Ajuda emergencial para o povo Xavante

Parceria entre WWF-Brasil e associação garante alimentos a indígenas que perderam tudo após queimadas em Mato Grosso

© Deijalsina Gonçalves / WWF-Brasil

 

01 de junho de 2020

 

Os Xavantes estão entre as populações indígenas brasileiras mais pressionadas pelo avanço do agronegócio na Amazônia e no Cerrado. Seus territórios estão localizados na transição entre os dois biomas, nos estados de Mato Grosso e Pará, e foram bastante impactados por incêndios florestais em 2019.

A aldeia Rainha da Paz, na Terra Indígena São Marcos, no município de Barra do Garças (MT), foi uma das mais prejudicadas. Roçados de onde os Xavantes obtinham parte de seu sustento acabaram destruídos. Nem mesmo as casas escaparam do fogo.

Para ajudar a garantir alimentos às famílias, o WWF-Brasil firmou parceria com a Associação Indígena de Proteção Social para Recuperação Ecológica (APSIRE), fornecendo recursos para a aquisição de 63 cestas básicas. Cerca de 600 pessoas vivem na aldeia Rainha da Paz, de acordo com Oscar Waraiwe, presidente da APSIRE.

Além de moradores da TI São Marcos, a parceria beneficiou aldeias localizadas nas Terras Indígenas Areões e Parabubure, também afetadas por queimadas. “Essas cestas atendem às necessidades básicas das famílias que perderam suas casas no incêndio”, explica Oscar. 

Fazendas de soja e dedicadas à pecuária exercem grande pressão no entorno dos territórios Xavantes em Mato Grosso. Por isso, Oscar acredita que os incêndios podem ter começado em propriedades vizinhas. “Nós, o povo Xavante, usamos fogo em nossas terras de cultivo, mas é controlado. Temos cuidado, essa prática vem dos nossos antepassados”, diz.

Outro problema apontado por ele é a falta de assistência do governo federal na vigilância e proteção dos territórios tradicionais. Segundo Oscar, a Fundação Nacional do Índio (Funai) está desestruturada para operar na região, deixando milhares de hectares de terras indígenas ameaçadas.

© Deijalsina Gonçalves /WWF-Brazil
© Deijalsina Gonçalves /WWF-Brazil

Os Xavantes, em geral, vivem da caça e da pesca. Mas seus meios de subsistência vêm sendo severamente afetados pela destruição das áreas naturais de floresta e dos roçados, que garantem sua segurança alimentar.

Cerca de 20% dos incêndios que atingiram terras indígenas no estado de Mato Grosso ocorreram em territórios Xavantes, aponta uma pesquisa da Associação Xavante Warã, baseada em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Entre 31 de agosto e 6 de outubro de 2019, 1.114 focos de queimadas foram registrados nas reservas Xavantes. Estima-se que pelo menos 1.800 indígenas da etnia tenham sido diretamente prejudicados pelo fogo em setembro. A TI Parabubure foi a mais castigada, com 287 ocorrências detectadas pelo INPE. Cerca de 500 pessoas foram impactadas na TI Areões, 300 na São Marcos e 1.000 na Parabubure.

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