Arara-azul: beleza ameaçada



As araras-azuis (Anodorhynchus hyacinthinus) são animais que se destacam pela beleza, tamanho e comportamento.  É a maior espécie entre os psitacídeos (papagaios, periquitos, araras, maritacas), chegando a medir um metro da ponta do bico à ponta da cauda e pesando até 1,3 kg.

São animais com hábitos que chamam a atenção. Elas gostam de voar em pares ou em grupo e nos fins de tarde, se reúnem em bandos em árvores “dormitório”. Dentre suas fontes de alimentação, estão as castanhas retiradas de cocos de duas espécies de palmeira: acuri e bocaiúva. No caso do acuri, aproveitam aqueles caídos no chão, ruminados pelo gado ou por animais silvestres. Já o coco da bocaiuva é colhido e comido diretamente no cacho.

Aos sete anos a arara-azul começa sua própria família. Os casais são fiéis e dividem as tarefas de cuidar dos filhotes. A fêmea passa a maior parte do tempo no ninho, cuidando da incubação dos ovos, enquanto o macho se responsabiliza por alimentá-la. O período de incubação dura aproximadamente 28 dias.

Os filhotes nascem frágeis e são alimentados pelos pais até os seis meses. Correm risco de vida até completarem 45 dias, pois não conseguem se defender de baratas, formigas ou outras aves que invadem o ninho. Somente com três meses de vida, quando o corpo está todo coberto por penas, se aventuram em seus primeiros vôos. Em média, a fêmea tem dois filhotes, mas em geral, só um sobrevive.

No Pantanal, 90% dos ninhos de araras-azuis são feitos no manduvi, árvore com cerne macio. Também são utilizados a ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e o angico branco (Albizia nipioides). As araras aumentam pequenas cavidades no tronco das árvores para fazer seus ninhos, que são forrados com lascas retiradas da própria árvore. Há disputa com outras espécies por ser difícil encontrar cavidades naturais.

Ameaças
Essa bela ave que encanta a todos com sua cor vibrante e som alegre e barulhento  vem sofrendo com a  destruição dos habitas e com a captura ilegal para tráfico de animais silvestres. A espécie está na lista de espécies ameaçadas de extinção devido à caça, ao comércio clandestino e à degradação de seu habitat natural por conta do desmatamento.

 
© WWF-Brasil / Cezar Corrêa
Casal de araras-azuis Anodorhynchus hyacinthinus saindo de ninho natural em angico branco. Pantanal de Miranda, MS
© WWF-Brasil / Cezar Corrêa
Os casais são fiéis e dividem as tarefas de cuidar dos filhotes. Ela passa a maior parte do tempo no ninho, cuidando da incubação dos ovos, enquanto o macho se responsabiliza por alimentá-la.

A luta pela preservação

No Mato Grosso do Sul, as aves têm um aliado importante na luta pela sua preservação: o Projeto Arara-Azul. Criado pela bióloga Neiva Guedes para salvar a espécie de extinção, o projeto teve o apoio do WWF-Brasil durante 10 anos (1998/2008).

O trabalho dos pesquisadores envolve:
  • monitoramento, recuperação e manejo dos ninhos naturais e artificiais
  • instalação de ninhos artificiais
  • observação do período de reprodução das aves e seus resultados
  • acompanhamento dos filhotes, com pesagem e coleta de sangue para exames laboratoriais e identificação genética
  • ações de educação ambiental, com palestras nas escolas da região
  • atividades com as crianças e visitantes à sede do Projeto Arara-Azul

Os pesquisadores do Instituto Arara-Azul instalaram 182 ninhos artificiais e monitora um total de 367 ninhos cadastrados em 54 fazendas, localizadas no Pantanal de Aquidauana, de Miranda, de Rio Negro, do Abobral, da Nhecolandia e do Nabileque.

O resultado é que desde 1999, o número de araras-azuis subiu de 1.500 para 5.000 no Pantanal.

Visite o site do Projeto Arara-Azul.

Curiosidades

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© WWF-Brasil / Cezar Corrêa
    A espécie ocorre em 11 estados brasileiros (AP, BA, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PI, SP, TO, AM).

    A presença da arara-azul é um importante indicador de saúde ambiental. A conservação do Pantanal passa pela sua proteção. 
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