Perguntas e respostas | WWF Brasil

Perguntas e respostas



1) Em que contexto se insere a Hora do Planeta?
2)
O que é a Hora do Planeta?
3)
Quem pode participar?
4) Por que apagar as luzes?
5) Por que a Hora do Planeta?
6) Por que Hora do Planeta no Brasil?
7) Se a Hora do Planeta é contra o aquecimento global, porque, no Brasil, estamos defendendo os ecossistemas terrestres e aquáticos e as matas ciliares?
8) Por que a nossa participação é importante?
9) Como será a Hora do Planeta no Brasil?
10) Como será nas cidades brasileiras?
11) O que temos que fazer para proteger a natureza e reverter o quadro de ameaça das mudanças climáticas?
12) O Brasil tem avançado na questão climática?
13) E se fizermos a nossa parte aqui no Brasil, damos conta do recado global?



1) Em que contexto se insere a Hora do Planeta?

Não há dúvidas sobre o aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEEs) na atmosfera, que tem, como um dos seus efeitos, o aquecimento global, que causa eventos climáticos mais drásticos e intensos.

Os últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) apontam as causas e consequências dessas mudanças, e os desafios para estabilizar o aumento máximo da temperatura global em 2oC, evitando-se dessa forma, o cenário pessimista, devastador e até mesmo imprevisível das consequências negativas das mudanças climáticas ao funcionamento da natureza e à conservação da biodiversidade, ao crescimento econômico e ao desenvolvimento social.

O efeito estufa é um fenômeno natural que garante a vida no planeta e é resultado de uma fina camada de gases dito do efeito estufa que se concentram na atmosfera. No entanto, a humanidade está lançando uma quantidade muito grande desses gases, em razão da queima de combustível fóssil e do desmatamento de áreas naturais, aumentando a concentração desses gases e reforçando o efeito natural. O resultado é um aquecimento acima do natural para este período e as conseqüentes mudanças do clima.

Essa mudança começa com a Revolução Industrial durante o século XVIII. Historicamente, os países ditos desenvolvidos foram os grandes responsáveis pelo aumento da concentração dos gases de efeito estufa. Mais recentemente, os países de economia emergente, como China, Índia e Brasil, têm contribuído significativamente na emissão desses gases. Existem ainda países que precisam de espaço para seu próprio desenvolvimento, mas não tem emissão significativa ou mesmo responsabilidade na situação acumulada. Portanto, é fundamental que se estabeleçam responsabilidades comuns, porém, diferenciadas.

Em ordem decrescente, os 10 países que mais emitem gases de efeito estufa são: China, Estados Unidos, Brasil, Indonésia, Rússia, Índia, Japão, Alemanha, Canadá e México. Se considerarmos o bloco europeu (UE) como um país, ele estaria em terceiro lugar, depois de China e Estados Unidos, mas antes de Brasil, Indonésia, etc. (Fonte: CAIT) No Brasil, o desmatamento e as queimadas são as maiores fontes de emissão de gases de efeito estufa.

Em 2009, o Brasil progrediu e finalmente anunciou suas metas de redução de emissões que são significativas para o acordo global, com ações para redução do desmatamento. O Brasil oficializou suas metas de redução de GEEs por meio de lei que cria a Política Nacional de Mudanças Climáticas. As metas foram, então, descritas internacionalmente como segue:

  • Redução do desmatamento na Amazônia: 564 milhões
  • Redução do desmatamento no Cerrado: 104 milhões
  • Restauração de pasto degradado: 83-104 milhões
  • Integração pasto-lavoura: 18-22 milhões
  • Fomento a práticas de plantio direto: 16-20 milhões
  • Fomento a práticas de fixação biológica de N2: 16-20 milhões
  • Aumento do uso de biomassa: 48-60 milhões
  • Aumento do uso de hidreletricidade: 79-99 milhões
  • Uso de fontes alternativas de energia: 26-31 milhões
  • Substituição de carvão de desmatamento por carvão de florestas plantadas na produção de aço: 8-10 milhões

Assim, o Brasil atingiria uma redução de 36,1% a 38,9% em relação a um cenário tendencial. Alternativamente, podemos expressar os esforços do Brasil da seguinte maneira: No cenário menos ambicioso, as reduções do país seriam oriundas 69% do desmatamento, 18% de energia e 14% de agricultura. No cenário mais ambicioso, 64% seria do desmatamento, 20% de energia e 16% da agricultura.

