Usar a voz pela natureza é questão de responsabilidade, diz Gilberto Gil

17 abril 2021


Live do Festival Digital Hora do Planeta reuniu o compositor, Maurício de Sousa, Ailton Krenak e Eric Terena para discutir o tema "Como podemos usar a nossa voz pela natureza"

Por WWF-Brasil 


 
"Como podemos usar a nossa voz pela natureza?". Esse foi o tema da conversa entre Gilberto Gil, Mauricio de Sousa, Ailton Krenak e Eric Marky Terena, em live mediada pelo humorista Fábio Porchat no Festival Digital Hora do Planeta. A transmissão ao vivo do evento aconteceu no sábado, 27 de março, às 18 horas.



O compositor Gilberto Gil contou que a preocupação com o meio ambiente é algo intrínseco à sua vida, assim como um sentimento de responsabilidade pela conservação da natureza. "Isso é uma coisa que já vem desde o início da minha vida cidadã. Essa ideia de que é preciso usar as nossas vozes para vocalizar essas questões todas é natural para mim porque veio crescendo ao longo da minha vida", afirmou.

Segundo Gil, ao longo da vida, à medida que a pessoa acumula mais conhecimento sobre a questão ambiental, ela acumula mais responsabilidade também. E, quando se adquire essa responsabilidade, a necessidade de usar sua voz é algo natural. "Esse lugar de fala é o de todos  na humanidade. Todo mundo fala em nome da sobrevivência da espécie humana e de todas as outras do planeta."

O quadrinista Maurício de Sousa também disse que está envolvido com a questão ambiental desde a infância, por causa do seu contato estreito com a natureza no interior. Ele tem usado sua voz pelo meio ambiente, em especial, nas historinhas do personagem Chico Bento. Segundo Maurício, o Chico Bento é uma forma de "ampliar essa mensagem ambiental para todo mundo".

"Esse caipirinha simpático está pronto para continuar com essa vidinha dele, feliz, respeitando a natureza e o meio ambiente, trazendo uma mensagem de camaradagem e amizade. E a mensagem que todos queremos ouvir: vamos cuidar da Terra", disse Maurício. "Vivi na infância perto da natureza. Nadava e pescava no rio Tietê limpo. Agora que eu tenho condições de falar sobre isso, via comunicação por personagens."

Fábio Porchat lembrou, durante a live, do papel fundamental dos povos indígenas na conservação, por protegerem 80% da biodiversidade mundial. E perguntou ao ambientalista e escritor Ailton Krenak - que é considerado uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro - como fazer com que as pessoas entendam que o povo indígena é um aliado da evolução da sociedade e da economia.
 
"Alguns povos, por sua cultura, têm uma relação intrínseca com a natureza. O seu próprio jeito de ver implica que todos somos a natureza. O serviço que esses povos fazem preservando milhões de hectares de florestas e áreas conservadas interessa também aos economistas. Eles sabem que se continuarmos a esgotar os recursos da natureza, vamos ter que lidar com os grandes prejuízos das mudanças climáticas globais", disse Krenak. "O grande perigo é sermos despachados da terra antes, por mau comportamento."
 
O idealizador da Mídia Índia e especialista em etnomídias, Eric Marky Terena, acredita que, apesar de ainda serem retratados de maneira folclórica em muitos casos pela imprensa e pela sociedade urbana, os povos indígenas são fundamentais para manter a floresta preservada. "Nosso desafio é mostrar a toda a sociedade como são importantes para o meio ambiente os modos de vida indígenas e sua forma diferente de ver a construção da sociedade, levando em consideração a proteção ambiental", disse Eric. "A Mídia Índia discute isso frequentemente e tentar recontar as histórias. Porque muitos povos indígenas não conhecem o processo histórico de colonização do Brasil e a devastação que veio depois."

Fábio Porchat lembrou também que "só existe uma Terra e nosso corpo foi feito para viver nela, fora dela somos todos alienígenas". E perguntou aos convidados se "é possível despertar essa ideia nas pessoas sem ser chato".
"Existem várias maneiras. Tem o modo intuitivo, natural - que é quando cada um vai fazendo aflorar em sua consciência essas imagens, símbolos e palavras, que vão se incorporando e a pessoa se familiariza com essa maneira de ver o mundo e atuar nele. E tem o modo do conhecimento e do ensinamento. Mas essa ideia também pode ser despertada pelos grandes desastres", disse Gil.

"Se não falarmos por nós, ninguém vai falar", disse Eric. "Os povos indígenas estão aprendendo a dominar essas novas ferramentas tecnológicas que são úteis para a sociedade entender como é importante cuidar do nosso planeta", afirmou.

"Não tem natureza separada da gente. Tudo é natureza", disse Krenak. "Os humanos foram programados para viver no planeta Terra, com essa conformação e essa anatomia. Essa perspectiva de que a Terra é a nossa casa única faz parte das cosmologias dos povos indígenas."

O festival Hora do Planeta começou as 13h (horário de Brasília) e foi até as 20h30, quando aconteceu o tradicional ato simbólico de apagar das luzes por 60 minutos em defesa do planeta. Iniciativa mundial da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas, a Hora do Planeta acontece desde 2007 e convida pessoas, empresas, comunidades e governo a apagar suas luzes pelo período de uma hora para mostrar seu apoio ao combate ao aquecimento global.
 
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