Já ouviu falar nas PANC: Plantas Alimentícias Não Convencionais? | WWF Brasil

Já ouviu falar nas PANC: Plantas Alimentícias Não Convencionais?



17 Janeiro 2020    
A capuchinha é uma das mais de 10 mil PANC catalogadas no país
© Rayssa Coe / WWF-Brasil
De valor nutricional riquíssimo, são frutas, folhas e flores vindas de onde menos se espera

Por Taís Meireles

Muricato, maracujá-do-mato, espinafre malabar e ora-pro-nóbis são apenas alguns exemplos das chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais, ou simplesmente PANC. O nome pode parecer estranho à primeira vista, mas esses alimentos nada mais são que plantas comestíveis que surgem de forma espontânea pelo Brasil afora.

Criado pelo biólogo Valdely Kinupp, o termo PANC vem sendo cada vez mais utilizado e hoje já são mais de 10 mil espécies identificadas no país. A maioria delas está descrita no livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC).

“Alimentos padronizados pelo mercado, como tomate, alface e pimentão, apesar de comuns, são normalmente menos nutritivos que as PANC. Quem experimenta PANC experimenta novos sabores, ganha novos valores nutricionais e ainda varia o cardápio do dia a dia. Continue comendo seu tomate , alface, pimentão... Mas combine eles com uma beldroega, um ora-pro-nóbis e uma capuchinha. Viva e coma a diversidade!", comenta Vinicius Pereira, analista de conservação do WWF-Brasil.

Assim, além de serem uma ótima fonte de nutrientes, as PANC são uma forma de cada consumidor reduzir o impacto que sua alimentação tem no meio ambiente, já que o consumo das PANC (sejam elas compradas na feira, cultivadas em casa ou adquiridas por meio de CSAs) também é uma boa forma de contribuir para sistemas alimentares mais sustentáveis, já que normalmente elas são sazonais e regionais. 

Junto com parceiros locais, o WWF-Brasil vem incentivando o uso de PANC em seus trabalhos de campo. Um exemplo disso são as CSAs – Comunidades que Sustentam a Agricultura criadas no Distrito Federal e em Minas Gerais nos últimos anos por meio do Programa Água Brasil, parceria do WWF-Brasil com o Banco do Brasil, a Agência Nacional de Águas e a Fundação Banco do Brasil.

Tânia Aguiar, da CSA Paulo Freire, na bacia do Descoberto (DF), concorda e ainda acrescenta: “As PANC são extremamente importantes para a manutenção do solo, porque são ricas em vitaminas, sais minerais e fibras, além de super resistentes a pragas e doenças”.

Na CSA de Tânia são cultivados ora-pro-nóbis, azedinha, muricato, major Gomes, taioba, cúrcuma, inhame, capuchinhas, almeirão de árvore cará e vinagreira. “Apesar de ainda ser uma novidade para as pessoas, as PANC estão sendo bem aceitas e bastante consumidas” comemora.

Mas é necessário cuidado! Comer PANC não significa sair colhendo toda plantinha que surgir no caminho. É importante ler bastante a respeito e ter certeza das características do alimento para a saúde antes de ingerir.

"Você ganha o consumidor quando você mostra que elas são mais nutritivas que as hortaliças tradicionais. Por exemplo, o ora-pro-nóbis tem mais proteína que a carne. Então estou sempre estudando sobre os benefícios de cada PANC para divulgar esse potencial delas", comenta Flavio do Carmo, da CSA Gaspar Martins, que tem em sua propriedade araruta, vinagreira verde e roxa, physalis, cará e outras quatro PANC.

Pertinho de Flavio e Tânia, na bacia do Pipiripau (DF), o agricultor Robermário de Souza cultiva mais de 50 espécies de PANC diferentes e complementa: "Além do valor nutricional, as PANC tem um valor medicinal indescritível. Podem ser usadas como chás, emplastos, banhos e vários outros. Isso vem de geração para gerações, de pessoas sendo curadas pelo que vem da terra".

Conheça a seguir algumas Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC:

Peixinho

Também conhecido como lambari-da-horta, o peixinho ganhou esse nome por causa do formato das folhas. É uma planta tipicamente usada para fazer chás, mas que também pode ser empanada, servida como aperitivo. Vai bem em climas secos e é facilmente identificada pela folha, cheia de pelos.
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Capuchinha

Além de ornamentais, as flores da capuchinha são comestíveis. Podem ser amarelas, vermelhas ou laranjas e são bastante nutritivas. O sabor remete ao agrião e suas folhas também são comestíveis.

Ora-pro-nóbis

Conhecido por seu alto teor proteico, o ora-pro-nóbis já uma planta convencional em Minas Gerais, onde é muito consumida em receitas típicas da região. Suas folhas são gostosas, nutritivas e fartas. Os brotos e o fruto também são comestíveis.

Muricato

Parente do tomate e da berinjela, o muricato é uma hortaliça-fruto. Surgiu na região andina, e hoje vive bem adaptado às condições ambientais brasileiras. Seus frutos são alongados como um tomate e apresentam sabor levemente adocicado, semelhante ao do melão, por conta do teor de açúcar de até 12%.
A capuchinha é uma das mais de 10 mil PANC catalogadas no país
© Rayssa Coe / WWF-Brasil Enlarge
Vinicius Pereira, do WWF-Brasil, com a agricultora Tânia Aguiar, da CSA Paulo Freire
© Rayssa Coe / WWF-Brasil Enlarge
Flavio do Carmo é outro que tem incluído as PANC em suas cestas, na CSA Gaspar Martins, também no Descoberto
© Rayssa Coe / WWF-Brasil Enlarge
Robermário de Souza cultiva mais de 50 espécies de PANC diferentes em sua propriedade, na bacia do Pipiripau (DF)
© Rayssa Coe / WWF-Brasil Enlarge
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