Em 2010, o país vai lançar o segundo inventário de emissões e fazer a revisão do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, com detalhamento das ações, em que se espera sejam estabelecidas estratégias consistentes de adaptação e que se assumam compromissos neste sentido.

Nesse cenário, surge a possibilidade de alterações do Código Florestal pelo Congresso Nacional, que ameaça a todos os compromissos e os esforços de mitigação e adaptação do Brasil. O Código Florestal é uma lei consistente e importante e seu cumprimento garantirá a coerência ambiental de que o país necessita para enfrentar o desafio das mudanças climáticas.

Embora possa ser aprimorada, o WWF-Brasil preconiza que a lei mantenha suas características mais importantes como a existência das áreas de proteção permanente (APPs) e de reserva legal (RL), além de outros instrumentos que garantem a proteção não somente aos ecossistemas, mas também aos que vivem desses sistemas, como pescadores, extrativistas, etc.

Adaptação

Neste Ano Internacional da Biodiversidade, 2010, o WWF-Brasil chama a atenção, também, para a necessidade de proteção e recuperação dos ecossistemas terrestres e aquáticos como uma maneira de defendermos a vida em nosso planeta.

Especialistas apontam que as mudanças climáticas irão provavelmente provocar o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos como temporais e secas. São, portanto, necessárias e urgentes ações que tenham por objetivo enfrentar situações climáticas mais severas e seus impactos como, por exemplo, erosão, assoreamento de corpos d’água e aumento das enxurradas, e suas consequências, como as enchentes, que já mataram dezenas de pessoas só este ano no Brasil.

E a melhor maneira de nos preparamos para resistir a esses impactos é a conservação da natureza, dos seus ecossistemas. Daí advêm a importância do respeito e cumprimento ao Código Florestal brasileiro, que já estabelece medidas de proteção ao meio ambiente, fundamentais para a nossa adaptação às mudanças climáticas, evitando a escassez de água e a consequente queda na produção de alimentos e também o excesso de água, que causa as enchentes que devastam nossas cidades e as vidas de milhares de pessoas todos os anos. Este ano, somente em São Paulo, 74 pessoas morreram em consequência das chuvas.

A manutenção e criação de áreas protegidas e a preservação e recuperação das matas ciliares e nascentes tornam-se, portanto, mais do que simplesmente necessárias à conservação dos ecossistemas e dos recursos hídricos.

As matas ciliares prestam importantes serviços ambientais: atenuam a erosão, protegem os rios, corpos d´água e sua biodiversidade e armazenam carbono e são corredores biológicos importantes por onde vive e transita a fauna. Ou seja, são importantes para a redução das emissões, conservação da biodiversidade e para a adaptação às mudanças climáticas.

Assim, sua proteção ganha importância ainda maior e passa a ser uma medida de adaptação e prevenção aos impactos futuros; de proteção ao indivíduo e à coletividade; e de incentivo ao desenvolvimento econômico e social.

Dessa maneira o gesto simples de apagar as luzes no Brasil durante a Hora do Planeta 2010, chamará a atenção para as mudanças climáticas e a importância de proteção dos ecossistemas, terrestres e aquáticos, para nossa sobrevivência e qualidade de vida. De que lado você está?

2) O que é a Hora do Planeta?
  • A Hora do Planeta é um ato simbólico no qual, governos, empresas e cidadãos são convidados a partir da reação à ação, em defesa da vida. E o apagar das luzes sinaliza este engajamento. É uma forma de comunicação entre os próprios manifestantes e entre estes e seus governos.
  • A Hora do Planeta é uma forma que a Rede WWF encontrou para engajar e mobilizar a sociedade para manifestar – por meio de uma ação simbólica e emblemática – a sua preocupação com o aquecimento do planeta.
  • No sábado, dia 27 de março de 2010, às 20h30, milhões de lares, milhares de ruas, centenas de monumentos, bairros e cidades ao redor do mundo apagarão suas luzes por sessenta minutos.
  • Aqui no Brasil, a Hora do Planeta também tem o objetivo de alertar para a necessidade de conservação e recuperação dos ecossistemas, como forma de nos proteger das mudanças climáticas e de reduzir nossas emissões de gases de efeito estufa causadas pelo desmatamento. É, também, uma forma de promover a defensa das matas ciliares e do Código Florestal.
  • Em nível global, a Hora do Planeta é uma das ações que serão desenvolvidas pela Rede WWF para que a população se manifeste de forma a influenciar as autoridades locais e mundiais para a redução das emissões globais de gases de efeito estufa.

