Restauração brasileira leva prata em concurso internacional | WWF Brasil

Restauração brasileira leva prata em concurso internacional



29 janeiro 2021    
Restauração brasileira leva prata em concurso internacional
© WWF-Brasil
Projeto do DF tem a participação de 17 instituições e mais de 200 produtores

Por Taís Meireles


O Projeto Produtor de Água no Pipiripau (DF) conquistou o segundo lugar do concurso internacional Water ChangeMaker Awards da GWP (Parceria Global pela Água, em tradução livre). Focado na restauração florestal da bacia do Pipiripau, no Distrito Federal, o projeto foi o único brasileiro entre 12 finalistas e superou 340 iniciativas de 80 países.  

Coordenado pela Adasa e com a participação de 17 instituições e mais de 200 produtores, o projeto busca minimizar conflitos causados pelo uso do recurso hídrico em uma das principais bacias hidrográficas do Centro-Oeste. A água que sai do Pipiripau abastece cerca de 200 mil pessoas e já foi um grave problema para os produtores agrícolas da região. 

“Começamos sem entender direito. Produzir água? Como assim? Da experiência individual foi para o coletivo, para o território, para o DF, para o Brasil e para o mundo. Sonho que se sonhou junto, se executou junto e hoje é uma linda realidade reconhecida internacionalmente”, comemora Fátima Cabral, uma das primeiras agricultoras que topou o desafio proposto pelo projeto. 

Rossini Sena, da Gerência de Uso Sustentável da Água e Solo da ANA (Agência Nacional de Águas), explica que a ideia do Programa Produtor de Água foi desenvolvida pela ANA em 2002. “Ele é um programa de PSA (Pagamento por Serviços Ambientais). Ou seja, foi um programa desenvolvido para que a gente conseguisse trabalhar com os produtores rurais para que eles conseguissem melhorar nas suas propriedades a quantidade e a qualidade da água e, ao mesmo tempo, a sociedade se dispusesse a pagar ao produtor rural por esse serviço que ele está oferecendo à sociedade”, diz. 

Assim, a partir do conceito criado pela ANA, em 2010, o programa foi implementado na bacia do Pipiripau pela Adasa, em parceria com a Embrapa, criando uma rede de 17 instituições parceiras e mais de 200 produtores envolvidos.  

Participação do WWF-Brasil 

Nossa atuação no projeto se deu desde a sua concepção, por meio do PAB (Programa Água Brasil), parceria do WWF-Brasil com o Banco do Brasil, a ANA e a Fundação Banco do Brasil.  

Ao longo de nove anos de PAB, entre 2010 e 2019, foram restaurados 239,4 hectares de terra na bacia do Pipiripau (DF), além de outras seis bacias hidrográficas na fase 1 (2010-2015) e três na fase 2 (2016-2019). Isso sem contar nas capacitações de todos os produtores envolvidos no projeto, mais de 50 cisternas instaladas, 10 Unidades Demonstrativas implementadas, mais de 300 mil mudas plantadas, entre outros resultados. 

“Comemorar os 10 anos do Produtor de Água com esse prêmio é uma satisfação enorme. É como coroar o árduo trabalho de todos os parceiros e, especialmente, dos produtores, que abraçaram a nossa ideia e hoje fornecem água de qualidade graças às boas práticas aprendidas e implantadas”, celebra Vinícius Pereira, analista de conservação do WWF-Brasil que atua desde o início do programa. 

O reflorestamento, além de promover a conservação ambiental, se transformou em meios de vida mais dignos para os produtores, que agora plantam em sua maioria em sistemas agroflorestais 100% orgânicos, com alimentos que vão para os co-agricultores das 17 CSA (Comunidades que Sustentam a Agricultura) da região.  

Além disso, foi criada a Aprospera (Associação dos Produtores Agroecológicos do Alto São Bartolomeu). “A gente percebe uma mudança de cultura dos produtores que participam do projeto”, comenta Miguel Sartori, coordenador de programas especiais da Adasa. 

De fato, produtores como Robermário de Souza, que coordena hoje a CSA Flor de Lótus, se sentem mais motivados. “Nós estamos resgatando essa dignidade que o produtor precisa na verdade, sabe? Então a gente fica bem inspirado em plantar. Te dá mais satisfação de estar mexendo com a terra, plantando sabendo que as pessoas vão se alimentar”, diz. 

 
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