Aruanas | WWF Brasil

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O QUE É?

A série Aruanas conta a história de uma organização da sociedade civil criada por três amigas para proteger o Meio Ambiente.

A partir de uma denúncia anônima, as protagonistas - a jornalista Natalie (Débora Falabella), a advogada Verônica (Tais Araújo), a ativista Luiza (Leandra Leal) e a estagiária Clara (Thainá Duarte) - investigam a ligação entre uma poderosa mineradora e garimpos ilegais na cidade fictícia de Cari, na Amazônia. Ali, elas entram em conflito com Olga (Camila Pitanga), uma lobista que ajuda a mineradora a explorar uma reserva ambiental, a fim de expandir o negócio.

Aruanas é uma produção Globo exclusiva para Globoplay, com coprodução Maria Farinha Filmes. Com criação e roteiro de Estela Renner e Marcos Nisti, escrito com Pedro Barros, direção artística de Carlos Manga Jr e direção geral de Estela Renner.

Além de trazer um alerta para a crise ambiental mundial, Aruanas coloca em primeiro plano os conflitos vividos no cotidiano de ativistas ambientais.

De acordo com o roteirista Marcos Nisti, "a ideia da série é falar sobre um dia a dia de ativismo que ainda não havíamos visto na TV".

O WWF-BRASIL NA AMAZÔNIA

O WWF-Brasil atua na Amazônia juntamente com governo, comunidades locais e indígenas, ONGs, setor privado e outros, para contribuir com a conservação da Amazônia e de sua singular biodiversidade, funções e serviços ecológicos.

PERGUNTAS SOBRE A SÉRIE

A atuação dos ativistas foi mostrada de maneira fiel? As questões abordadas na história correspondem mesmo aos desafios ambientais que o Brasil enfrenta? Afinal, o que é realidade e o que é ficção em Aruanas?

O garimpo ilegal ameaça mesmo o meio ambiente em áreas de florestas como a Amazônia?
Sim, na Amazônia, a garimpagem causa problemas ambientais e sociais severos, de acordo com o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A morfologia dos rios pode ser gravemente alterada pela escavação de trincheiras e labirintos. A atividade também provoca poluição por mercúrio e outros metais. Há uma estimativa de que para cada 1 kg de ouro produzido, 1,3 kg de mercúrio é emitido para o ambiente. O garimpo também causa impacto social significativo. Milhares de garimpeiros têm invadido territórios indígenas em Roraima, provocando doenças e conflitos culturais. Para piorar, o governo brasileiro, por razões econômicas, tem subsidiado a garimpagem por meio da criação de estradas para áreas de garimpo, estabelecimento de reservas garimpeiras e aumento das taxas de importação de ouro para encorajar a produção doméstica

Existem conflitos frequentes entre o garimpo ilegal e indígenas, como é mostrado em Aruanas? Ou esses casos são pontuais?
Esses conflitos existem em toda a Amazônia e estão aumentando. De acordo com um relatório recente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), há uma grande ofensiva do garimpo em invasões que atingem a área Yanomami, em Roraima; a região do Vale do Javari, no Amazonas; o entorno do Rio Tapajós e seus afluentes, no Pará; e dentro do território do povo Suruí, também em Rondônia. No município de Mâncio Lima, no Acre, indígenas isolados, que habitam a área do igarapé Tapada, estão sujeitos a garimpos do Peru. Um estudo da Fiocruz e do Instituto Socioambiental mostrou que algumas aldeias Yanomami, em Roraima - onde atuam pelo menos 5 mil garimepeiros - chegam a ter 92% dos habitantes contaminados por mercúrio. Nas décadas de 70 e 80, cerca de 30 mil garimpeiros migraram para a área do povo Yanomami, quando houve descoberta do ouro e de outros minérios na região. Cerca de 20% da população Yanomami foi exterminada nessa época, principalmente por doenças como sarampo, malária, coqueluche e gripe. Outros faleceram em conflitos armados com garimpeiros. Um estudo feito pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg) e lançado no fim de 2018 mostoru que a Amazônia vive "uma epidemia de garimpo ilegal". Foram identificados, na região, 2.312 pontos de garimpo ilegal, sendo 453 no Brasil.

Na série, as protagonistas da ONG Aruanas investigam, a partir de uma denúncia anônima, a ligação entre uma poderosa mineradora e garimpos ilegais na Amazônia. É comum que as organizações ambientais iniciem ações a partir de denúncias anônimas?
É bastante comum que uma ONG use uma denúncia anônima como ponto de partida para uma ação. É ainda mais comum para as operações da polícia e dos órgãoes de controle ambiental. Em 2017, por exemplo, 12 pessoas foram presas, após denúncia anônima, por exploração ilegal de minério na Zopna Rural de Ariquemes (RO), no Vale do Jamari. Em maio de 2018, a partir de denúncias anônimas, a Polícia Federal, o Ibama e o ICMBio desmantelaram garimpos ilegais em terras indígenas de Itaituba (PA) - foram apreendidas oito escavadeiras hidráulicas e um trator. Em fevereiro deste ano, em operação solicitada pela Funai, foram desmantelados garimpos ilegais nas terras indígenas Roosevelt e Sete de Setembro, em Rondônia. Foram apreendidas pás carregadeiras, motores, tratores de esteira e outras máquinas.

