Painel discute desafios e oportunidades do ativismo digital

14 abril 2021


"Ativismo digital funciona sim" foi o tema debatido por Amanda Costa (Youth Climate Leaders), Ana Júlia Barreto (Movimento Escoteiro) e Renê Silva (Voz das Comunidades)

Por WWF-Brasil


A transmissão ao vivo do 2º Festival Digital Hora do Planeta, no sábado, 27 de março, continuou às 15 horas com o painel  "Ativistmo digital funciona sim". Com mediação da jornalista, produtora, consultora e vegana Fernanda Schimidt, editora do UOL Ecoa, os convidados da live falaram sobre como utilizar o ativismo digital para fazer a diferença e mudar o mundo.

Os participantes da live foram Amanda Costa, mobilizadora de redes do Youth Climate Leaders e empreendedora da Perifa Sustentável, Renê Silva, líder comunitário do Complexo do  Alemão, no Rio de Janeiro e editor-chefe do jornal Voz das Comunidades e Ana Júlia Barreto, estudante que, no Movimento Escoteiro, desenvolve projetos em comunicação, diversidade e desenvolvimento social.

Amanda, que também faz parte da rede Embaixadores da Juventude da ONU, contou que tem usado o ativismo digital para levar pautas socioambientais para a periferia, por meio do Periferia Sustentável. "No contexto da pandemia, tudo ficou mais desafiador. Mas encontrei uma forma de continuar impactando a minha comunidade de forma positiva, com educomunicação, por exemplo. O importante é não parar e ampliar nossas estratégias e recursos", disse.
Para Amanda, além de permitir o ativismo em tempos de pandemia, o meio digital também democratiza o debate sobre a crise climática. "Uma das minhas iniciativas para tornar esse debate menos elitizado é o podcast Direto da Base, que traz narrativas, histórias de pessoas pretas, periféricas, quilombolas, ribeirinhos e LBTGQ+. Falamos de temas como justiça climática e a questão do clima no contexto das comunidades religiosas e da política."

Ana Júlia, que é escoteira há dois anos em Salvador (BA), disse que o movimento precisou se adaptar à realidade da pandemia. "Foi complicado, mas pegamos o embalo e estamos conseguindo atuar por meio de várias ações. O ativismo digital foi fundamental para continaur engajando os jovens nessas ações", contou Ana Júlia. Entre as iniciativas, ela citou a ação anual Educação Escoteira nas escolas, que está sendo realizada no meio online, e o projeto Mensageiros da Paz.

Atividades que faziam parte do cotidiano dos escoteiros, como acampar e promover ações de plantio de árvores, se tornaram inviáveis com a pandemia, segundo Ana Júlia. "A gente fazia tudo na rua e na natureza, 80% das nossas ações eram presenciais. Mas conseguimos superar esse obstáculo, especialmente com a nossas equipes de inovação e tecnologia e de comunicação", afirmou. "Nosso acampamento nacional no ano passado teve mais de 9 mil inscritos e um impacto imenso. Conseguimos conectar todo mundo. Nosso maior aprendizado foi não lutar com o meio digital, mas usá-lo a nosso favor."

Renê, de 27 anos, criou o a o jornal Voz da Comunidade quando ainda tinha 11 anos de idade. O objetivo era levar informação de um ponto de vista humanizado aos moradores do Morro do Adeus, uma das 13 comunidades que formam o Complexo do Alemão, onde mora. Hoje, a inciativa se transformou em uma ong que está dando ajuda emergencial à população atingida pela crise da pandemia. "Temos feito esforço enorme para ajudar, com comida, as famílias que estão mais vulneráveis", contou.

Segundo René, o jornal tem tiragem de 15 mil exemplares e circula em 10 favelas cariocas. Sua página no Twitter tem quase 389 mil seguidores. "Estamos em uma favela com 180 mil habitantes e muita gente está com dificuldade para ter o básico. Com as escolas fechadas, muitas crianças estão em casa e a demanda de alimentos é ainda maior. Com o ativismo digital, conseguimos distribuir cestas básicas que tiveram um impacto muito grande."

Os três convidados concordam que, tendo acesso a uma conexão, a um celular ou um computador, o ativismo digital está ao alcance dos dedos de qualquer pessoa. "Essas ferramentas nos dão poder de ação. Sempre ao pensar em passar uma mensagem, temos que pensar sempre no público que queremos atingir e planejar uma ação para esse público, com o objetivo de conscientizar", disse. "Vejo o ativismo digital como um dos pilares do advocacy, que é o processo de influenciar um tomador de decisão", disse Amanda.

"Qualquer movimentação que se faça tomando posicionamento no meio virtual é ativismo digital. Uma pessoa não precisa participar de um movimento político, nem de uma ONG para se posicionar. Isso pode ser feito em uma página, ou até um perfil no Twitter", disse Ana Júlia. "Está ao alcance de todos. O importante é pesquisar e estudar aquele tema para se posicionar", afirmou.

"O mais importante é ter seu foco, seu objetivo. Quando se tem uma causa, independentemente da sua capacidade de atuação, a sua causa precisa ser muito forte para você, para sua vida e suas metas", disse Renê. A defesa dessa causa, segundo ele, pode ser feita constantemente nos meios virtuais. "Quando a gente topa falar em encontros, em lives, ou topa dar uma entrevista para alguém que pensa diferente da gente, temos resultados muito interessantes. O ativista digital pode contribuir através das suas próprias redes sociais, não necessariamente sendo um influenciador, mas fazendo parte desse engajamento."

O festival Hora do Planeta começou as 13h (horário de Brasília) e foi até as 20h30, quando aconteceu o tradicional ato simbólico de apagar das luzes por 60 minutos em defesa do planeta. Iniciativa mundial da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas, a Hora do Planeta acontece desde 2007 e convida pessoas, empresas, comunidades e governo a apagar suas luzes pelo período de uma hora para mostrar seu apoio ao combate ao aquecimento global.
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