Estudantes acampam em frente ao Congresso Nacional em defesa das florestas



13 dezembro 2011    
Jovens se mobilizam e montam acampamento no gramado da Esplanada dos Ministérios em protesto à aprovação do novo Código Florestal.
© Solange Pereira Pinto/ WWF-Brasil
Por Solange Pereira Pinto, especial para WWF-Brasil

Desde o dia 6 de dezembro , o gramado da Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional, ganhou mudas de árvores. O protesto, contra a aprovação do Código Florestal, marcou a votação no plenário do Senado Federal, que aprovou o PLC 30/2011 defendido pela bancada ruralista.
Incansáveis, estudantes fizeram vigília em torno da plantação, que foi retirada pela polícia legislativa. Indignados, membros do Comitê Universitário em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável e outros participantes iniciaram o movimento de ocupação montando barracas e instalando faixas pedindo o veto da presidenta Dilma Rousseff ao texto  do Código Florestal, que anistia desmatadores, reduz a proteção ambiental, diminui a vegetação nativa em todo o Brasil, além de facilitar a ocorrência de outros riscos à população brasileira.

Aprovado no Senado, o texto volou à Câmara dos Deputados que deve analisar as mudanças e votar o projeto em data ainda indefinida. Depois de passar novamente na Câmara dos Deputados, o projeto de lei seguirá para a sanção da Presidente da República.

Sob sol forte e chuva, jovens se revezam manhã, tarde, noite e madrugada no camping improvisado. A meta é chamar a atenção do governo e da sociedade para as consequências danosas que  o texto do projeto de reforma do Código Florestal trará ao país.

Segundo a estudante de sociologia, Iara Soares, a ocupação é uma forma de resistência popular participativa frente à força do latifúndio e de seu modelo atrasado de desenvolvimento.

“Temos feito protestos em todas as votações e somos reprimidos e ignorados pelos políticos. O acampamento é um apelo para que a Câmara aja com responsabilidade, e, caso isso não aconteça, é então desde já um apelo para que a presidenta Dilma honre o compromisso ambiental que assumiu em campanha. Ou seja, que ela vete integralmente essas mudanças aprovadas”.

A ideia é que cada vez mais gente vá se somar ao movimento, divulgado também pelas redes sociais na internet. “Nesse processo de decisão não há partido e novas reivindicações podem ser debatidas e incorporadas”, explica a estudante.

Ao mesmo tempo em que o protesto acontece com faixas, gritos e palavras de ordem, ele também se dá como espaço de formação e debate. São promovidos encontros, oficinas, saraus, aulas abertas e rodas de conversa.

“É uma forma de tornar o processo de mobilização mais rico e também uma forma de comunicar algo importante: não vamos sumir, esconder ou voltar para casa. Estamos acampados no centro do poder em repúdio a essa forma irresponsável de fazer política e não temos previsão de saída”, argumenta Iara.

Nem a violência já sofrida intimida os participantes.

“Nos atos de rua aconteceram muitas agressões (arma de choque, spray de pimenta, gás lacrimogêneo) por parte da polícia militar, polícia do Senado. Mas o acampamento tem sido pacífico, talvez porque estamos ao lado da ocupação da UNE, que tem um viés governista. Porém é curioso isso, pois uma semana antes deles tentamos ocupar o mesmo espaço e fomos reprimidos pela PM”, completa Iara.

Até agora, os custos são arcados pelos próprios manifestantes e suas famílias, que colaboram com alimentação e transporte. “Cada vez que um vem traz alimento, água, bateria de celular. Banana, biscoito e miojo são os alimentos mais consumidos por aqui. Estamos tentando apoio de ONGs para melhorar a estrutura, pois não temos prazo para ir embora”, diz Lígia Falcão, estudante de engenharia florestal.

Além de estudantes, atletas e outros profissionais também estão apoiando a causa e, após o trabalho, passam ou mesmo dormem no acampamento.

“Logo na primeira noite, conhecemos o Miro, um nadador de Petrolina que se juntou ao nosso movimento, motivado pela degradação do rio São Francisco, onde ele treina. A gente considera que quem compõe e constrói a ‘acampada’ não são apenas aqueles e aquelas que dormem por aqui, mas também quem passa, participa das atividades, se interessa em discutir junto”, analisa Lígia.

A ocupação é “uma acampada contra o Novo Código Florestal”, para reivindicar o direito à biodiversidade e à produção sustentável.
“Estamos aqui para garantir nosso direito a um futuro com florestas, de forma apartidária, não-violenta e horizontal. Isso significa dizer que qualquer um e qualquer uma que chegar disposto a acampar, a debater, a participar das atividades terá igual voz, igual importância e igual voto. A intenção primeira é pressionar a Dilma para que ela vete integralmente o projeto”, explica Iara

“Nessa luta, só no conjunto somos fortes! Se você está cansado de ver seus direitos atropelados por uma elite que não se importa com nada além do seu próprio lucro, então chega junto e, traz sua barraca. Estamos reunidos na frente da bandeira da Paraíba (aquela escrito "Nego"), por tempo indefinido, esperando mais indignados e indignadas virem se somar”, convida convida a estudante de sociologia.

Jovens se mobilizam e montam acampamento no gramado da Esplanada dos Ministérios em protesto à aprovação do novo Código Florestal.
© Solange Pereira Pinto/ WWF-Brasil Enlarge
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