Uma única visão para a Amazônia | WWF Brasil

Uma única visão para a Amazônia

08 dezembro 2016


Por Frederico Brandão, de Cancun
 
A Amazônia com toda sua biodiversidade traz incontáveis benefícios para as pessoas, o clima e o planeta. Infelizmente, existem inúmeras ameaças que colocam em risco a sua integridade. Esse desafio motivou a REDPARQUES - Rede Técnica Latino-Americana de Diretores de Sistemas de Áreas Protegidas Nacionais, a criar em 2008 a Visão Amazônica, uma Rede que permitiria uma maior integração e conexão entre as áreas protegidas da Amazônia.
 
O objetivo da Iniciativa é estabelecer paisagens que cruzem fronteiras entre países e que contemplem várias áreas protegidas. Os avanços de sua implementação nos últimos anos e sua contribuição para o alcance das metas de Aichi foram alguns dos temas apresentados no evento paralelo Rumo ao progresso intermediário da Iniciativa Visão Amazônica, que aconteceu na tarde desta terça-feira (6/12), em Cancun, como parte da programação da Conferência das Partes (COP) 13.
 
Na ocasião foram discutidas a necessidade de se desenvolver estratégias de sustentabilidade financeira para garantir os recursos para as áreas protegidas, integrar as comunidades locais e os povos indígenas em sua gestão, e convidar os setores produtivos, como agricultura, pesca e turismo, a conhecerem o seu potencial de forma a desenvolverem uma gestão sustentável da floresta amazônica.
 
Dentre os panelistas, estiveram presentes representantes dos governos do Brasil, da Colômbia e do Peru, assim como de organizações como Onu Ambiente, FAO e da própria secretaria da Convenção de Diversidade Biológica (CDB). Desde 2013, com o apoio dessas organizações, mais o WWF, várias atividades têm sido realizadas para implementar as ações da Iniciativa alcançando importantes resultados como a Declaração sobre Áreas Protegidas e Mudanças Climáticas, lançada em dezembro de 2015, na COP 21, de Paris.
 
“A Visão é uma iniciativa inovadora pois tem gerado muita informação por meio da cooperação dos países facilitando a tomada de decisões e trazendo melhorias para a gestão dos sistemas de áreas protegidas da Amazônia”, avaliou no evento Oliver Hillel, representante da secretaria da CDB.
 
 Para Julia Miranda, diretora dos Parques Nacionais da Colômbia, é preciso estabelecer cada vez mais parcerias colaborativas entre governos, indústria, comunidades e a sociedade civil para fortalecer a Visão Amazônica. “É claro que ainda temos grandes desafios e linhas de ação para solidificar a Iniciativa até 2020. Precisamos continuar trabalhando em cooperação para o monitoramento e a gestão de conhecimento”, afirmou.
 
Segundo ela, um dos grandes desafios é trabalhar o tema da resiliência para enfrentar as ameaças, não apenas para a biodiversidade, mas também para o habitat de tantas culturas indígenas. “Não podemos nos dar o luxo de perder esse patrimônio. As mudanças climáticas podem afetar a integridade do bioma amazônico, incluindo as culturas tradicionais”, finalizou.
 
Sobre o assunto, Claudio Maretti, diretor do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), disse que as áreas protegidas são a melhor estratégia para garantir a resilência dos biomas e que não podemos conservar a Amazônia de forma isolada. “Precisamos de mais esforços bilaterias e trinacionais para proteger a biodiversidade e garantir que os serviços ecossistêmicos sejam fortalecidos”, complementou.
 
Sustentabilidade financeira
A sustentabilidade financeira das áreas protegidas é um ponto muito importante para sua gestão. Uma das atividades de grande potencial na Amazônia é o desenvolvimento do turismo sustentável. De acordo com Oliver da CDB, apesar disso, os países do REDPARQUES ainda não sabem aproveitá-lo de forma efetiva e por isso precisam estar unidos. “Temos que empoderar as comunidades locais a se tornarem os líderes de processos em suas comunidades. Alem disso, é fundamental maior integração entre governos, setores privados e sociedade civil”.
 
Atividades agroflorestais sustentáveis também foram citadas por serem fundamentais por gerarem renda mas também por gerarem um equilibrio entre a produção e a conservação. “O futuro dos setores produtivos dependem da biodiversidade. Precisamos reconciliar a viabilidade econômica da produção com a conservação do meio ambiente e do manejo sustentável dos recursos naturais”, explica Eva Muller, diretora da FAO.
 
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