3) Quem pode participar?
O WWF-Brasil estimula a participação de todos na Hora do Planeta: governos, empresas, organizações, escolas e cidadãos.
  • Participar da Hora do Planeta é muito fácil. O primeiro passo é se cadastrar no site www.horadoplaneta.org.br.
  • Contamos com você também para mobilizar uma equipe, divulgar o movimento em sua escola ou empresa, em seu bairro, em sua cidade, e até mesmo organizar eventos. Mas não se esqueça: o mais importante é fazer o gesto e ser coerente com o planeta. No dia 27 de março, desligue as luzes de sua casa por sessenta minutos, das 20h30 às 21h30.
4) Por que apagar as luzes?
  • Porque é um gesto simples e de visibilidade que pode ser adotado em todo o planeta. Apagar a luz, no caso brasileiro, é sinalizar que nós estamos preocupados com o aquecimento do planeta e queremos dar nossa contribuição, influenciando e pedindo ações de redução das emissões e de adaptação às mudanças climáticas, combatendo o desmatamento e conservando nossos ecossistemas.
  • O gesto simbólico mostra que o Brasil e os brasileiros devem fazer a sua parte e também incentiva o diálogo dos manifestantes entre si e entre esses e os governos.
  • Apagando a luz por 60 minutos, a população vai demonstrar o quanto valoriza nossas florestas em pé, a preservação da vegetação natural e o seu uso sustentável, a saúde dos rios e a qualidade da água, além de mostrar a sua disposição para o combate ao aquecimento global e em favor da adaptação aos seus efeitos.
  • Embora defenda a economia de energia e a maior eficiência na sua produção, transporte e consumo, o WWF-Brasil não pretende que o apagar das luzes na Hora do Planeta represente esses resultados em si.
  • Portanto, apagar a luz também é um ato que simboliza a eficiência e o uso de todos os recursos com inteligência e responsabilidade. Apesar da eletricidade no Brasil ser gerada, principalmente, a partir de hidrelétricas, considerada uma fonte renovável, ela não é totalmente limpa, gerando danos aos ecossistemas aquáticos e podendo estimular o desmatamento se forem implantadas sem os devidos cuidados.
  • Outros países produzem energia elétrica a partir de combustíveis fósseis como carvão, gás e diesel, situação muito mais negativa para as mudanças climática do que no caso do Brasil, já que temos como principal fonte a produção proveniente de usinas hidrelétricas. Dados para o futuro apontam para um maior uso de energia oriunda de fontes fósseis, mesmo no Brasil. Infelizmente, dados para o futuro apontam para um maior uso de energia oriunda de fontes fósseis, mesmo no Brasil. Estudos apontam que grandes centrais hidrelétricas em regiões como a Amazônia também provocam grande impacto ambiental e social.

5) Por que a Hora do Planeta?
  • Diante do agravamento do aquecimento global, a Rede WWF decidiu lançar uma campanha planetária que agregasse populações de todos os países para chamar a atenção das autoridades mundiais para a gravidade da situação. Assim, daremos uma hora do nosso tempo ao planeta, apagando as luzes neste intervalo.
  • O aquecimento global – com as consequentes mudanças climáticas – é, sem dúvida, um dos principais problemas globais a serem enfrentados pela humanidade neste século. O aumento da temperatura média do planeta é causado pelo acúmulo excessivo de gases oriundos da queima de combustíveis fósseis e da remoção das florestas. Esses gases formam um ‘cobertor’ cada vez mais espesso ao redor da Terra. A luz do sol entra na atmosfera, mas este ‘cobertor’ não permite que ela se dissipe no universo, retendo a energia em forma de calor, mecanismo semelhante a uma estufa para plantas, daí o nome “gases de efeito estufa”.
  • Este comportamento de efeito estufa, no entanto, é um fenômeno natural, que garante, de forma equilibrada, a vida no planeta. Mas a velocidade das emissões e a quantidade de gases jogados na atmosfera pelas atividades humanas desde a revolução industrial estão aumentando a concentração desses gases e são os grandes vilões do aquecimento global.
  • Também é fundamental que os governantes considerem os avisos dos cientistas sobre a irreversibilidade do aquecimento global e suas consequências nos próximos anos e tomem, agora, decisões para estabilizar o aumento máximo da temperatura global em 2oC e que estabeleçam programas que promovam a nossa adaptação a essas mudanças.
  • Infelizmente não foi em Copenhague (2009) que o mundo viu os líderes se entenderem para construírem ou aprovarem um acordo global que evite maiores alterações climáticas, promova a redução das emissões de gases de efeito estufa e a nossa adaptação para minimização das conseqüências das mudanças que já chegaram.
  • A Hora do Planeta é uma demonstração globalizada de que o mundo espera de nossos líderes a coragem para enfrentar e reverter esse e outros problemas ambientais, como a destruição e fragmentação dos ecossistemas, a extinção de espécies, a degradação dos habitats, a poluição e a perda da qualidade dos serviços ecológicos prestados pelo ambiente aos seres humanos como ar, água, matérias-primas, alimento, equilíbrio térmico, retardo e dissipação de cheias e medicamentos de que tanto dependemos.

