2 de Fevereiro - Dia Mundial das Zonas Úmidas



02 fevereiro 2006
As zonas úmidas são complexos ecossistemas que englobam desde as áreas marinhas e costeiras até as continentais e as artificiais. Alguns exemplos são os lagos, manguezais, pântanos e também áreas irrigadas para agricultura, reservatórios de hidrelétricas etc. Ao todo são classificados 42 diferentes tipos de zonas úmidas.

A definição do conceito de zona úmida surgiu na Convenção de Ramsar. O tratado intergovernamental celebrado no Irã, em 1971, marcou o início das ações nacionais e internacionais para o conservação e o uso sustentável das zonas úmidas e de seus recursos naturais. Atualmente, 150 países são signatários do tratado, incluindo o Brasil. A convenção também classificou zonas úmidas de importância mundial, os chamados Sítios Ramsar. Existem 1.556 Sítios Ramsar reconhecidos mundialmente por suas características, biodiversidade e importância estratégica para as populações locais, totalizando 129.661.722 hectares.

O potencial das áreas úmidas brasileiras

O Brasil possui a maior zona úmida continental do planeta, o Pantanal, com 148.000 km² e imensa biodiversidade. O bioma foi decretado Patrimônio Nacional, pela Constituição de 1988, e Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera, pelas Nações Unidas, em 2000.

Além do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (MT), o Brasil possui outras 7 áreas classificadas como Sítios Ramsar: Estação Ecológica Mamirauá (AM), Ilha do Bananal (TO), Reentrâncias Maranhenses (MA), Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense (MA), Parque Estadual Marinho do Parcel de Manoel Luz (MA), Lagoa do Peixe (RS) e a Reserva Particular do Patrimônio Natural SESC Pantanal (MT).

Segundo o Relatório do Valor Econômico das Zonas Úmidas Mundiais, produzido pelo WWF, os bens e serviços ambientais proporcionados pelo Pantanal alcançam 15,644 milhões de dólares, distribuídos entre suprimento de água, regulação do clima, formação do solo, polinização, controle biológico, habitats, produção de alimentos, recursos genéticos, entre outros. Além disso, o suprimento de água é uma das principais funções de zonas úmidas, que podem ser vistas como mais uma fonte desse recurso tão valioso.

A ocupação do Pantanal por europeus e seus descendentes foi iniciada no século 18 com a introdução da pecuária na região. A atividade econômica tornou-se a mais significativa e se estende do planalto das bordas da bacia até a planície alagável. Com um rebanho estimado em 16 milhões de cabeças de gado, ela estabelece o padrão de ocupação do espaço geográfico e determina a cultura pantaneira, além de muitos dos impactos ambientais na região. Desmatamento, queimadas e assoreamento de rios são alguns dos problemas relacionados com a atividade, quando a mesma não é praticada com responsabilidade.

Ameaças às regiões

Nas últimas décadas, aumentou a pressão pela instalação de projetos de desenvolvimento com sérios impactos ao meio ambiente, entre eles, a instalação de hidrelétricas nas cabeceiras dos rios, a construção de hidrovia no rio Paraguai, a monocultura da cana-de-açúcar e da soja e a contaminação de solos e recursos hídricos com insumos agrícolas.

O WWF-Brasil, por meio do Programa Pantanal para Sempre, contribui para a preservação da região ao incentivar a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) em toda a bacia do Pantanal, proteger animais silvestres, apoiar iniciativas econômicas ecologicamente corretas e promover o uso racional dos recursos naturais renováveis, o turismo responsável e a educação ambiental.

Ações do WWF-Brasil

Pecuária Orgânica - Uma característica importante do Pantanal é que 95% de sua área pertencem a proprietários particulares, com 65% da atividade econômica baseada na pecuária.

A pecuária orgânica certificada é uma alternativa produtiva que contribui com a sustentabilidade ambiental da Bacia Pantaneira. Incentivar a pecuária orgânica é incentivar práticas produtivas de baixo impacto ambiental, pois esse sistema de produção busca o equilíbrio ecológico. Na pecuária orgânica é permitida apenas a adubação verde, ou seja, sem uso de produtos químicos ou sintéticos. Também não se usa uréia, para evitar a contaminação dos lençóis freáticos. O tratamento veterinário é feito com produtos fitoterápicos e homeopáticos e a vacinação é obrigatória. O uso do fogo para manejar as pastagens é proibido e a
legislação ambiental, cumprida.

Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) - No Pantanal a maior parte das terras são propriedades privadas. Daí a importância de se incentivar e apoiar a criação de reservas particulares. Foram iniciados os processos de homologação de 8 novas RPPNs na Bacia do Rio Sepotuba (MT), representando aproximadamente 5.000 ha em áreas que serão preservadas permanentemente.

Projeto Arara Azul - O projeto de conservação da espécie Arara Azul (Anodorhynchus hyacinthinus) vem sendo desenvolvido no Pantanal com o apoio do WWF-Brasil desde outubro de 1999. O projeto já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Prêmio Ambiental Von Martius 2004, concedido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil – Alemanha, e o Prêmio Eco Cidadão 2004.

Apesar do número de indivíduos ter aumentado de 1.500, em 1999, para 5.000, em 2005, ainda não há garantia de sustentabilidade da espécie devido, principalmente, à baixa taxa de natalidade. O período reprodução é curto e o de incubação das araras azuis varia de 28 a 30 dias, época que os ninhos precisam ser intensamente vigiados para evitar predação dos ovos. Outra característica da Arara Azul é que a maioria dos ninhos é feita em manduvi (Sterculia apetala), árvore que corre risco de extinção por causa dos desmatamentos.

Além do WWF-Brasil, também são parceiros do Projeto Arara Azul a Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal (Uniderp), a Toyota do Brasil e a Estância Caiman, entre outros.
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