Fogo castiga o Cerrado | WWF Brasil

Fogo castiga o Cerrado



23 Outubro 2017    
O incêndio começou na última terça-feira (17) com dois focos na região do Pouso Alto e nas proximidades do Rio Preto, mas se alastrou e já atingiu 35 mil hectares da UC
© Divulgação
Por Letícia Campos

Segunda-feira, 23 de outubro, e a notícia é triste para o Cerrado: mais de 35 mil hectares (14,6%) do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foram consumidos pelo fogo. O incêndio começou a atingir a unidade de conservação na última terça-feira (17), na região do Pouso Alto e nas proximidades do Rio Preto, mas as chamas seguiram descontroladas pela Serra da Boa Vista, Baleia, Lageado, Rio preto, Pouso Alto, entre outros pontos, apresentando danos à fauna, flora e risco para a população que vive no entorno.

Informações oficiais afirmam que os focos de incêndio foram causados por ações do homem, pessoas que utilizaram o fogo para o manejo da terra, implantar roça, lixo ou que colocaram propositalmente.

Júlio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, explica que apesar da seca no Cerrado ser comum, o que se percebe nos últimos tempos é que ela tem sido mais severa, fazendo com que o uso do fogo, nessa época do ano, se configure como um grave problema.

“O índice de umidade do ar está muito baixo e o calor intenso, o que serve de combustível para o avanço rápido do fogo, provocando cada vez mais a catástrofe das queimadas nas florestas no Brasil e no mundo, a exemplo do que ocorreu em Portugal e na Área de Proteção Ambiental (APA) Cavernas do Peruaçu, que teve uma área de mais de 600 hectares queimadas”, comenta Sampaio.

O fato pode também estar relacionado com as mudanças climáticas. Um estudo sobre o Índice de Vulnerabilidade aos Desastres Naturais relacionados às Secas (IVDNS) no contexto das mudanças do clima, produzido pelo WWF-Brasil, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Integração, evidencia que as secas e estiagens representam a categoria de desastres naturais com maior registro de ocorrências no país, representando cerca de 70% dos municípios atingidos por algum desastre em 2013. Isso significa que 12 milhões de pessoas foram afetadas pela seca nesse ano.

No Cerrado, as projeções de aumento na temperatura até 2040 é de mais de um grau Celsius, com consequências de maior exposição a meses secos e aumento no índice de incêndios.

No entanto, esse cenário futuro, já existe e é real. No mês de setembro, somente no Cerrado foram 41.514 focos de fogo, contra 13.944 no mesmo período do ano anterior, um número quase três vezes maior. Agora em outubro já são 9.374 focos até meados do mês, tendo todo o outubro de 2016 registrado 9.692 focos. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Sampaio destaca que “é fundamental aumentar as ações de adaptação ao clima, promover medidas mais eficientes de fiscalização, investir no manejo do fogo e desenvolver ações de educação ambiental nos próximos anos de maneira a mitigar incêndios e queimadas que podem levar a morte de vidas de animais, árvores e pessoas”.

O WWF-Brasil se solidariza a mais de 200 pessoas envolvidas na operação de apagar o fogo da Chapada dos Veadeiros, que está sendo conduzida pela Coordenação de Combate e Prevenção de Incêndios do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com o apoio de brigadistas do Parque Nacional do Itatiaia (RJ), do Grupo Ambiental do Torto (GAT), da Estação Ecológica da Serra Geral (TO), bombeiros de Goiás e do Distrito Federal, além de três helicópteros e quatro aviões.
O incêndio começou na última terça-feira (17) com dois focos na região do Pouso Alto e nas proximidades do Rio Preto, mas se alastrou e já atingiu 35 mil hectares da UC
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No Cerrado, as projeções de aumento na temperatura e precipitação até 2040 é de mais de um grau Celsius, com consequências de maior exposição a meses secos e aumento no índice de incêndios
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