6) Por que Hora do Planeta no Brasil?
  • Porque o Brasil tem sua importante contribuição a dar para a redução das emissões de gases de efeito estufa para cômputo global, uma vez que somos o terceiro maior produtor destes gases, principalmente por conta do desmatamento.
  • Porque o Brasil, sendo a 9ª maior economia do planeta, é uma potência dentre os países. Devemos ser exemplo para um desenvolvimento justo e sustentável, com promoção da economia verde.
  • Porque o Brasil tem que cumprir a sua lição de casa, ou seja, cumprir as metas que apresentou internacionalmente sob o Acordo de Copenhague e ter plano de adaptação às mudanças climáticas.
  • Porque o Brasil está entre os 17 países megabiodiversos que têm 75% da biodiversidade do mundo, sendo o primeiro e de maior biodiversidade.
  • Porque o WWF-Brasil acredita que o Brasil pode assumir liderança mais forte e a tempo frente às mudanças climáticas e adaptação.
  • Porque o WWF-Brasil acredita que o Brasil pode ser um exemplo e líder do desenvolvimento sustentável e da economia verde - também chamada de economia de baixa emissão de carbono - construída com a promoção da eficiência energética, adoção de fontes renováveis de energia como solar, eólica e biomassa, uso mais sustentável do solo na agricultura e no setor florestal, incentivos para a Redução de Emissões oriundas do Desmatamento e Degradação florestal (REDD), aspectos da sustentabilidade.

Na nossa Hora do Planeta, defenderemos:
  • Fortalecimento do Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC), garantindo seu papel efetivo como coordenador dos esforços governamentais para mitigação e adaptação, com criação e disponibilidade de recursos financeiros e humanos para as ações.
  • Redução acelerada do desmatamento em todo o país, com níveis tendendo a zero.
  • Proteção e recuperação de áreas de preservação permanente (APPs) como as matas ciliares e as nascentes.
  • Proteção e recuperação de áreas de preservação permanente como as matas ciliares e as nascentes.
  • Manutenção dos principais instrumentos do Código Florestal e seu aprimoramento a partir diálogo participativo e amplo com os setores da sociedade, com base em dados científicos.
  • Obrigatoriedade do cumprimento das metas de redução de desmatamento e de emissões de gases de efeito estufa assumidas na Conferência de Copenhague em 2009 (COP-15 da UNFCCC).
  • Obrigatoriedade do cumprimento das metas de redução de desmatamento e de emissões de gases de efeito estufa assumidas na COP-15.
  • Inclusão de estratégias consistentes de adaptação no Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC), garantindo esse compromisso em políticas governamentais, com criação e disponibilidade de recursos financeiros e humanos para as ações.
  • Criação de novas unidades de conservação para cumprimento da meta de proteção de 30% da Amazônia e de 10% dos outros biomas até 2010, de acordo com o atual plano estratégico da Convenção da Diversidade Biológica (CDB).
  • Gestão eficaz e defesa das áreas protegidas já existentes, por sua importância para a manutenção da biodiversidade, para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas e para a adaptação a essas mudanças.
  • Criação de mecanismos eficazes de mitigação e adaptação em nível global.
  • Aumento da participação e engajamento do cidadão em ações individuais de adaptação (redução da pegada ecológica, consumo responsável, cumprimento das leis etc.).
  • Promoção da economia sustentável, e da atitude ambientalmente responsável por parte de governos, empresas e cidadãos.

