O QUE É

 

O Cerrado é um dos biomas mais antigos e ricos do planeta em formas de vida. Está em 11 estados brasileiros e se estende pela região central do país, conectando-se a outros importantes biomas: a Amazônia ao norte, a Caatinga a nordeste, o Pantanal a sudoeste e a Mata Atlântica ao sudeste. Estima-se que possua quase 5% de todas as espécies no mundo e 30% da biodiversidade do Brasil.

A flora, a fauna e a cultura existentes fazem do bioma uma das mais importantes regiões naturais a serem preservadas para as futuras gerações. Mas o Cerrado está ameaçado pela ação do homem e esse patrimônio de todos precisa ser visto com outros olhos.

POR QUE É IMPORTANTE

 

No Cerrado vivem aproximadamente 25 milhões de pessoas, ou seja, 12% da população nacional. Dentre elas, há em torno de 80 etnias indígenas e diversas comunidades quilombolas, de acordo com o Instituto Sociedade População e Natureza - ISPN.

O bioma também é conhecido como o berço das águas do Brasil. É nele que se encontram as cabeceiras da maioria dos principais rios e bacias brasileiros, como o Xingu, São Francisco, Tocantins-Araguaia, Parnaíba, bacia do Tapajós, os afluentes da margem direita do rio Paraná e todos os rios que formam o Pantanal.

Das 12 principais bacias hidrográficas brasileiras, oito são irrigadas pelo Cerrado, sendo que seis delas estão dentro do bioma. O Cerrado também fornece água para três importantes aquíferos: Bambuí, Urucuia e Guarani. Além disso, ele provê quase metade da água doce do Brasil e armazena cerca de 13,7 bilhões de toneladas de Dióxido de Carbono (CO2), o equivalente ao total de emissões do país por nove anos.

A magnitude do Cerrado também está embaixo da terra. As raízes das árvores são profundas. Atuam como uma esponja gigante absorvendo e estocando água da chuva, distribuída para milhões de nascentes durante todo o ano.

No quesito diversidade, é a savana mais antiga e biodiversa do planeta. Segundo o “Perfil do Ecossistema do Cerrado”, organizado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF), estima-se que abrigue mais de 12 mil espécies de plantas. A região conta também com pelo menos 2.373 espécies de vertebrados, cerca de um quinto dos quais são endêmicos, ou seja, exclusivos do Cerrado.

© WWF-Brasil/Bento Viana

Você sabia?

  • Os primeiros registros de presença humana no Cerrado remontam há cerca de 12 mil anos. Hoje, vivem nos limites do bioma por volta de 30 milhões de brasileiros, incluindo indígenas, quilombolas, geraizeiros, quebradeiras de coco babaçu, ribeirinhos e vazanteiros.

  • Além disso, o bioma tem mais de 300 plantas nativas que são usadas como alimento, remédio ou matéria-prima para artesanato.

  • No Brasil, existe uma data nacional dedicada ao bioma: 11 de setembro, Dia do Cerrado.

PRINCIPAIS AMEAÇAS

 

A principal ameaça à sobrevivência do bioma é o avanço indiscriminado da fronteira agrícola para a produção, em especial, o cultivo de soja e pecuária bovina. A perda de vegetação nativa acontece em um ritmo alarmante, fazendo do Cerrado uma das maiores e mais ativas frentes de desmatamento do mundo, com uma média de 1 milhão de hectares perdidos por ano desde 2009, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

De acordo com o DETER, sistema do INPE, foram desmatados, de janeiro a maio de 2022, 2.612 km² do Cerrado, contra 1.963 km² no mesmo período do ano passado. Isso significa um aumento de 35%. 

Apesar de toda a sua riqueza e biodiversidade, o bioma já perdeu 50% de sua área original, principalmente para pastagens e cultivo agrícola, com destaque para a soja.

O Cerrado ocupa 23% do território nacional, no entanto grande parte de sua área está em propriedades privadas. Apenas 8% do espaço total está legalmente protegido pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação, incluindo menos de 3% por unidades de conservação de proteção integral. Este é um dos menores níveis de proteção entre todos os hotspots do mundo.

Há também a questão do Código Florestal, o qual exige que apenas 20% da vegetação natural seja preservada em propriedades privadas (e 35% nas áreas de transição com a Amazônia). Assim, mesmo com cumprimento total dessa legislação, ainda permite que cerca de 40 milhões de hectares sejam legalmente desmatados no Cerrado.

Quando se desmata o bioma, compromete-se também os recursos hídricos, que são fonte de água para as milhões de pessoas que vivem na região. Além de impactar, pelo menos em parte, a vida de nove em cada dez brasileiros que consomem eletricidade produzida com águas do Cerrado.

E não é só o desmatamento propriamente dito que prejudica os rios: o impacto causado por garimpos, que contaminam as águas com mercúrio e provocam o assoreamento de seus cursos (bloqueio por terra), a utilização indiscriminada de agrotóxicos e fertilizantes na monocultura intensiva de grãos e a pecuária extensiva de baixa tecnologia são pilares fundamentais para entender a intensa degradação de um dos biomas mais biodiversos do mundo.

