Repensar nossa relação com a natureza traz benefícios para a saúde | WWF Brasil

Repensar nossa relação com a natureza traz benefícios para a saúde



13 abril 2021    
Painel sobre saúde, como parte da programação do Festival Digital Hora do Planeta 2021
© WWF Brasil
Especialistas promovem soluções transformadoras para construir um futuro mais sustentável

Por WWF-Brasil

O tema da saúde teve grande relevância na programação do 2º Festival Digital Hora do Planeta, que aconteceu no dia 27 de março. O painel “Saúde: a pandemia mostra que precisamos repensar nossa relação com a natureza” reuniu pesquisadores das áreas de biologia, saúde, ecologia e ciência para discutir a saúde do meio ambiente, dos animais e dos humanos, além de pensar em soluções para construir um futuro mais sustentável e mais saudável para todos.

Contou com a participação de Natalia Pasternak, bióloga pelo Instituto de Biociências da USP com pós-doutorado em Microbiologia, Publisher da Revista Questão de Ciência, diretora presidente do Instituto Questão de Ciência e colunista do jornal O Globo; Bebel Barros, engenheira ambiental e mestre em Conservação de Ecossistemas pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), cofundadora da Outward Bound Brasil, organização voltada para a educação por meio de aventura ao ar livre, e pesquisadora do programa Criança e Natureza do Instituto Alana; Júlia Rocha, médica, cantora, compositora, escritora, doula, colunista da UOL ECOA, ativista nas lutas antirracista e por saúde pública; e, como mediadora, Mariana Napolitano, gerente de Ciências do WWF-Brasil.
 
 

No início do debate, Mariana ressaltou a importância do engajamento da sociedade para a realização de mudanças significativas e alertou que “2021 é um ano muito importante para o futuro, pois muitas decisões que serão tomadas em várias partes do mundo vão estabelecer novas metas e compromissos para mudar nossa relação com o planeta. Mesmo com a pandemia, é hora sim de tomar atitudes transformadoras.”

Após essa reflexão, foi debatido que a ciência demonstra os benefícios do contato com a natureza, inclusive no crescimento e desenvolvimento de crianças. De acordo com Bebel, existem diversos estudos e pesquisas que abordam esse tema. Atividades como tomar sol, correr no parque, ficar ao ar livre e escalar árvores trazem benefícios ao corpo, especialmente para crianças de 7 a 9 anos, que descobrem o mundo por meio da natureza.
 
Além disso, Bebel ressalta que o “ambiente de qualidade na infância é fundamental, pois cada vez mais cresce o número de crianças com sobrepeso, hiperatividade e falta de sono” – e o contato com a natureza acalma e ajuda no desenvolvimento. O projeto TiNis, do Instituto Alana, por exemplo, tem como missão demonstrar o vínculo das crianças com a natureza mediante o cultivo de plantas e tem como parceira a modelo Gisele Bündchen. Conheça mais.

Bebel também afirma que não são necessárias ações complexas para mudar. Ela sugere que um momento do dia seja usado para uma volta no quarteirão – com todos os cuidados que o cenário atual exige. Outra forma de se conectar à natureza é assistindo à série documental Nosso Planeta, da Netflix, coproduzida pela Silverback Films em colaboração com o WWF.
 
Logo, Júlia Rocha explicou a importância de refletir sobre o conceito de saúde, sua interseção com a saúde ambiental e a desigualdade de acesso ao sistema de saúde. Ela destacou que, muitas vezes, pensamos que saúde é ter acesso a um médico, consultório ou hospital. Porém, a saúde vem muito antes: 

“Este momento histórico nos ensina que ter acesso à saúde é ter acesso aos direitos trabalhistas, à segurança pública, ao descanso, ao lazer, à aposentadoria, ao transporte público que preserva nossa liberdade. É acesso à saúde ter soberania, é poder escolher os alimentos, é não ter que se intoxicar de agrotóxicos porque esse é o único meio possível para matar a fome de uma pessoa, é ter acesso à áreas verdes dentro da cidade, ter acesso à água limpa, é democratização do acesso à terra”, aponta Júlia. 

Ela salientou também que é fundamental que cada um mude individualmente para que transformações coletivas sejam possíveis.
 
Em seguida, Natalia Pasternak fez um apelo ao debate público para que sejam promovidos os pensamentos crítico e científico e para que o conhecimento seja utilizado pelo cidadão comum e pelos tomadores de decisões de parlamentos e governo. A bióloga fez um chamado para que mudemos a nossa relação com o planeta: “se nós não aprendermos a explorar o planeta de uma forma menos predatória, vamos passar por mais dificuldades sanitárias, por mais desigualdades sociais e não vamos conseguir fazer isso de uma maneira satisfatória.”

Segundo Natalia, o cenário que vivemos e a nossa relação predatória com a natureza podem ocasionar outras crises sanitárias. O contato com possíveis reservatórios de doenças é um processo natural desde o processo de evolução, mas ela alerta que o “problema é quando nossa exploração do ambiente acaba esbarrando em reservatórios de animais que são portadores de microrganismos que podem causar doenças na gente”.

Algumas sugestões de melhorias citadas por Natalia são: criar sistemas de vigilância genômicas que ajudam a avaliar os microrganismos e vírus que podem ter um potencial pandêmico ou epidêmico; ajudar a criar alternativas biotecnológicas viáveis à criação de animais confinados e ao próprio consumo de carne; criar projetos biotecnológicos que estimulem o consumo e o desenvolvimento de carne sintética e artificial, como o projeto Impossible Burger (hambúrguer vegetal com sabor de carne), e realizar campanhas que conscientizem a população sobre o consumo de carne, entre outros.

Nós, do WWF-Brasil, fazemos um convite para que todos repensam sua relação com a natureza, pensem na saúde, no futuro e no desenvolvimento das crianças, em ações que transformam a própria casa, o bairro ou comunidades. Levar esse conhecimento para o debate público, apoiar-se no trabalho de pesquisadores que busquem soluções sustentáveis e mais humanas para que todos – pessoas e planeta – é vital para que tenhamos saúde.
 
DOE AGORA
DOE AGORA