7) Se a Hora do Planeta é contra o aquecimento global, porque, no Brasil, estamos defendendo os ecossistemas terrestres e aquáticos e as matas ciliares?
  • Porque a água é o mais importante elemento do planeta a ser afetado pelas mudanças climáticas, seja pelo excesso, seja pela escassez. E a água é um elemento primordial à vida;
  • Porque defender as matas ciliares – que protegem os rios, riachos, nascentes, lagos etc. – é uma forma de zelarmos pelo equilíbrio dinâmico da natureza e de nos defendermos contra efeitos do aquecimento global, promovendo a adaptação às mudanças climáticas. Quanto mais protegidas as matas ciliares, mais protegidos estarão a água, o solo e a biodiversidade;
  • Porque, ao proteger as matas ciliares, estaremos, também, evitando o desmatamento e reduzindo nossas emissões de gases de efeito estufa;
  • Porque defendemos o respeito ao Código Florestal Brasileiro, que prevê a proteção das matas ciliares, das nascentes e Reservas Legais, e estabelece outros regulamentos fundamentais à proteção do meio ambiente e da vida, no Brasil;
  • Porque a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa pelo Brasil (75%) é proveniente das queimadas e do desmatamento das nossas florestas. Assim, ao conter o desmatamento, contribuímos efetivamente para a mitigação das mudanças climáticas. Hoje, o Brasil é o 3º maior emissor. Erradicando o desmatamento, o País cairia para o 18º lugar no ranking internacional.


8) Por que a nossa participação é importante?
  • Porque somos parte integrante da natureza, mas estamos ameaçando a sua integridade, equilíbrio e diversidade com os efeitos das atividades e a forma de exploração humana dos recursos naturais;
  • Porque sabemos que sofreremos as consequências da degradação ambiental que promovemos e queremos modificar esse processo de esgotamento dos recursos naturais para o bem das atuais e das futuras gerações;
  • Porque o Brasil precisa demonstrar que a sua população está atenta ao problema do aquecimento global e suas consequências e disposta a tomar as atitudes necessárias para reduzir essas ameaças;
  • Porque queremos que os brasileiros se juntem a um bilhão de vozes em todo planeta, chamando os dirigentes de todos os países envolvidos a assumirem sua parte na solução do problema;
  • Porque queremos que um bilhão de vozes em todo o planeta pressionem os governos dos países pela redução global das emissões de gases de efeito estufa e pela proteção dos ecossistemas e de sua biodiversidade.

9) Como será a Hora do Planeta no Brasil?
  • Pelo segundo ano consecutivo, o WWF-Brasil promove a Hora do Planeta no País. Em 2009, milhões de brasileiros apagaram as suas luzes e mostraram sua preocupação com o aquecimento global. No total 113 cidades brasileiras, incluindo 13 capitais, participaram da Hora do Planeta. Ícones como o Cristo Redentor, a Ponte Estaiada, o Congresso Nacional e o Teatro Amazonas ficaram no escuro por sessenta minutos.
  • Em 2010 queremos realizar uma Hora do Planeta ainda maior. Para isso, o WWF-Brasil enviou convite a todas as prefeituras das capitais e está convidando as demais prefeituras municipais a aderirem ao movimento. O site www.horadoplaneta.org.br é a plataforma onde cidadãos, empresas e organizações brasileiras poderão fazer seu cadastro, obter mais informações sobre o movimento e deixar seu comentário.
  • Participar da Hora do Planeta é muito fácil. O primeiro passo é se cadastrar no site www.horadoplaneta.org.br. Contamos com você também para mobilizar uma equipe, divulgar o movimento em sua escola ou empresa, em seu bairro, em sua cidade, e até mesmo organizar eventos. Mas não se esqueça: o mais importante é fazer o gesto e ser coerente com o planeta. No dia 27 de março, desligue as luzes de sua casa por sessenta minutos, das 20h30 às 21h30.
  • Apoiar as proposições e afiliar-se ao WWF-Brasil também é muito importante para mostrar a sua escolha e apoio à conservação da natureza.

10) Como será nas cidades brasileiras?

  • O movimento Hora do Planeta incentiva as prefeituras a desligarem as luzes dos principais monumentos como um símbolo e um alerta contra o aquecimento global.
  • A iluminação de algumas avenidas poderá ser apagada, a critério da Prefeitura que aderir ao movimento. Entretanto, toda a ação deve ser estruturada de modo a assegurar e garantir a ordem e a segurança públicas.
  • Mas a ação não se limita a apagar as luzes dos monumentos ou de algumas avenidas. Organizar eventos públicos com manifestações culturais também é uma opção. Além disso, é fundamental a colaboração do cidadão, apagando as luzes da sala de sua casa durante uma hora, das 20h30 às 21h30, a fim de ampliar o envolvimento da população pela cidade.

