© WWF-Brasil / Jorge Eduardo Dantas

Agricultores de Rondônia formam brigadas para combate às queimadas

Em parceria com o WWF-Brasil, Projeto Reca garante equipamentos e treinamento para que seus associados façam o combate inicial ao fogo, evitando a destruição da floresta, sua única fonte de subsistência

 
19 de novembro de 2020

 

Agricultores que integram a Associação dos Pequenos Agrossilvicultores do Projeto Reca, no estado de Rondônia, agora dispõem de capacitação técnica para atuação como brigadistas, a fim de combater e prevenir focos de queimadas. O fogo, recorrente no período seco da Amazônia, coloca em risco as áreas de plantação que garantem a essas famílias sua renda e a própria alimentação. Desde 2019, uma parceria entre o WWF-Brasil e o Projeto Reca possibilitou a doação de equipamentos de combate ao fogo e de proteção individual. 

Em outubro deste ano, 15 agricultores participaram do curso de formação de brigada, sendo capacitados para o uso mais eficaz das ferramentas e técnicas de combate a incêndio em vegetação, além de receberem noções de primeiros-socorros em caso de acidentes. Embora esteja em Rondônia, o Projeto Reca contou com uma parceria com o Corpo de Bombeiros do Acre, articulada pelo WWF-Brasil, para realizar o treinamento. 

A área onde mora a maior parte desses agricultores está numa região conhecida como Ponta do Abunã, que fica na divisa entre Acre, Amazonas e Rondônia. A associação - que funciona no modelo cooperativista - também tem entre seus sócios agricultores do município de Acrelândia, no Acre. Dois bombeiros militares do Acre ofereceram, durante todo o dia 7 de outubro, o curso de brigada na sede do Projeto Reca, no distrito de Extrema, em Porto Velho. 

Em 2020, a capital de Rondônia foi o terceiro município da Amazônia com mais registros de focos de queimadas, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre 1o de janeiro e 18 de novembro foram 3.379 focos. Em todo o estado a quantidade é de 10.812. 

E os agricultores da Ponta do Abunã sentiram diretamente os impactos do fogo. Em agosto, mês mais crítico das queimadas na região, algumas de suas propriedades foram seriamente atingidas; em algumas delas houve a perda quase completa das plantações. Eles próprios tiveram que debelar as chamas usando equipamentos doados pelo WWF-Brasil. 

A associação recebeu um total de 46 itens, incluindo dispositivos de combate ao fogo como abafadores, sopradores e bombas costais, e de proteção individual, como máscaras, capacetes, luvas e óculos de proteção. 

Fábio Vailatti, coordenador do Projeto Reca, salienta a importância da capacitação dos agricultores. “Durante as aulas fomos percebendo que, se já dominássemos aqueles conhecimentos, o trabalho (de combate às chamas) teria saído bem melhor”, afirma. A proposta inicial previa que o curso ocorresse no começo do ano, mas tudo precisou ser reprogramado por conta da pandemia. 

Agora, com os associados devidamente treinados, analisa Vailatti, o combate às queimadas no próximo “verão amazônico”, terá resultados muito mais eficazes, reduzindo os impactos não apenas nas áreas agricultáveis, como também na floresta no entorno.

© Divulgação: Projeto Reca
© Divulgação: Projeto Reca

Estima-se que, com a doação de equipamentos e a capacitação dos agricultores para o combate inicial ao fogo, o projeto vá beneficiar mais de mil pessoas diretamente e outras 2 mil indiretamente, em uma área de cerca de 12 mil hectares.

“Este trabalho faz parte de um fundo emergencial dedicado à resposta a incêndios florestais na Amazônia. É um dos mais de 30 projetos que apoiamos”, diz Osvaldo Gajardo, analista sênior de Conservação do WWF-Brasil. 

Segundo ele, a parceria com o Projeto Reca tem uma importância fundamental para a região porque prevê o fortalecimento de competências locais para o combate inicial das queimadas e incêndios florestais. “Articulamos o treinamento dessas famílias junto aos bombeiros do Acre, para que eles estejam aptos ao combate inicial, com equipamentos adequados”, diz Gajardo. 

O analista do WWF-Brasil destaca que são as comunidades locais que conseguem identificar um foco de fogo no início e, se tiverem capacidade de dar uma resposta rápida, as chances de evitar que ele vire um incêndio são bem maiores. “Quando um incêndio atinge grandes proporções, é preciso acionar os bombeiros, aviões e até o Exército – e a dificuldade de controle é muito maior”, afirma.

A capacitação também ajuda na implementação de instrumentos de prevenção aos incêndios, como o manejo do fogo nas áreas de plantação e a instalação de aceiros para garantir a preservação da produção.

“Acreditamos que, no atual contexto de aquecimento global, esses incêndios serão cada vez mais recorrentes. Por isso, ter brigadas comunitárias preparadas para uma primeira resposta é também um importante elemento de adaptação às mudanças climáticas”, declara Gajardo.