Pacto lança desafio para restaurar mais 1 milhão de hectares de Mata Atlântica, até 2025 | WWF Brasil

Pacto lança desafio para restaurar mais 1 milhão de hectares de Mata Atlântica, até 2025



07 Dezembro 2019    
Tilha do Carmo no Parque Estadual Intervales, São Paulo.
No bioma Mata Atlântica, até junho de 2010, foram criadas quatro novas unidades de conservação e uma já existente teve sua extensão ampliada, ao todo 65 mil hectares.
© © WWF-Brazil / Adriano Gambarini

Organizações-membro do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica anunciaram hoje que pretendem promover a recomposição de mais 1 milhão de hectares de mata nativa até 2025. O desafio foi apresentado por representantes dos 300 membros do movimento, que celebraram, em Belo Horizonte (MG), os 10 anos da iniciativa. 

 

A área que se espera recompor, ao longo dos próximos cinco anos, equivale a quase duas vezes a do Distrito Federal. Em 15 anos de movimento, o resultado acumulado será de 2 milhões de hectares de cobertura florestal recuperada no bioma.

 

Lançado em 2009, o movimento identificou, este ano, que já existem cerca de 740 mil hectares de mata em diferentes estágios de restauração, em todo o bioma. Até o ano que vem, as organizações esperam confirmar que esse número já esteja próximo de 1 milhão de hectares, com um estoque de, pelo menos, 30 milhões de toneladas de carbono.


“Esperamos anunciar o alcance de 1 milhão de hectares em 2020 e mais 1 milhão até 2025, acelerando o processo e concretizando uma contribuição efetiva do Brasil para o combate ao aquecimento global, com recuperação da biodiversidade e das paisagens florestais”, explica Renato Crouzeilles, pesquisador e associado do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), membro do Pacto.

Composto por ONGs, como o WWF-Brasil, institutos de pesquisa, empresas, órgãos públicos e proprietários de terra, o Pacto Mata Atlântica é formado por unidades regionais, sendo o maior esforço coletivo para restauração de um bioma na América Latina. Para alcançar suas metas, no entanto, precisará contar com a participação dos mais de 140 milhões de brasileiros que vivem na área original da floresta atlântica.

“Precisaremos promover mais sensibilização e comunicação para demonstrar que a restauração traz benefícios para todos os setores da sociedade, incluindo agronegócio, indústria e turismo, além de melhorar a qualidade de vida da população urbana e rural”, diz Crouzeilles. 

 

“Não queremos a recuperação apenas por obrigação das leis, que existem, mas pelo reconhecimento dos benefícios para a economia e a produtividade rural”, completa. 

 

Resguardada pela Lei da Mata Atlântica e também pela Lei de Proteção da Vegetação Nativa, a recuperação de margens de rios, reservas legais, áreas de preservação permanente e outras áreas desmatadas ilegalmente tem também um grande potencial econômico. Envolvendo redes de coletores de sementes, viveiros de mudas e profissionais comprometidos com a restauração da floresta, a atividade gera trabalho e renda, melhorando os indicadores sociais nas regiões onde ocorre. 

 

Para acompanhar o andamento das atividades de restauração, o Pacto também lançou, o seu sistema de monitoramento online. A ferramenta, construída em parceria com o MapBiomas, permite a visualização dos locais de projetos e áreas em processo de recuperação no bioma Mata Atlântica, além dos viveiros e remanescentes florestais existentes. Atualmente, o mapa aponta 37 mil hectares de projetos em processo de restauração cadastrados e validados. 
 

Segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica, também membro do Pacto, o bioma abrange cerca de 15% do território nacional, em 17 estados, sendo lar de 72% dos brasileiros e concentrando 70% do PIB nacional. Restam apenas 12,4% da floresta da qual dependem serviços essenciais como abastecimento de água, regulação do clima, agricultura, pesca, energia elétrica e turismo. 
 

Compromissos internacionais
A divulgação das metas para 2025 também faz parte do movimento #6D Its Now, que aproveita a realização da 25a COP do Clima, em Madrid, esta semana, para promover ações concretas contra as mudanças climáticas. 

Por isso, nos próximos dias, membros do Pacto, como o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), de Pernambuco, o Grupo Ambiental Natureza Bela, da Bahia, e a Associação Ambientalista Copaíba, de São Paulo, promoverão o plantio de cerca 5 mil mudas, contemplando mais de 60 espécies da Mata Atlântica. 

 

Ações de restauração de ecossistemas como essa são um dos compromissos assumidos pelo Brasil junto à comunidade internacional para limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Entre as ações voluntárias a serem conduzidas pelo país para colaborar com o esforço global de combate ao aquecimento está a restauração de 12 milhões de hectares de ecossistemas naturais, até 2025. 

 

“É um momento de importância estratégica muito grande, porque marca o vínculo com as agendas internacionais, como o Desafio de Bonn e os compromissos climáticos do Acordo de Paris, que têm uma ligação estreita com os processos de restauração, principalmente do bioma Mata Atlântica”, comenta Thiago Metzker, diretor-presidente do Instituto Bem Ambiental (IBAM), membro do Pacto. 