© Silas Ismael / WWF- Brasil

 

ESPÉCIES DO BIOMA

 

O “Perfil do Ecossistema do Cerrado” traz que “uma pesquisa recente mostrou que, entre 1998 e 2008, um total de 1.300 novas espécies de vertebrados foram identificadas no Brasil. Dentre elas, 347 espécies de vertebrados foram encontradas, incluindo 222 novos peixes, 40 anfíbios, 57 répteis, 27 mamíferos e uma ave. Estes números indicam a importância biológica colossal da região".

No entanto, por conta do desmatamento, da prática agropecuária desregrada e das queimadas, esses animais correm sérios riscos: uma em cada quatro espécies ameaçadas de extinção no Brasil vivem no Cerrado. Muitas delas são de mamíferos, como a onça-pintada (maior felino das américas), a anta (maior mamífero terrestre do Brasil), o tamanduá-bandeira (maior animal que se alimenta de formigas), o lobo-guará (maior canídeo sul-americano) e o tatu-canastra (maior tatu do mundo).

Das mais de 800 espécies de aves que vivem no Cerrado, 90% só se reproduzem dentro do bioma. Além disso, das 150 espécies de anfíbios, 52% só existem nessa região.

A rica diversidade do Cerrado também está presente na vegetação. O pequi, por exemplo, é um dos frutos mais consumidos na região. É uma boa fonte de fibra alimentar e de vitamina A e tem o dobro de vitamina C de uma laranja. Do fruto se aproveita principalmente a polpa e a semente (amêndoa).

Outras plantas símbolo do bioma são o baruzeiro, cujo fruto é o baru, o babaçu, o buriti e o umbu. Também chamado de cumaru, castanha de burro, coco barata, coco feijão, o baruzeiro é uma árvore frutífera arbórea de grande porte. Chega a medir 25 metros de altura, podendo atingir 70 cm de diâmetro, e com vida útil em torno de 60 anos.

Possui apenas uma semente por fruto, do qual pode-se aproveitar a polpa, endocarpo e semente (amêndoa), sendo consumida de diversas formas: torrada como aperitivo ou em inúmeras receitas. Em qualquer receita, a amêndoa do baru pode substituir a castanha de caju, amendoim, castanha do Brasil ou nozes.

Já o babaçu é uma palmeira da qual quase tudo se aproveita. Suas folhas são utilizadas na armação de cobertas para casa e, nos períodos de seca, para alimentação animal. As fibras das folhas são utilizadas para produzir cestos, peneiras, esteiras, entre outros produtos artesanais.

É possível ainda extrair o palmito e, do caule da palmeira jovem, uma seiva que, fermentada, produz vinho. No caso das amêndoas, o principal fim é a produção de óleo, amplamente utilizado na indústria cosmética e alimentícia e na fabricação de sabão. É fonte alimentar de comunidades da região do Cerrado.

O buriti é outra planta símbolo do Cerrado, é a estrela das veredas, e sua diversidade de usos tornou-o conhecido como a “Árvore da Vida”. Além de fornecer matéria-prima para remédios, alimento, artesanato e abrigo, o buritizeiro desempenha um papel importante para a manutenção de nascentes e cursos d’água no Cerrado. Pode alcançar até 30 metros de altura e ter um caule com espessura de até 50 cm de diâmetro. É uma árvore exclusiva da vereda, apenas encontrada em ambientes alagáveis.

O umbu, por sua vez, vem da palavra palavra “ymbu”, de origem tupi-guarani, que significa “árvore que dá de beber”, uma referência a sua característica de armazenamento de água, especialmente da raiz. Muito presente na região de transição com a Caatinga, é considerado um símbolo de resistência cultural pelos agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais da região semiárida.

As “batatas”, que dão nas raízes, muitas vezes são utilizadas pelos vaqueiros do sertão para matar a sede. O fruto é pequeno e arredondado, com cheiro doce e sabor agradável, levemente azedo. Grande parte da sua composição é aquosa e possui consideráveis propriedades nutricionais, sendo rico em vitamina C. É muito apreciado para consumo humano in natura ou beneficiado, na produção de polpas de fruta, sorvete, geleias e doces.

O buriti é outra planta símbolo do Cerrado, é a estrela das veredas, e sua diversidade de usos tornou-o conhecido como a “Árvore da Vida”. Além de fornecer matéria-prima para remédios, alimento, artesanato e abrigo, o buritizeiro desempenha um papel importante para a manutenção de nascentes e cursos d’água no Cerrado. Pode alcançar até 30 metros de altura e ter um caule com espessura de até 50 cm de diâmetro.

É uma árvore exclusiva da vereda, apenas encontrada em ambientes alagáveis. O umbu, por sua vez, vem da palavra palavra “ymbu”, de origem tupi-guarani, que significa “árvore que dá de beber”, uma referência a sua característica de armazenamento de água, especialmente da raiz. Muito presente na região de transição com a Caatinga, é considerado um símbolo de resistência cultural pelos agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais da região semiárida. As “batatas”, que dão nas raízes, muitas vezes são utilizadas pelos vaqueiros do sertão para matar a sede.

O fruto é pequeno e arredondado, com cheiro doce e sabor agradável, levemente azedo. Grande parte da sua composição é aquosa e possui consideráveis propriedades nutricionais, sendo rico em vitamina C. É muito apreciado para consumo humano in natura ou beneficiado, na produção de polpas de fruta, sorvete, geleias e doces.

© Acervo ISPN/Bento Viana
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