Agenda Elétrica Sustentável 2020 - 2a. edição



06 abril 2007
Prefácio

Com os preços do petróleo e do gás natural atingindo recordes e com preocupações crescentes a respeito do futuro da oferta de energia, a segurança energética ganhou posição de destaque no debate político ao redor do planeta, inclusive no Brasil. Entretanto, não haverá nenhuma segurança energética real, caso não exista um meio ambiente estável e seguro, e tal ponto é particularmente verdadeiro quando considerado os efeitos nefastos das mudanças climáticas. Novos e mais robustos consensos científicos mostram que estaremos diante de sérios riscos, se as temperaturas globais ultrapassarem o patamar de 2ºC acima dos níveis pré-industriais. Vários povos ao redor do globo já sentiram os efeitos, mesmo com um aumento de temperaturas acima de somente 0,7ºC – tempestades mais fortes e freqüentes, derretimento de geleiras, ondas de calor e secas.

Tais eventos podem ter enormes implicações para a economia e a segurança, incluindo quebras de safra em áreas chaves da produção de alimentos, tensões interfronteiriças por causa de recursos, movimentos em massa de refugiados “ambientais”, gasto de bilhões de dólares necessários para enfrentar os  desastres naturais e a redução da energia ofertada pelas hidrelétricas. Para mitigar tais riscos, serão necessárias políticas efetivas que reduzam as mudanças climáticas antes das emissões de carbono aumentarem a tal ponto de tornar muito difícil sua reversão. Ultrapassar o patamar de 2ºC é perigoso. Todos os países precisam agir para prevenir o problema, de acordo com o princípio encontrado no Protocolo de Quioto de responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Todos sabemos que para os países industrializados, responsáveis pela maioria das emissões históricas de carbono, a responsabilidade – e em última instância, a obrigação – está clara. Para países em rápido desenvolvimento, como o Brasil, é imperativo que ações focadas na redução das emissões de carbono – ou descarbonização – não comprometam a redução da pobreza e do desenvolvimento.

Como mostramos, no estado de São Paulo, uma região do tamanho da França, altamente urbanizada e com 40 milhões de habitantes, separar desenvolvimento econômico, que atinge em média 5% de crescimento do PIB ao ano, do aumento das emissões de gases de efeito estufa, não só foi possível, como também benéfico. Isso foi resultado de um número variado de iniciativas, como o uso de etanol e incentivos ao uso de sistemas de transporte público, desenvolvidas com objetivos outros que as mudanças climáticas.

Esta publicação – produto do compromisso e esforço de uma coalizão inovadora de grupos  ambientalistas, de consumidores e da indústria, liderada pelo WWF-Brasil – é uma importante contribuição para o debate brasileiro sobre segurança energética e climática. O estudo demonstra que, com uma política mais agressiva em eficiência e implementação de mais fontes de energia renovável, como biomassa e eólica, o Brasil pode incrementar sua segurança energética, gerar milhões de postos de trabalho, enquanto contribui com os esforços globais contra as mudanças climáticas.

Este trabalho também apresenta uma proposta concreta para futuras reduções de emissões setoriais, as quais o Brasil poderia considerar em um contexto de negociações de futuras ações sobre o clima. É o tipo de proposta que o Brasil precisa para continuar e reafirmar sua liderança no combate às mudanças do clima.
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