Família Schurmann visita Noronha e ressalta a importância da energia solar



24 maio 2017    
Família Schurmann (à direita), junto a representantes do WWF-Brasil e da ONG Golfinho Rotador
© WWF-Brasil
Por Juliana Marinho

O atual veleiro da Família Schurmann, Kat, atracou em Noronha do dia 13 a 21 de maio e foi o local para a primeira parte do encontro na última sexta-feira (19) com representantes do Programa Mudanças Climáticas e Energia sediados na ilha.
 
O catarinense Vilfredo Schurmann, capitão do barco, apresentou as torres eólicas a bordo, os módulos fotovoltaicos, os hidrogeradores – pás subaquáticas que geram energia - e até a horta – localizada em uma estufa que mantem a temperatura por meio dos módulos solares. O barco ainda abriga 46 baterias para armazenar a energia gerada e 54 lâmpadas de LED, que na prática representam duas lâmpadas incandescentes de 100 watts. “Imagine, milhões de pessoas com painéis solares em suas casas, porque o custo vai diminuir, será mais barato e acessível, e as pessoas produzirão tudo na própria casa, isso vai ser o futuro”, prevê o capitão.
 
Há pouco tempo, o veleiro ainda contava com duas bicicletas ergométricas com quatro ventosas, que ao se pedalar 180 quilocalorias por dia, gerava 200 watts – o que dá para abastecer por uma hora todas as 54 lâmpadas acessas ao mesmo tempo. Essas bicicletas foram doadas em uma das expedições à comunidade de uma ilha na Oceania que tinha dificuldades para gerar energia. Há um dessalinizador de água no próprio barco que produz 150 litros de água por hora em um processo de osmose reversa. O produto dessa dessalinização é usado também para beber.
 
Sustentabilidade e educação ambiental
A primeira expedição dos Schurmann, que durou de 1984 a 1994, percorreu cerca de 120.000km. Eles foram os primeiros brasileiros a dar a volta ao mundo em um veleiro. De lá para cá já são 33 anos de navegação, três viagens de volta ao mundo percorrendo ilhas e regiões remotas e mais de 45 países visitados. O  novo projeto dos Schurmann, que percorrerá o mundo e - simultaneamente, em outro barco -, a costa brasileira é o de educar líderes sobre sustentabilidade para que possam repassar o aprendizado para suas comunidades. “Buscamos pessoas com liderança que irradiem esse conhecimento. Ficaremos mais tempo nos lugares, onde deixaremos vídeos para as escolas, entre outras ações”, explica.
 
Sobre Noronha, Schurmann ressalta que por ser uma ilha pequena e ainda Patrimônio Natural da Humanidade, iniciativas marcantes deveriam ser implementadas por empresas privadas apoiadas pelo governo, como o uso massivo de energia solar, que serviria de exemplo para o Brasil inteiro. A família visitou Noronha pela primeira vez em 1984, quando a ilha tinha, segundo ele, 600 habitantes. Atualmente são cerca de 5000 moradores.
 
Conhecendo o Aulas de Energia – Espaço Usina Solar Fernando de Noronha
Na segunda parte do encontro, Vilfredo Schurmann visitou o Aulas de Energia, projeto da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) em parceria do WWF-Brasil. Além de usar o óculos de realidade virtual, Schurmann conheceu alguns jogos interativos e vídeos de animação. O capitão defendeu as energias renováveis para o arquipélago de Fernando de Noronha como algo necessário e urgente. “Esse tipo de iniciativa, um espaço de sensibilização para a comunidade com relação à energia limpa, é fundamental para a mudança de cultura”.
Família Schurmann (à direita), junto a representantes do WWF-Brasil e da ONG Golfinho Rotador
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Horta dos Schurmann usa módulos solares para manter temperatura
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