WWF-Brasil apoia monitoramento de onças-pintadas no Parque Nacional de Iguaçu



06 janeiro 2015    
Onças-pintadas (Panthera onca)
© Michel GUNTHER
Em apenas 20 anos, a população de onça-pintada caiu 90% no Parque Nacional (ParNa) do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), área que protege uma riquíssima biodiversidade da fauna e flora brasileiras. Segundo o Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró–Carnívoros), que trabalha com o monitoramento da espécie no Parque, as onças-pintadas foram reduzidas de 100 indivíduos, para 20 indivíduos, em média, podendo desaparecer por completo em 80 anos.

Dentre as ameaças para garantir a espécie viva na reserva, o Instituto aponta a falta de investimentos em estrutura e fiscalização, a caça predatória e de retaliação e a possibilidade de reabertura da Estrada do Colono.

Na Mata Atlântica, a estimativa é de que existam apenas 250 onças-pintadas, maior felino do continente americano e maior predador terrestre do Brasil. A perda do habitat natural da espécie em razão do desmatamento para dar lugar a atividades agropecuárias ou pastagens nativas é crítica para o animal.

Para buscar reverter este quadro dramático, o WWF-Brasil, em parceria com a ONG Pró–Carnívoros, está trabalhando com o monitoramento da espécie no ParNa e apoiando o desenvolvimento de ações prioritárias do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Onça-pintada, especialmente  nas áreas de atuação do Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil: Serra do Mar e na região do Alto Paraná, onde está o Parque Nacional do Iguaçu.

“É inconcebível que o maior felino das Américas desapareça da Mata Atlântica”, afirma Anna Carolina Lobo, coordenadora dos programas Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil. O animal controla toda a cadeia alimentar e o equilíbrio ecológico dos ambientes onde habita. “Se for extinta, as consequências para o meio ambiente e para a população que reside no entorno do bioma serão enormes”, diz ela.

Segundo Daniel Venturi, analista de Conservação do Programa Mata Atlântica, ações de monitoramento da espécie são muito importantes para definir as estimativas populacionais, monitorar os deslocamentos dos felinos e identificar as ameaças diretas da espécie.

O uso de câmeras trap, que pode ser traduzido para “câmera armadilha”, por exemplo, é uma das metodologias mais utilizadas para o monitoramento da espécie. Trata-se de um equipamento automatizado para documentar animais selvagens.

“Atualmente, é a ferramenta mais importante para o trabalho de campo. Com essas câmeras, conseguimos monitorar as populações de onças e as de presas ao longo dos anos, e usá-las nos trabalhos de atendimento de conflito entre onças e rebanhos domésticos”, afirma Marina Xavier coordenadora de campo do Projeto Carnívoros do Iguaçu.

A expectativa dos pesquisadores é de que os resultados destas investigações forneçam subsídios para o planejamento e a implementação de medidas de manejo e conservação da onça-pintada, o que inclui ações educativas e de redução de conflitos com as comunidades do entorno e estimativas sobre a área da população mínima viável para a sustentabilidade da espécie no Corredor Tri-nacional do Iguaçu – área que conecta o Parque Nacional do Iguaçu (Brasil), o Parque Nacional de Iguazu (Argentina) e o Parque Estadual do Turvo (RS/BR).

Programa de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BES)

As ações de monitoramento da onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu estão também dentro dos objetivos do Programa de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BES), uma parceria do WWF-Brasil, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Fundación Vida Silvestre Argentina (FVSA). Juntas, as organizações trabalham por melhorias na gestão das unidades de conservação situadas na fronteira do Brasil e da Argentina.

A implementação do Programa irá apoiar a consolidação da paisagem da Mata Atlântica no coração do corredor tri-nacional da biodiversidade (Brasil, Argentina e Paraguai). O projeto irá estimular o desenvolvimento de novas oportunidades de negócios por meio da valorização da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos associados à Mata Atlântica para gerar impactos sociais e ambientais positivos e fortalecer a gestão das Unidades de Conservação.

Mata Atlântica
Pelo Programa Mata Atlântica, o WWF-Brasil trabalha pela conservação de três espécies bandeira ameaçadas de extinção, que tem como habitat natural o bioma, que são: o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) e a onça-pintada (Panthera onca).

Esta floresta tropical é uma das mais ricas e ameaçadas do planeta, com 11,7% de sua área original sobrevivendo na região mais desenvolvida e ocupada do país e reconhecida como um dos 25 locais prioritários de conservação pelo WWF ao redor do mundo. A partir desse cenário, o Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil trabalha com a missão de aliar o bem-estar humano à conservação da biodiversidade, qualidade e integridade do solo e dos recursos hídricos.
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