Pandemia: ajuda emergencial do WWF-Brasil chega a povos do Cerrado e da Amazônia | WWF Brasil

Pandemia: ajuda emergencial do WWF-Brasil chega a povos do Cerrado e da Amazônia



27 maio 2020    
WWF-Brasil doou alimentos a comunidades tradicionais e agroextrativistas do Cerrado e Amazônia
© WWF-Brasil
Mais de 30 mil pessoas recebem alimentos, produtos de higiene e equipamentos

O mês de maio ainda não chegou ao fim e o Brasil registra, hoje, mais de 414 mil casos de infectados pelo novo coronavírus e mais de 25 mil mortos. Com esses números, já é o 4º país com mais confirmados do mundo. A situação é especialmente grave para os povos indígenas e demais populações tradicionais do Brasil, precariamente assistidos pelas autoridades públicas. Eles têm grandes dificuldades de acesso aos testes para a COVID-19 e aos hospitais: seja pela distância geográfica dos centros de saúde ou pela indisponibilidade ou insuficiência de equipes médicas.

Segundo a Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) até o dia de hoje há 150 casos de quilombolas infectados e 26 óbitos registrados por conta da COVID-19. No caso dos indígenas, soma-se ainda o fato de que eles não possuem defesas imunológicas à “doença de brancos” e, simultaneamente, enfrentam invasões de suas terras e pressões de agropecuaristas, garimpeiros e industriais (veja no box ao lado mais informações). Um estudo da Unicamp revelou que mais de 81 mil indígenas estão em situação de vulnerabilidade crítica – ou seja, correm alto risco de sucumbir caso a pandemia de Covid-19 chegue às suas regiões. Dados oficiais de coletivos indígenas contabilizam já 89 mortes de indígenas somente na Amazônia.

Diante do cenário alarmante e do descaso do atual governo, sem políticas públicas específicas e efetivas destinadas aos povos indígenas e demais comunidades tradicionais durante a pandemia da COVID-19, o WWF-Brasil traçou um plano emergencial para atender afetados na Amazônia e no Cerrado e está doando alimentos, produtos de higiene, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e outros materiais. O objetivo é evitar casos de surto entre essas populações e permitir que eles possam ficar em casa com segurança.

No total, estão sendo atendidas pelo WWF-Brasil 7.055 famílias indígenas e 100 trabalhadores de cooperativas agroextrativistas, com mais de 15 toneladas de alimentos e produtos de higiene, EPIs e outros equipamentos, no Cerrado e na Amazônia.

Atuação emergencial na Amazônia
Na Amazônia, o apoio emergencial do WWF-Brasil se concentra no apoio aos povos indígenas. “Nosso esforço é para que os indígenas fiquem nas suas aldeias e não precisem ir até as cidades para adquirir alimentos”, diz Ricardo Mello, Gerente de Conservação do WWF-Brasil.

Bitate Uru-eu-wau-wau, presidente da associação indígena Jupaú (Rondônia), é um jovem líder da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, que recebeu doações do WWF-Brasil por meio da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé. “As cestas básicas e produtos de higiene que recebemos do WWF-Brasil estão nos ajudando muito a manter o isolamento. Esses produtos nos mantêm nas aldeias e evitam que a gente tenha que ir para a cidade comprar comida. Não estamos saindo de jeito nenhum e só liberamos a saída em caso de emergência médica. Por enquanto não temos nenhum infectado e esperamos seguir assim. O que nos preocupa agora são as invasões de terras indígenas que, durante a pandemia, têm aumentado na nossa região”, conta Bitate.

Com o apoio da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), o WWF-Brasil vai apoiar 6.680 famílias indígenas de 66 aldeias localizadas nos estados de Mato Grosso, Pará, Amazonas e Roraima. “Graças ao apoio do WWF-Brasil, vamos doar cestas básicas para essas famílias e ainda distribuir material de higiene e de limpeza, além de equipamentos de proteção individual (EPIs) a nove Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DESEIS) - uma forma de divisão médica dedicada ao atendimento aos indígenas. Esse é um apoio primordial para prevenir os casos de contágio nas aldeias. Agradecemos muito o WWF-Brasil por se unir a essa luta contra a pandemia e pelos mais vulneráveis”, diz Valéria Payé, assessora política da COAIB.

