Desmatamento da Amazônia tem queda histórica

06 dezembro 2011

Governos e sociedade precisam de mão firme permanente para que esse tipo de avanço se consolide e se perpetue
Os números anunciados esta semana pelo Governo Brasileiro apontam que o desmatamento anual na Amazônia chegou às menores taxas desde 1988, quando começou o monitoramento por satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre a região.

Pelos dados oficiais, a floresta encolheu em 6.238 quilômetros quadrados entre agosto de 2010 e julho de 2011, perfazendo uma queda de 11,7% sobre o período anterior. Os estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia lideram as perdas de vegetação

O sistema observa desflorestamentos em áreas de até 6,25 hectares. A margem de erro da medição é de mais ou menos 10%. Os números mais precisos serão divulgados em meados do próximo ano.

Para o Governo Brasileiro, os números demonstrariam que o Brasil está cumprindo com as metas para redução do desmatamento assumidas na Conferência do Clima de Copenhagen (2009). Conforme essas diretrizes, a redução deve ser de 80% do desmatamento, até 2020. Reforço em fiscalização, inclusive com apoio das Forças Armadas, teria sido um dos alicerces na queda das taxas de desmatamento.

"Essa conquista representa uma vitória forte e mostra que fomos capazes de responder prontamente ao aumento do desmatamento ilegal na região amazônica no início de 2011", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante coletiva à imprensa no Palácio do Planalto.

Para o WWF-Brasil, conter o desmate em um dos maiores remanescentes de floresta tropical do planeta é sempre positivo, e todos os envolvidos nesta conquista estão de parabéns.  "Mas governos e sociedade precisam manter mão firme permanente para que esse tipo de avanço se consolide e se perpetue", ponderou Maria Cecília Wey de Brito, secretária Geral do WWF-Brasil.

Além disso, lembra Maria Cecília, o Brasil precisa colocar na balança que alterações inconseqüentes no Código Florestal, como as propostas que tramitam no Congresso, podem colocar a perder o cumprimento das metas climáticas e de conservação da biodiversidade assumidas pelo país.

“Conservar a Amazônia é estratégico para o Brasil e para o mundo, mas a floresta não sobreviverá sozinha. Outras regiões do país, como o Cerrado, ainda são alvo de modelos equivocados de desenvolvimento. As políticas e ações conservacionistas brasileiras precisam ser mais horizontais, atingir o país como um todo”, ressaltou Maria Cecília.
Desmatamento em baixa na Amazônia
© Zig KOCH
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