo
 
O trabalho com turismo comunitário na Barra de São Manoel teve início no segundo semestre de 2013. Desde então, foram realizadas duas oficinas sobre o assunto, além do intercâmbio ocorrido em junho.
 
Ainda neste ano, estão previstas a realização de uma nova oficina; e a visita de um grupo de turistas que servirá como “experiência piloto” em outubro. Para 2015 estão programadas outras viagens de intercâmbio e novas oficinas sobre temas específicos, como artesanato e planejamento estratégico.  
 
O trabalho com o turismo que o WWF-Brasil desenvolve na Barra de São Manoel tem o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio da equipe gestora do Parque Nacional do Juruena; e do Centro Estadual de Unidades de Conservação da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (CEUC-SDS), por meio da equipe do Mosaico do Apuí.
 
A agricultora Maria Imaculada, da Barra de São Manoel, assiste a confecção de artesanato feita por uma comunitária paraense
A agricultora Maria Imaculada, da Barra de São Manoel, assiste a confecção de artesanato feita por uma comunitária paraense
© Ana Gabriela Fontoura / Estação Gabiraba Enlarge
A visita as comunidades do Pará contou com diversas atrações e refeições típicas amazônicas
A visita a comunidades do Pará contou com diversas atrações e refeições típicas amazônicas
© WWF-Brasil / Samuel Tararan Enlarge
O aproveitamento das folhas e palhas para a produção de artesanato foi um dos tópicos do intercâmbio promovido pelo WWF
O aproveitamento das folhas e palhas para a produção de artesanato foi um dos tópicos do intercâmbio promovido pelo WWF
© WWF-Brasil / Samuel Tararan Enlarge
Durante o intercâmbio, os anfitriões explicaram como o turismo de base comunitária pode ajudar as comunidades ribeirinhas da Amazônia, aliando a geração de renda com a conservação dos recursos naturais
Durante o intercâmbio, os anfitriões explicaram como o turismo de base comunitária pode ajudar as comunidades ribeirinhas da Amazônia, aliando a geração de renda com a conservação dos recursos naturais
© Ana Gabriela Fontoura / Estação Gabiraba Enlarge
O intercâmbio contou com visitas a atrativos naturais que podem interessar aos turistas que visitam a Amazônia
O intercâmbio contou com visitas a atrativos naturais que podem interessar aos turistas que visitam a Amazônia
© Ana Gabriela Fontoura / Estação Gabiraba Enlarge
A programação do intercâmbio contemplou a visita a trilhas na floresta
A programação do intercâmbio contemplou a visita a trilhas na floresta
© WWF-Brasil / Jasylene Abreu Enlarge
DOE AGORA
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