Primeiro fotógrafo do ano de Realidade Aumentada do mundo é anunciado | WWF Brasil

Primeiro fotógrafo do ano de Realidade Aumentada do mundo é anunciado



16 Outubro 2017    
Melhor foto foi tirada no museu Smithsonian, em Washington (EUA)
© Richard Gudz / Safari Central
Por Taís Meireles

A primeira competição mundial de fotos de Realidade Aumentada teve centenas de participações de todo o mundo. As fotos retratam, entre outros, um rinoceronte perambulando pelo Louvre, em Paris, e bloqueando o trânsito em Bangalore, na Índia; pessoas de todas as idades rugindo junto com uma onça-pintada e bebês fazendo amizade com um urso-cinza.
 
As fotos foram tiradas pelo celular usando o app Safari Central, um aplicativo de realidade aumentada criado pela startup queniana Internet of Elephants (uma brincadeira com o termo Internet das Coisas) em parceria com sete organizações ambientais pelo mundo: WWF-Brasil, Instituto Pró-Carnívoros, Space for Giants, Conservation International, Ol Pejeta Conservancy, Chicago Zoological Society e Tswalu Foundation. O app já tem mais de 2.500 downloads desde seu lançamento, em agosto.

Um júri de celebridades (fotógrafo ambiental britânico Paul Goldstein, ativista e escritor indiano Bittu Sahgal e atriz e embaixadora da conservação na Inglaterra Anna Friel) escolheu a melhor foto. O click de Richard Gudz, dos Estados Unidos retrata Mweturia, um dos animais do app (um elefante que vive no Quênia) conhecendo a estátua de um elefante em tamanho real no museu Smithsonian, em Washington.
 
Gautam Shah, idealizador do aplicativo, comenta: “Algumas das fotos que recebemos eram divertidas, outras contavam uma história sobre a nossa relação com os animais e outras ofereciam uma reflexão sobre a conservação. A melhor foto tem as três coisas: tem certo humor ao mostrar um elefante virtual conhecendo sua estátua; a interação com os humanos em um espaço amplo de museu; e não dá para deixar de imaginar se essas serão as únicas formas que veremos esses animais no futuro: como artefatos de espécies que antes viviam livremente pelo mundo”.

Como prêmio, Richard ganhou um safári de sete dias pela África do Sul, incluindo estadia no Tswalu Kalahari. 
 
Animais reais viram estrelas da Realidade Aumentada
 
Apesar do app ter sido criado para divertir, ele também tem um objetivo mais sério por trás. As oito instituições envolvidas em sua criação acreditam que mais pessoas irão apoiar a conservação da natureza se elas puderem ter uma experiência individual e emocional com animais que vivem há milhares de km de distância.
 
Os parceiros do app compartilharam informações reais dos animais para que a Internet of Elephants pudesse criar a versão virtual deles: Mweturia, o elefante (Quênia), Lola, a rinoceronte (Quênia), Atiaia, a onça-pintada (Foz do Iguaçu, Brasil), Bebi, o lêmure (Madagascar), Rockstar, o pangolim (deserto africano do Kalahari) e Ethyl, o urso-cinza (no norte dos Estados Unidos).
 
Enquanto se divertem com os animais, os usuários do app aprendem mais sobre a história individual de cada um e podem contribuir para a conservação deles. Como parte do concurso, melhores fotos de cada animal também foram selecionadas para prêmios menores. A melhor foto com a onça-pintada foi Unathi Mamane, da África do Sul.

Brasil no app Safari Central
 
Atiaia é uma palavra em guarani que significa "aquele que traz luz". Ela é uma das poucas onças-pintadas restantes no Parque Nacional do Iguaçu, um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica no Brasil. Atiaia acabou de ganhar um filhote e é a estrela local, chamando a atenção do público através de imagens de câmeras escondidas, que os cientistas do Instituto Pró-Carnívoros usam para entender seu comportamento.
 
“A Atiaia é uma onça-pintada muito calma, boa mãe e muito cuidadosa com os seus filhotes”, diz Ricardo Boulhosa, vice-presidente do Instituto Pró-Carnívoros. As onças-pintadas ficam com seus filhotes aproximadamente até completarem dois anos, ensinando-os a caçar e a sobreviver sozinhos. Ela não se assusta com a presença  dos turistas, que ficam bastante encantados quando conseguem avistá-la. As onças-pintadas  não miam como a maioria dos felinos, elas emitem uma série de roncos muito fortes, que são chamados de “esturros”.
 
A principal ameaça à Atiaia e as demais onças-pintadas é a caça furtiva e a perda de seu habitat. A espécie ocupa o topo da cadeia alimentar e sua dieta consiste de veados, porcos-do-mato e outros vertebrados. Dessa forma, preservando o seu habitat, a onça-pintada fica protegida e o equilíbrio ecológico mantido. Para protegê-la, o Instituto Pró-Carnívoros conta com o apoio do WWF-Brasil para fazer o trabalho em campo, monitorando o animal e ajudando a preservar sua casa, no Parque Nacional de Foz do Iguaçu.
 
"A Mata Atlântica corre o risco de perder o seu principal predador – a onça pintada. Falta apenas 1% dessa espécie e precisamos protegê-la com urgência. A Mata Atlântica é considerada um dos principais biomas do mundo, com 148 milhões de pessoas e 20 mil espécies de árvores e arbustos. Apesar de ser altamente ameaçada, tem uma biodiversidade única, por isso é fundamental abraçar sua proteção e que maneira melhor de fazer isso que aumentar a conscientização de uma maneira divertida e atraente!", comenta Maurício Voivodic, Diretor Executivo do WWF- Brasil.
 
Jogo completo será lançado em 2018
 
No ano que vem, os animais retratados no app Safari Central estarão em um jogo completo, previsto para o segundo semestre de 2018. Nele, os dados de GPS dos animais serão usados como uma espécie de Pokemon Go da natureza. A onça que patrulha a Mata Atlântica brasileira poderá estar passeando na cidade do jogador, assim como o elefante, o rinoceronte e demais animais. Os usuários poderão mapear os movimentos de cada espécie encontrar suas versões virtuais, aprendendo sobre o comportamento dos animais pelo caminho.


 
Baixe o app!
O app Safari Central é gratuito e está disponível na loja da Apple e para Android: www.safaricentralgame.com
Melhor foto foi tirada no museu Smithsonian, em Washington (EUA)
© Richard Gudz / Safari Central Enlarge
A melhor foto com a onça-pintada brasileira veio da África do Sul.
© Unathi Mamane / Safari Central Enlarge
O vencedor, Richard Gudz, também levou o prêmio de melhor foto com o rinoceronte.
© Richard Gudz / Safari Central Enlarge
Já a melhor foto com o lêmure Bebi foi dele integrando uma banda.
© Stephen Davis / Safari Central Enlarge
A melhor foto do urso-cinza Ethyl foi em uma correnteza, esperando por uma presa.
© Monica Wright / Safari Central Enlarge
Atiaia, a onça-pintada, passeou pelo Brasil e o mundo nos 50 dias de concurso. Na foto, ela ruge no pôr-do-sol de Fernando de Noronha.
© Juliana Marinho / WWF-Brasil Enlarge
A criatividade dos usuários não teve limites
© Kim Hodges / Safari Central Enlarge
Artistas como Mateus Solano, Grazi Massafera e Bela Gil também entraram na brincadeira
© @mateusolanooficial Enlarge
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