Empresas de mineração podem estar envolvidas com atividades ilegais, como mostra a série?
A cadeia produtiva da atividade de mineração é bastante complexa, envolvendo conexões entre empresas de diversos portes e atividades. As grandes empresas multinacionais de exploração de minérios têm mais visibilidade e estão mais suscetíveis à fiscalização. Mas é difícil rastrear as conexões entre os pequenos garimpos, as empresas de médio porte - muitas delas de fato exercendo atividades ilegais - e as grandes mineradoras. No ano passado, em Barcarena, no nordeste do Pará, seis empresas de extração ilegal de minérios foram interditadas, com a apreensão de várias toneladas de cobre e manganês. Pelo menos uma delas atuava com licença de operação falsificada. As empresas atuavam conectadas a um terminal logístico de cargas não autorizado. Como Barcarena é a principal porta de entrada e saída de manganês do Pará, foi preciso investigar toda a cadeia que envolve a atividade.

A personagem de Debora Falabella, Natalie, afirma que a grande mineradora lança metais tóxicos na água, na terra e no ar durante o processo de extração do ouro. Esse tipo de crime ambiental é mesmo cometido por grandes empresas?
A Constituição Federal exige que as mineradoras protejam e recuperem o meio ambiente que é degradado com a extração industrial de minérios. Para que isso seja respeitado, o governo precisa fiscalizar continuamente as atividades de mineração industrial ou de garimpo. Mas, na prática, essa fiscalização raramente é feita, especialmente no caso do trabalho de garimpeiros. Nesse contexto, o uso de mercúrio é amplamente utilizado na extração do ouro. No ano passado, um relatório do Minstério do Meio Ambiente fez um inventário da liberação do mercúrio em garimpos do Amapá, Bahia, Mato Grosso e Pará e conlcuiu que a quantidade do metal despejada no meio ambiente foi de no mínimo 18,5 toneladas, podendo chegar a 221 toneladas. Em maio de 2018, em Santa Catarina, o Ibama e a Receita Fedferal apreenderam mais de 1,7 tonelada de mercúrio. O material, proveniente da Turquia, seguiria para garimpos na Amazônia.

Na série, a reserva de Cari, onde ocorrem os conflitos ambientais, está próxima de ser legalizada. Essa situação é apenas fictícia, ou há reservas legalizadas onde a extração de minérios é feita de forma irresponsável?
A legislação atual proíbe explorar minérios em terras indígenas sem expressa autorização do Congresso Nacional, em unidades de conservação de proteção integral, em reservas extrativistas e em reservas do patrimônio natural. Nas unidades de conservação de uso sustentável, ações exploratórias precisam estar devidamente enquadradas no plano de manejo de cada uma delas. No entanto, as jazidas de minérios da Amazônia atraem as empresas, que pressionam o poder público por um redesenho das áreas protegidas e pela liberação das atividades de mineração. Hoje há pelo menos 5,6 mil processos de exploração mineral em curso para exploração de minérios em unidades de conservação e terras indígenas. A Terra Indígena Yanomami, em Roraima, é a área de proteção mais cobiçada pelas mineradoras, com 534 pedidos de pesquisa para exploração em suas terras, segundo levantamento do Instituto Socioambiental (ISA).

Uma das personagens centrais da trama é Olga, vivida por Camila Pitanga. Ambiciosa e sem escrúpulos, ela é lobista da empresa mineradora envolvida com crimes ambientais na Amazônia. Os lobistas são mesmo tão relevantes?
O lobby é uma atividade extremamente relevante para a indústria da mineração. Os lobistas atuam exercendo pressão sobre políticos e órgãos públicos para garantir que os interesses das empresas prevaleçam, eventualmente em detrimento do meio ambiente. O foco desse tipo de ação, em geral, é a liberação de empreendimentos, a modificação da leis que impõem limites à atividade mineradora, ou a ação para atrasar ou interromper a tramitação de projetos de lei desse tipo.

Os ativistas ambientais sofrem ameaças e correm riscos de morte, como é mostrado na série?
Sim, defender o meio ambiente é uma atividade de risco, especialmente na Amazônia. Um levantamento feito pela ONG Global Witness em julho do ano passado mostrou que o Brasil é o país mais letal para defensores do meio ambiente. Em 2017, foram mortos pelo menos 207 ativistas ambientais no mundo, sendo 57 no Brasil - 80% deles na Amazônia. De acordo com a ONG, "o Brasil tem sido o país mais perigoso para os defensores da terra ou do meio ambiente na última década, com uma média de 42 mortes por ano desde 2012".

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