O Ano do Tigre se inicia com os grandes felinos em perigo



10 fevereiro 2010    
Felinos na mira: enquanto a onça corre perigo no Brasil, o tigre é um dos animais mais ameaçados do mundo.
© Martin Harvey/WWF
A Rede WWF identificou as principais ameaças aos tigres selvagens em todo o mundo. O resultado do levantamento é o primeiro mapa interativo que permite uma visão geral e única sobre as condições de vida desses animais.

Esse mapa surge no momento em que vários países asiáticos e o mundo como um todo se preparam para celebrar o início do Ano do Tigre, que de acordo com o calendário chinês começa no dia 14 de fevereiro. A data está sendo aproveitada para chamar a atenção do mundo para o sério risco de extinção enfrentado pelos tigres.

Hoje existem apenas cerca de 3.200 tigres vivendo em liberdade na natureza.  O mapa mostra como eles enfrentam as ameaças crescentes de perda de habitat, comércio ilegal e mudanças climáticas.

Apesar desse cenário, há esperança: os países em que vivem os tigres selvagens, os grupos conservacionistas e organizações como o Banco Mundial participam, em setembro, na Rússia, de uma reunião de cúpula especial, com o objetivo de definir uma agenda ambiciosa para salvar os tigres selvagens.

“Os tigres são perseguidos em seu território – eles são envenenados, caem em armadilhas, são capturados, mortos e arrancados de seus lares”, diz Mike Baltzer, líder da Iniciativa Global do Tigre, da Rede WWF. “Mas este Ano do Tigre traz consigo uma esperança para esses animais. Nunca houve um compromisso desse porte, tão ambicioso e de tão alto nível por parte dos governos, cuja intenção é duplicar o número de tigres vivendo em liberdade. Trata-se de uma meta elevada e nós esperamos, pelo bem dos tigres e também da humanidade, que seja possível alcançá-la”.

“Os tigres são carismáticos e constituem uma espécie-bandeira da biodiversidade, da cultura e da economia da Ásia. Neste Ano Internacional da Biodiversidade é também um alerta mundial para a urgência de cuidarmos da diversidade da vida em nosso planeta, assim como a onça-pintada e o mico-leão-dourado e muitas outras espécies são um alerta para o Brasil”, afirma Cláudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil.

À frente da cúpula, os 13 países que abrigam os tigres comprometeram-se, todos, com o objetivo de duplicar, até 2022, o número de tigres vivendo em liberdade.  O compromisso foi assumido durante a primeira conferência ministerial asiática sobre a conservação do tigre, ocorrida recentemente em Hua Hin, na Tailândia.

O mapa foi feito para conscientizar as pessoas sobre essas questões e ajudar os Estados onde vivem os tigres a alcançar esse objetivo crucial. 

As seguintes ameaças aos tigres silvestres são destaque no mapa:
  • As florestas da Indonésia e da Malásia, onde vivem populações fundamentais de tigres, estão devastadas pelos empreendimentos de celulose, papel, óleo de palma e borracha.
  • Na região do Mekong, centenas de novas represas e estradas, ou em planejamento, converterão o habitat dos tigres em fragmentos.
  • O tráfico de osso, pele e carne de tigre, que é ilegal, alimenta a contínua demanda do Oriente e do Sudeste Asiático.
  • Existem mais tigres vivendo em cativeiro no estado do Texas, nos Estados Unidos, do que os que vivem em liberdade no resto do mundo – e há pouca regulamentação para impedir que aqueles que ainda se encontram em liberdade terminem caindo no mercado negro.
  • A caça aos tigres e aos animais com os quais eles se alimentam, juntamente com o grande aumento da extração madeireira, tem afetado enormemente os tigres de Amur, ou tigres siberianos.
  • À medida que encolhe o habitat dos tigres, há cada vez mais conflitos entre esses animais e os seres humanos na Índia.
  • O habitat dos tigres nos manguezais de Sundarbans, em Bangladesh, pode sofrer uma redução de 96% devido às mudanças climáticas.

Desde a década de 1940, três subespécies de tigre já foram extintas e uma quarta espécie – o tigre do Sul da China – não foi vista em liberdade na natureza nos últimos 25 anos.

Desde o último Ano do Tigre, celebrado em 1998, os tigres vivem num habitat 40% menor e ocupam apenas 7% do seu espaço histórico. No entanto, os tigres se desenvolvem bem na natureza quando eles podem contar com uma proteção forte contra a caça e contra a perda de habitat e com caça suficiente para suprir sua alimentação.

“Sabemos que os tigres selvagens precisam de proteção, de um habitat seguro e de ter disponibilidade de outros animais para caçar e comer; mas tudo isso, por si só, não é suficiente para salvar os grandes felinos”, declarou Amanda Nickson, diretora do Programa de Espécies do WWF-Internacional.  “Este ano, que é o Ano do Tigre, é preciso que exista uma vontade política continuada e do mais alto nível de governo nos países onde vivem os tigres. A reunião de cúpula será a oportunidade para que esses países se comprometam com o trabalho de conservação do tigre.”

Um vislumbre de esperança

Embora o mapa mostre vários focos problemáticos, ainda há esperança para os tigres selvagens. Uma foto de uma tigresa e um de seus filhotes, obtida com uma armadilha fotográfica (máquina fotográfica acionada por movimento) em uma floresta da Malásia que sofreu excessiva extração seletiva, demonstra que os tigres são capazes de sobreviver mesmo num habitat tão alterado.

A foto mostra a tigresa, juntamente com dois filhotes, examinando uma dessas máquinas fotográficas do WWF.  Pesquisadores do WWF-Malásia que trabalham nessa área registraram essa mesma tigresa em fotos tiradas em várias ocasiões durante esses últimos anos.  Mas esta foi a primeira vez que eles viram que ela tinha dado cria.
 
As fotos, tiradas por volta de setembro de 2009, foram obtidas com uma armadilha fotográfica recuperada no mês passado.  Ela estava colocada numa cadeia montanhosa com cerca de 800 metros de altura.
 
“Isso é realmente encorajador, ver uma mãe com seu filhote”, disse Mark Rayan Darmaraj, biólogo sênior do WWF-Malásia que trabalha em campo. “Uma rara evidência fotográfica, como essa do sucesso da procriação, magnifica a importância desse habitat para a conservação do tigre na Malásia”.
Felinos na mira: enquanto a onça corre perigo no Brasil, o tigre é um dos animais mais ameaçados do mundo.
© Martin Harvey/WWF Enlarge
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