Ameaças ambientais lideram ranking de riscos globais para os próximos 10 anos



12 janeiro 2022    
Fogo no Mato Grosso
O aumento da seca contribui para que as queimadas - que muitas vezes são intencionais - se alastrem com mais rapidez, provocando grandes desastres.
© Luiz Fernandes
Para o diretor-geral do WWF Internacional, Marco Lambertini, futuro depende de clima estável e natureza saudável

Por WWF-Brasil

As três maiores ameaças que a humanidade enfrentará nos próximos 10 anos envolvem questões ambientais, de acordo com o novo Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial, lançado na terça-feira (11). O "fracasso nas ações para combater a mudança climática", "eventos climáticos extremos" e "perda de biodiversidade" são os três principais riscos apontados pelo relatório.
 
No ranking dos 10 riscos mais graves, cinco são ambientais. 
 
O relatório, publicado anualmente, norteará as discussões do Fórum Econômico Mundial, que será realizado em Davos, na Suíça entre 17 e 21 de janeiro. A pesquisa é feita com mais de mil líderes mundiais que representam empresas, governos e organizações globais. No novo relatório, as questões climáticas lideram o ranking de maiores preocupações nos três horizontes de tempo do levantamento - curto, médio e longo prazos. 
 
Em curto prazo (de zero a dois anos), a principal preocupação dos entrevistados é o clima extremo. No médio prazo (de dois a cinco anos) e no longo prazo (cinco a dez anos), a maior ameaça apontada pelos líderes globais é o iminente fracasso nas ações para evitar as mudanças climáticas.
 
Além do fracasso da ação climática, do clima externo e da perda da biodiversidade, o "top 10" dos riscos a longo prazo inclui mais duas ameaças que envolvem sustentabilidade: os danos ambientais produzidos pela humanidade e a crise dos recursos naturais. As outras ameaças citadas são a erosão da coesão social, crise de subsistência, as doenças infecciosas, confrontos geoeconômicos e crise financeira.
 
De acordo com Marco Lambertini, diretor-geral do WWF Internacional, o relatório revela que as lideranças econômicas e os gestores públicos finalmente estão acordando para os riscos concretos representados pelas mudanças climáticas e pela perda de biodiversidade.
 
"Esse é o resultado de um 'eco-despertar'. E é por isso que as manchetes e as mídias sociais estão rotineiramente dominadas por histórias sobre queimadas, secas, clima extremo, escassez de recursos, perda de vida selvagem e, claro, a pandemia global em curso", disse Lambertini.
 
Segundo o diretor-geral da organização, enquanto os líderes mundiais se preparam para participar da Conferência da Convenção da Biodiversidade da ONU, que será realizada em abril deste ano na China, é fundamental que atuem diante das preocupações da sociedade e que finalmente "liguem os pontos" entre a crise climática, a destruição da natureza e o atual modelo de produção e consumo.
 
"Eles também devem atuar na prevenção de pandemias, adotando a abordagem One Health, que reconhece que a saúde humana está estreitamente ligada à saúde dos animais e do meio ambiente", disse Lambertini. 
 
"Finalmente estamos começando a entender que só garantindo um clima estável e um mundo com a natureza saudável nós vamos ser capazes de construir para a humanidade um futuro mais seguro, mais próspero e com mais equidade. Agora é a hora para se comprometer e agir."

Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 25 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática. Site: wwf.org.br/doe
Fogo no Mato Grosso
O aumento da seca contribui para que as queimadas - que muitas vezes são intencionais - se alastrem com mais rapidez, provocando grandes desastres.
© Luiz Fernandes Enlarge
Segundo o relatório, "eventos climáticos extremos", como as secas, estão entre as três principais ameaças para a humanidade para os próximos dez anos.
© Glauco Kimura de Freitas/WWF-Brasil Enlarge
A tartaruga-de-pente é uma das espécies brasileiras ameaçadas pelos efeitos do aquecimento global. Perda de biodiversidade é um dos riscos apontados pelo Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial 2022
© Nils Aukan / WWF Enlarge
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