Seminário discute técnicas de manejo integrado do fogo no Tocantins

01 fevereiro 2024

Protegendo o Cerrado: técnicas e avanços no manejo integrado do fogo (MIF) que apoiam a prevenção a incêndios nos tempos de seca
Por Isabella Lucena, do WWF-Brasil, de Palmas (TO) 

A temporada de seca no Cerrado representa uma ameaça constante para áreas de proteção e as comunidades rurais. O manejo integrado do fogo (MIF) surge como uma solução, consistindo em uma série de técnicas para conter incêndios e evitar a propagação descontrolada durante os períodos críticos, como nas épocas de seca. Nesse contexto, é essencial destacar a relevância do MIF no Tocantins, onde o aumento dos focos de calor tem impactos diretos nas áreas de proteção ambiental e nas comunidades rurais. O estado do Tocantins registrou aproximadamente 249 ocorrências em combate a incêndios em 2022, ocorrendo uma diminuição de 156 ocorrências em 2023. Agora com o término da seca, a prioridade é a restauração.  

Com o intuito de reforçar a necessidade da prevenção e combate aos incêndios, ocorreu em 22 de novembro o "I Seminário Estadual sobre o Manejo do Fogo Integrado", uma iniciativa promovida pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) com o apoio do WWF-Brasil. O evento reuniu representantes de diversos órgãos e especialistas no assunto, estabelecendo um marco significativo nesse esforço coletivo. Durante o encontro, os participantes destacaram a importância de aprimorar as técnicas de manejo integrado do fogo (MIF) e a urgência de aperfeiçoar as estratégias para enfrentar os desafios relacionados aos incêndios. A troca de conhecimento entre os participantes de outros estados permitiu a adaptação contínua das estratégias de manejo às condições específicas do Tocantins. 

O manejo integrado do fogo é realizado a partir de uma queima controlada. Constrói-se um aceiro e queima-se uma parte da vegetação que está começando a secar, de forma a evitar o acúmulo de biomassa que produz labaredas enormes em caso de incêndio. Essa técnica é de grande importância tendo em vista que o Cerrado é um bioma em que a dinâmica do fogo ajuda na rebrota e quebra de dormência de sementes, por exemplo. 

Segundo Erisvaldo de Oliveira, Coronel Bombeiro Militar do estado de Tocantins e Coordenador Geral do Comitê do Fogo, “Os números mostram que as queimas prescritas têm evitado grandes incêndios no período de estiagem. Esse seminário é um ponta-pé para regulamentar as queimas no estado, como prevenção”, afirmou. 

Para Leonardo Rodrigues, Tenente-Coronel Bombeiro Militar do Mato Grosso do Sul e um dos palestrantes do seminário, o MIF tem um objetivo principal, a preservação da nossa biodiversidade. “Isso porque as queimadas intensas matam muitos animais e podem comprometer habitats inteiros em médio e longo prazo. Nesse cenário, é preciso estudar os efeitos do fogo nas espécies de animais e plantas, principalmente entender como queimadas com diferentes intensidades e frequências afetam a biodiversidade das savanas”, afirma Rodrigues. 

Há também um desempenho crucial do manejo do fogo nas comunidades, pois a instrumentalização e capacitação não apenas permitem a autonomia, mas possibilita a utilização sustentável desse recurso, minimizando os impactos negativos dos incêndios. A interação com os conhecimentos tradicionais sobre o uso do fogo não apenas preserva as tradições culturais, mas também viabiliza a exploração de alternativas que se tornam passos essenciais para evitar incêndios, garantir a segurança das comunidades e preservar de forma sustentável os ambientes locais. 

Apoio à ciência 

De acordo com Julia Correa Boock, analista de Conservação do WWF-Brasil, o manejo integrado do fogo é uma ferramenta composta de várias etapas. “São processos que demandam a participação diversos atores [brigadistas, bombeiros, gestores ambientais, proprietários rurais, sociedade civil, dentre outros], onde cada um, atuando em sua esfera e com os seus conhecimentos, compõe um sistema maior, a do manejo do fogo. Quando aplicado de forma correta, o MIF contribui para a proteção da biodiversidade, da saúde humana e na redução dos gases de efeito estufa. Por isso é necessário entender e aplicar as técnicas adequadas para seu uso.” 

O WWF-Brasil, com o apoio do Naturatins, produziu uma cartilha sobre o Manejo Integrado do Fogo direcionado para os agentes das instituições que compõem o Comitê do Fogo e aos demais órgãos que atuam na prevenção e combate aos incêndios florestais. No material são explicadas as principais definições do que é fogo, a queimada, a queima prescrita, entre outros tópicos, e as etapas necessárias para obter autorizações e licenças para queima prescrita. (Baixe aqui o documento na íntegra.) 

 
 
Durante o encontro, os participantes destacaram a importância de aprimorar as técnicas de manejo integrado do fogo (MIF)
© Washington Luiz/Governo do Tocantins
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