 

Entre os seis principais biomas brasileiros, a Mata Atlântica deve ser o que receberá mais ações para viabilizar o alcance de cerca de metade da meta nacional, totalizando aproximadamente 5 milhões de hectares restaurados no período. A área é pouco maior que o estado do Rio de Janeiro. 

 

Os ambiciosos objetivos nacionais foram reforçados quando o país aceitou o Desafio de Bonn, em 2011, ano em que foi projetada a restauração de 150 milhões de hectares de ecossistemas nativos até 2020, em todo o mundo. 

 

Para cumprir esses compromissos, o Estado brasileiro criou a Política Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa, em 2015, que estrutura as ações de restauração, visando estimular e garantir a efetividade e verificação dos resultados em campo, em larga escala.

 

As articulações internacionais serão impulsionadas nos próximos anos pela Década da Restauração, declarada de 2021 a 2030, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê a ampliação dos esforços de recuperação de ecossistemas terrestres e marinhos que se encontram em estágios críticos de degradação.


10 anos apoiando a restauração

Formado inicialmente por especialistas em restauração florestal, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica priorizou o desenvolvimento e validação de metodologias, como forma de garantir a efetividade das ações, por meio de plantio de mudas ou regeneração natural acompanhada, entre outras técnicas.

 

“O Pacto construiu a governança e as ferramentas necessárias para estabelecer as bases do movimento, avançando em questões importantes, como o referencial teórico, o protocolo de monitoramento e um banco de dados de áreas que deram a consistência e a unificação do movimento”, explica Ludmila Pugliese, Coordenadora Nacional do Pacto e sócia-fundadora da KAWA Estratégias Sustentáveis.

 

Os estudos permitiram a identificação dos custos e técnicas para promover a restauração da forma mais eficiente, empregando cuidados simples ou integrados para o crescimento de espécies como pau-brasil, grumixama, ipê e jequitibá.

 

“Nos próximos 5 anos, esperamos continuar a fortalecer ainda mais nossa incidência política e expandir os nossos resultados, por meio das unidades regionais, ampliando as áreas recuperadas e engajando outros atores nessa cadeia da restauração”, projeta Pugliese. 

 

Raízes do Pacto

O objetivo de longo prazo do Pacto é restaurar 15 milhões de hectares de mata nativa até 2050, recuperando áreas identificadas como degradadas ou com baixa aptidão para agropecuária. 

 

Para o sucesso das ações e redução dos custos envolvidos neste processo, foi desenvolvido o ‘Referencial Teórico sobre Restauração Ecológica da Mata Atlântica’. Elaborado pelo Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF) da ESALQ/USP, documento que contém metodologias e informações técnicas sobre reflorestamento, apoiando o engajamento de atores importantes para o alcance das metas.

 

O Conselho de Coordenação do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica é formado por: ABRAMPA - Associação Brasileira do Ministério Público do Meio Ambiente, Associações e colegiados Rede de ONGs da Mata Atlântica, LASTROP - Laboratório de Silvicultura Tropical, LEPaC - Laboratório de Ecologia da Paisagem e Conservação, CEPAN - Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste, AES TIETE ENERGIA S/A, ARCPLAN SS Ltda, Florestal Maarin Ltda, KAWA Estratégias Sustentáveis Ltda, MADASCHI PERIGO E SOUZA LTDA, Mudas Florestais Camará, Nativus Sementes, Sig Ambiental, Sucupira Agroflorestal, Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Fundação SOS Mata Atlântica, IBAM - Instituto Bem Ambiental, Instituto ÇaraKura, IIS - Instituto Internacional para Sustentabilidade, ISA - Instituto Socioambiental, Mater Natura - Instituto de Estudos Ambientais, TNC - Instituto de Conservação Ambiental The Nature Conservancy Brasil, WeForest e WRI Brasil.

 

A restauração florestal traz vários benefícios para a biodiversidade e para a sociedade, entre eles: o aumento de conectividade entre os remanescentes florestais, viabilizando a troca genética e assim a proteção da biodiversidade; a regulação do clima e a mitigação dos efeitos de gases estufa; a proteção hídrica por meio das matas ciliares que filtram sedimentos e poluentes; a proteção do solo, minimizando a erosão e a sua degradação; além de garantir o fornecimento de diversos produtos, como madeiras, plantas medicinais e outros.

Tilha do Carmo no Parque Estadual Intervales, São Paulo.
No bioma Mata Atlântica, até junho de 2010, foram criadas quatro novas unidades de conservação e uma já existente teve sua extensão ampliada, ao todo 65 mil hectares.
© © WWF-Brazil / Adriano Gambarini Enlarge
Estação ecológica, Juréia-Itatins, Mata Atlântica.
© WWF-Brasil/Adriano Gambarini Enlarge
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