“Nós estamos monitorado os dados de casos confirmados nos nove estados da Amazônia brasileira e são muito alarmantes e muito superiores dos oficiais reportados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI). Um exemplo: temos 89 óbitos e eles divulgam 23”. “A sociedade civil teve que assumir a responsabilidade de se proteger, já que não conta com o apoio do Estado. Os povos indígenas assumiram a criação de barreiras sanitárias e a mobilização da rede de parceiros para sobreviver a essa pandemia”, completa Valéria.

Atuação emergencial no Cerrado
No Cerrado, o WWF-Brasil apoia indígenas e agroextrativistas. “Apoiamos 50 famílias indígenas da etnia Xacriabá do Mosaico Sertão Veredas Peruaçu com doação de cestas básicas e produtos de higiene em parceria com Cáritas Diocesana de Januária, Minas Gerais. Os Xacriabás são a maior população indígena de Minas Gerais”, explica Kolbe Soares, analista de Conservação do WWF-Brasil.

O apoio aos agroextrativistas acontece por meio de três cooperativas de base comunitária também do Mosaico Sertão Veredas Peruaçu: Cooperativa Sertão Veredas, a Copabase e a Cooperuaçu. “O nosso objetivo com esse apoio é fazer com que as cooperativas possam continuar minimamente o seu funcionamento e não tenham que fechar as portas. Estamos fazendo contratos de parceria técnica com cada uma das três cooperativas para ajudar, principalmente, no pagamento da produção de 10 toneladas de frutos (coquinho azedo, araticum, acerola, goiaba, maracujá, tamarindo). Uma menor parte será destinada ao pagamento de diárias de 100 cooperados para que eles possam fazer o processamento desses frutos nas fábricas. Nosso apoio também foi para compra de embalagens e de um freezer de 600kg para o armazenamento dos produtos”, completa Kolbe Soares.

O presidente da Cooperativa dos Agricultores Familiares e Extrativistas do Vale do Peruaçu (Cooperuaçu), Valdomiro da Mota Brito, conta que o apoio do WWF-Brasil ajuda a salvar boa parte da produção da cooperativa: “Como a demanda pelos nossos produtos caiu por conta de toda a paralisação comercial no país, estamos com o estoque alto e o freezer que o WWF-Brasil doou pra cooperativa vai nos ajudar a conservar os produtos para que a gente não perca o que já foi produzido e possamos ir vendendo na medida do possível”.

Dionete Barboza, gestora da Copabase, Cooperativa com 100 cooperados, explica que graças ao WWF-Brasil vai ser possível pagar a produção já entregue pelos agricultores familiares. “O WWF-Brasil conseguiu nos ajudar com o que mais precisamos, para que não perdêssemos a credibilidade com o nosso quadro social, os produtores e todas as famílias dos cooperados. Nossa gratidão é imensa”. Dionete conta que a situação ocasionada pela pandemia do novo coronavírus é muito preocupante: “não está sendo fácil... 80% da receita do faturamento da cooperativa é proveniente das vendas dos nossos produtos para as escolas e prefeituras para a preparação das merendas escolares e, como as aulas foram suspensas, nossos contratos também foram.

Estamos sofrendo porque não estamos comercializando e o nosso estoque está imenso. A produção foi muito grande porque choveu muito. Tivemos que suspender a recepção das frutas porque não temos mais onde estocar. Além disso, mal estamos conseguindo pagar os custos fixos da Cooperativa, como luz, água etc”.

O WWF-Brasil segue em permanente monitoramento da situação dos povos indígenas e dos agroextrativistas, se solidariza na mobilização da sociedade civil e continua apoiando os povos tradicionais do país na luta contra o coronavírus.
 
 
WWF-Brasil doou alimentos a comunidades tradicionais e agroextrativistas do Cerrado e Amazônia
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Mais de 30 mil pessoas recebem alimentos, produtos de higiene e equipamentos
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No total, o WWF-Brasil doou 15 toneladas de alimentos e produtos de higiene pessoal
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No total, mais de 30 mil pessoas estão sendo atendidas pelo WWF-Brasil: 7.055 famílias indígenas e 100 trabalhadores de cooperativas agroextrativistas
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