11) O que temos que fazer para proteger a natureza e reverter o quadro de ameaça das mudanças climáticas?
  • No Brasil, precisamos garantir a redução do desmatamento e a adoção de formas limpas de produção de energia, como eólica e solar;
  • Garantir que não haja mudanças irresponsáveis no Código Florestal;
  • Lutar por compromissos consistentes com a inclusão de adaptação no Plano Nacional de Mudanças Climáticas;
  • No âmbito internacional, os países em desenvolvimento deverão colaborar com parte necessária para a redução de gases do efeito estufa;
  • Os países desenvolvidos devem reduzir em no mínimo 40% das emissões até 2020 e 90% até 2050;
  • Os países em desenvolvimento devem ter estratégias para início da redução das emissões o mais rapidamente possível. Trata-se aqui do conjunto dos países em desenvolvimento. Entretanto, individualmente há que se considerar diferenças em grau de desenvolvimento;
  • Segundo o IPCC as emissões de países em desenvolvimento deverão ser de 15 a 30% menores no ano de 2020 do que seriam se nenhuma ação fosse tomada.

12) O Brasil tem avançado na questão climática?
  • Sim. Apesar de vir com mais de uma década de atraso, o Plano Nacional de Mudanças Climáticas do governo brasileiro pode ser considerado um avanço. Ele é uma tentativa de organização de esforços em curso em diferentes áreas. Ainda há o que melhorar e carece de compromissos sólidos com a adaptação às mudanças climáticas.
  • Na contramão da história, sucessivas tentativas de setores da sociedade brasileira de desmontar e descaracterizar o Código Florestal Brasileiros no Congresso Nacional põe em risco anos e anos de luta em defesa dos nossos biomas e do desenvolvimento sustentável do país.
  • Avançamos, mas o Brasil tem condições de ser mais ousado. Nossas pesquisas na área de monitoramento florestal e os sistemas desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) são considerados de ponta e excelência científica. O Brasil estuda como fazer a troca de tecnologias de monitoramento do desmatamento para benefício de outras regiões como os demais países da América Latina - em especial os países amazônicos - da África e a Indonésia. As plataformas e programas desenvolvidos pelo governo brasileiro são de interesse e caráter público, sem fins lucrativos, possibilitando que países florestais em desenvolvimento tenham acesso à tecnologia.
  • A matriz energética brasileira é uma das mais limpas do mundo, com cerca de 46% de participação de renováveis, resultado de planejamento de mais de 30 anos. Mas os tempos mudaram, e o que se vê no planejamento atual é a colheita de frutos do passado, com a perspectiva de ”porque estamos limpos, então podemos sujar!”. Sustentabilidade e eficiência devem ser princípios norteadores elementares dos processos de desenvolvimento. Não é por que temos muita floresta que podemos desmatar à vontade, ou porque nossa matriz é limpa, podemos sujá-la com térmicas movidas a combustíveis fósseis, ou ainda porque etanol substitui gasolina, podemos produzir sem respeitar o meio ambiente e os trabalhadores.
  • Esse é o desafio para planejadores, governantes e sociedade civil organizada. Como manter e aumentar a sustentabilidade nas cadeias produtivas e diminuir a pegada de carbono?
  • Temos um peso econômico e um lugar de destaque no mundo moderno. Assim como hoje colhemos os resultados de um planejamento de 30 anos atrás, são as próximas gerações que colherão os resultados de uma política de desenvolvimento para o país verdadeiramente justo, sustentável e que gera oportunidades.

13) E se fizermos a nossa parte aqui no Brasil, damos conta do recado global?
  • Sim, se fizermos a nossa parte e todos os outros países – desenvolvidos e em desenvolvimento – também o fizerem. O aquecimento global é um problema de todos e todos somos parte da solução.
  • Se o Brasil for capaz de combater o desmatamento de forma eficaz e garantir o uso de energias renováveis e sustentáveis em nossa matriz em patamares cada vez maiores, o país estará colaborando de maneira justa e ousada no combate às mudanças climáticas.
  • E mais: esse fator combinado a outros mecanismos de desenvolvimento poderá tornar o Brasil um exemplo de economia de baixo carbono e de proteção de seus ecossistemas e sua biodiversidade. Mas neste desafio do clima não basta apenas à contribuição de um país, o conjunto é tão importante quanto o esforço individual. Todos os países terão de fazer a sua parte.
 
© Juan Carlos Del Olmo / WWF-Spain
Velas acesas na Hora do Planeta 2009, quando quase um bilhão de pessoas apagaram suas luzes.
© Juan Carlos Del Olmo / WWF-Spain
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