Covid-19: indígenas da Amazônia continuam recebendo cestas básicas | WWF Brasil

Covid-19: indígenas da Amazônia continuam recebendo cestas básicas



10 julho 2020    
Por meio da APSIRE, foram doadas 56 cestas básicas para o povo Xavante, da Terra Indígena São Marcos, localizada no município de Barra do Garças, Mato Grosso
© Imagens cedidas pela APSIRE
Mais de 1.650 Uru-Eu-Wau-Waus, Xavantes e Kayapós, de Rondônia, Mato Grosso e Pará, acabam de receber alimentos e produtos de higiene

Por WWF-Brasil 


A mobilização de organizações da sociedade civil para evitar que povos indígenas sejam infectados pelo novo coronavírus continua. Por meio de parcerias com a Associação de Proteção Social Indígena e Recuperação Ecológica (APSIRE), o Instituto Kabu e a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, o WWF-Brasil acaba de doar 294 cestas básicas com alimentos e produtos de higiene para mais de 1.650 indígenas de aldeias localizadas nos estados de Mato Grosso, Pará e Rondônia. Essa entrega faz parte uma ação que apoia mais de 30 mil pessoas na Amazônia e também no Cerrado.

Além de mais vulneráveis à doença, os indígenas da Amazônia possuem grandes dificuldades de acesso aos testes para a Covid-19 e a hospitais, seja pela distância geográfica dos centros de saúde ou pela indisponibilidade ou insuficiência de equipes médicas.

Por meio da APSIRE, foram doadas 56 cestas básicas para 56 famílias, que somam cerca de 500 pessoas, do povo Xavante, da Terra Indígena São Marcos, localizada no município de Barra do Garças, Mato Grosso. “O dia a dia na nossa Terra tem sido muito difícil. Estamos todos apavorados porque a Covid-19 já entrou em várias aldeias, estamos doentes. Infelizmente, já tivemos dois mortos na aldeia São Marcos e mais mortes em aldeias próximas. Temos muitos xavantes doentes na UPA da cidade... Estamos sofrendo muito com a ausência de políticas públicas em prol do nosso povo”, conta Oscar Waraiwe Urebete, indígena e representante da APSIRE.

A ajuda do WWF-Brasil foi extremamente importante para evitar as saídas frequentes às cidades em busca de insumos básicos. O WWF-Brasil ajudou as pessoas mais vulneráveis à essa epidemia, permitindo que elas possam ficar em casa, se cuidando. Mas ainda precisamos de ajuda para compra de álcool em gel 70% e máscaras, por exemplo”, conclui Oscar.

No Pará, em parceria com o Instituto Kabu, foram distribuídas 138 cestas básicas para 138 famílias indígenas da etnia Kayapó, das Terras Baú e Menkragnoti. Mais de 700 pessoas foram atendidas, entre crianças, jovens, adultos e idosos. “Os Kayapós estão muito tristes e preocupados com a pandemia. Todos estão isolados, com medo de contágio e preocupados com seus parentes.  Os dois casos confirmados de Covi-19 na Terra Indígena Menkragnoti e as mortes de conhecidos e pessoas próximas, como Paulinho Paiakan – uma referência para todos - nos assustou muito. Há um grande esforço das lideranças para evitar a ida à cidade”, conta Junio Esllei, coordenador-geral do Instituto Kabu.

Esllei ainda faz um alerta sobre outras pressões sofridas pelos indígenas: “além da pandemia, a situação dos territórios é muito delicada, por conta do aumento de invasões, principalmente por parte de garimpeiros. Com o final do período chuvoso, há um temor de que as invasões recrudesçam, incluindo também a presença de madeireiros”.

O apoio do WWF-Brasil, com as cestas básicas, foi essencial para evitar que essas comunidades se desloquem à cidade para a compra de mercadorias, pois neste momento observamos uma aceleração do contágio na região de Novo Progresso. “Ainda assim, há a necessidade de aquisição de alguns materiais essenciais para o esforço de permanência nas aldeias, principalmente para garantir a caça e a pesca, essenciais para a segurança alimentar. Precisamos viabilizar novas parcerias para continuar apoiando essas pessoas”, afirma Esllei.

Outras 100 cestas básicas foram entregues a 100 famílias da Terra Indígenas Uru-Eu-Wau Wau, em Rondônia, apoiando 450 pessoas. A ação ocorreu em parceria com a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé. “A situação por aqui é muito difícil. Os indígenas fecharam as entradas das aldeias para ficarem isolados. Estão limpando as roças e fazendo a vigilância, porque está tendo muita invasão e, tristemente, a Funai não fiscaliza”, lamenta Ivaneide Bandeira Cardozo, coordenadora de projetos da Kanindé. “Nas aldeias onde trabalhamos diretamente, não temos nenhum caso confirmado de pessoa infectada pelo novo coronavírus, mas em aldeias próximas há casos confirmados e, infelizmente, já houve duas mortes”, afirma.
 
IMPORTANTE: Todas as cestas básicas foram entregues pelas organizações citadas sem contato algum entre brancos e indígenas. Elas foram deixadas na entrada das aldeias e levadas pelas lideranças, responsáveis pela distribuição. Nas fotos, as máscaras não estão sendo utilizadas porque em alguns casos elas estavam chegando juntamente com as cestas e, em outros, porque os indígenas isolados as dispensavam no dia a dia dentro de suas casas. Em casos de aldeias com casos confirmados de Covid-19 (que não é o caso dos registros desta matéria), foram distribuídas máscaras e a orientação é que todos as utilizem sempre.



 
 
 
Por meio da APSIRE, foram doadas 56 cestas básicas para o povo Xavante, da Terra Indígena São Marcos, localizada no município de Barra do Garças, Mato Grosso
© Imagens cedidas pela APSIRE Enlarge
Outras 100 cestas básicas foram entregues a famílias da Terra Indígenas Uru-Eu-Wau Wau, em Rondônia
© Imagens cedidas pela Associação Kanindé Enlarge
Foram distribuídas 138 cestas básicas para indígenas da etnia Kayapó, das Terras Baú e Menkragnoti, no Pará
© Imagens cedidas pelo Instituto Kabu Enlarge
Além da pandemia, a situação dos territórios da etnia Kayapó é muito delicada, por conta do aumento de invasões, principalmente por parte de garimpeiros
© Imagens cedidas pelo Instituto Kabu Enlarge
A ajuda do WWF-Brasil foi importante para evitar as saídas frequentes às cidades em busca de insumos básicos
© Imagens cedidas pela APSIRE Enlarge
Há um grande esforço das lideranças para evitar a ida à cidade
© Imagens cedidas pela Associação Kanindé Enlarge
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