Alter do Chão: mentiras continuam sendo disseminadas nas redes sociais | WWF Brasil

Alter do Chão: mentiras continuam sendo disseminadas nas redes sociais



01 fevereiro 2021    
A Brigada de Alter do Chão é composta de voluntários da região
© Brigada de Alter / WWF-Brasil
Por WWF-Brasil

Em fevereiro de 2021, ainda circula nas redes sociais um vídeo acusando os quatro voluntários da Brigada de Alter do Chão de incendiarem a floresta na região em que atuavam e de o fazerem para comercializar imagens com o WWF-Brasil, embora o caso já tenha sido esclarecido há mais de seis meses. O vídeo, editado, reúne trechos de entrevista de integrante da Polícia Civil feita antes da conclusão das investigações, dando a entender que a informação é recente e de que a acusação procede –-em um claro exemplo de como funcionam mentiras disfarçadas de notícia, as fake news.

A propagação de vídeos e postagens difamatórias mais de um ano após os fatos demonstra má fé por parte daqueles que pretendem sujar o nome dos protetores da floresta, como a Brigada de Alter e o WWF-Brasil. Tiradas de seu contexto original, o vídeo atualmente é um instrumento de difamação e, serve apenas como instrumento de desinformação, visando atingir a imagem, reputação e a honra dos envolvidos.

Uma investigação da Polícia Federal, concluída em agosto de 2020, descartou a participação dos quatro voluntários  no incêndio que deu origem ao inquérito da Polícia Civil. Peritos da PF usaram imagens de satélite e descobriram que o incêndio foi iniciado a quilômetros de distância do ponto descrito por órgãos do estado do Pará. Em dezembro de 2020, o juiz  Alexandre Rizzi liberou os quatro homens de medidas cautelares que haviam substituído a prisão em novembro de 2019. O inquérito da Polícia Civil não avançou, mas segue aberto.

Importante ressaltar que o WWF-Brasil nunca foi procurado pelos órgãos de polícia para se manifestar em razão dos acontecimentos de novembro de 2019, não tendo sido investigado ou indiciado, tampouco processado em ação judicial que questione esses fatos. Ainda assim, por ocasião da deflagração da investigação, o WWF-Brasil se posicionou repudiando os ataques a seus parceiros e as mentiras envolvendo o seu nome.


O vídeo que circula nas redes sociais, por sua vez, remonta a 2019. Em 26 de novembro de 2019, os quatro voluntários da Brigada de Alter foram presos pela Polícia Civil do Pará e acusados –sem provas– de incêndio criminoso. O inquérito se mostrou inconsistente, não tendo avançado com quaisquer indícios ou provas contra os brigadistas. Dois dias após o espetáculo midiático, os quatro homens foram libertados, e o delegado responsável, José Humberto Melo Jr., foi substituído pelo diretor da Delegacia Especializada em Meio Ambiente, Waldir Freire Cardoso.

A forma como esse caso vem sendo conduzido é extremamente preocupante do ponto de vista da democracia. Apesar do alarde feito pelas autoridades locais na época, as investigações da Polícia Civil não avançaram.

A Polícia Federal, que também investigou o caso, pediu o arquivamento do inquérito porque concluiu que não existe nenhum elemento que comprove a participação dos brigadistas. Peritos da PF usaram imagens de satélite e descobriram que o incêndio foi iniciado a quilômetros de distância do ponto descrito por órgãos do estado do Pará.

Nos momentos críticos de dramático avanço das queimadas na Amazônia, o WWF-Brasil concentrou seus esforços no apoio a entidades locais envolvidas no combate ao fogo e defesa dos territórios indígenas e outras áreas protegidas. Recursos recebidos numa rede de solidariedade global foram repassados a organizações locais. Desde agosto de 2019, nossos projetos já atingiram mais de 93 milhões de hectares de terras –uma área equivalente a mais de 18% da Amazônia Legal e maior do que a soma dos territórios da França, do Reino Unido e da Dinamarca.

Para a realização desse trabalho, foram firmadas parcerias com 23 organizações da sociedade civil e com nove órgãos de governos, como a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amazonas, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Acre e a Polícia Ambiental do Acre. As ações, que foram realizadas em 135 terras indígenas e unidades de conservação, beneficiaram diretamente mais de 69,9 mil pessoas e, indiretamente, mais de 3,7 milhões. Foram doados mais de 7 mil equipamentos e realizados 54 treinamentos, cursos, oficinas e assembleias com mais de 2,9 mil participantes. Conheça mais sobre o nosso trabalho aqui.

Entre os contratos firmados esteve o de Parceria Técnico-Financeira com o Instituto Aquífero Alter do Chão, no valor de R$ 70.654,36, para aquisição de equipamentos como drone, GPS, rastelos e enxadas –contrato que foi encerrado em março de 2020 tendo a prestação de contas sido entregue e aprovada. Mais uma vez: o WWF-Brasil não comprou fotos dos brigadistas e nem recebeu doação do ator Leonardo DiCaprio.
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