Estratégia para a agenda Parques Saudáveis, Pessoas Saudáveis no Brasil é apresentada em webinar

21 junho 2021

Fruto de um processo de cocriação, a estratégia traça caminhos para fortalecer o debate sobre o papel da natureza...
Fruto de um processo de cocriação, a estratégia traça caminhos para fortalecer o debate sobre o papel da natureza (e dos parques, em especial), bem como ações estruturantes para promover e restaurar a saúde e o bem-estar

WWF-Brasil e parceiros apresentaram, no dia 17/06, caminhos estratégicos e recomendações para a implementação da iniciativa Parques Saudáveis, Pessoas Saudáveis (PSPS) no Brasil.

Participaram do webinar Pete Rawcliffe, presidente da Comissão de Saúde da Europarc Federation e da Scottish Natural Heritage - a agência nacional de conservação da Escócia; Tony Varcoe, diretor de programas comunitários na Fundação Parks Victoria, na Austrália, na qual nasceu o conceito de Health Parks, Health People; e Mariana Napolitano Ferreira, Gerente de Ciências do WWF-Brasil.

A estratégia é resultado da cocriação de cerca de 40 pessoas de diferentes organizações, e traz caminhos para estruturar a iniciativa no país. O processo envolveu três momentos: avaliação de experiências de diferentes lugares onde a iniciativa já acontece, buscando oportunidades e desafios; entrevistas com especialistas internacionais e nacionais; e a realização de três workshops para coleta de percepções, início da construção de um modelo para o Brasil e a viabilização do desenho da ação a partir de políticas, formação e comunicação.


A estratégia PSPS para o Brasil

A proposta apresentada durante o webinar se estrutura por meio de dois eixos: segmentos estratégicos e elementos estruturantes. 

Os segmentos estratégicos a se mobilizar para isso incluem os usuários dos parques, com a promoção de vivências e iniciativas em acordo com os diversos perfis; os gestores de áreas protegidas e naturais, a partir do desenho e oferta de programas e também de promoção de capacitações para incorporar o PSPS; e os profissionais de saúde, por meio do reconhecimento das áreas naturais como promotoras da saúde, formação individual e estabelecimento de parcerias. 

Os elementos estruturantes para o PSPS no país são a comunicação para promover engajamento, disseminação de informações e divulgação de resultados e evidências; políticas públicas em nível federal, estadual e municipal e em diversos setores como meio ambiente, saúde e educação; e a capacitação de gestores profissionais e de saúde, troca e apresentação de evidências e experiências. 

“É uma estratégia que se quer escalável para o Brasil inteiro. Esse é um primeiro passo que precisará ser refinado para cada abordagem. A boa notícia é que encontramos várias experiências no país que se encaixam e já entram nesse guarda-chuva de PSPS”, avalia Mariana.


Premissas

A estratégia proposta parte de sete premissas: (1) protagonismo das áreas protegidas como espaço de conexão; (2) progressividade do contato das pessoas com a natureza – na rua, na praça e no parque; (3) a conexão da natureza com famílias, comunidade, território e indivíduos; (4) o engajamento da comunidade e atores locais; (5) estabelecimento de parcerias com diversos setores e segmentos; (6) a multivocidade de maneiras de se implementar iniciativas de PSPS; (7) a construção de evidências por pesquisadores, profissionais de saúde, gestores do território, educadores e universidades. 

A iniciativa PSPS é também destacada como uma ferramenta importante para integrar agendas de conservação e saúde, além de setores como comunicação, educação, planejamento, transporte e economia, contribuindo para um modelo de desenvolvimento mais inclusivo e saudável. 

Rawcliffe e Varcoe, que participaram do processo de cocriação da estratégia, avaliam que a proposta brasileira está em sintonia com as estratégias desenvolvidas na Europa e também na Austrália, e destacam como muito positivo o processo de conhecer as diferentes experiências em curso, observando desafios e oportunidades.

“O que vocês estão desenvolvendo parece muito bom para a implementação da iniciativa PSPS no país. O modo como estão captando as experiências e deixando as portas abertas. Muitos dos pontos que vi aqui estão também presentes na estratégia da Europarc Federation, como divulgar o assunto, promover conscientização, parcerias e pesquisas. Nós desenvolvemos um pacote de ferramentas e uma rede de áreas protegidas e profissionais de saúde, junto com a UICN”, diz Rawcliffe.

Um desafio apontado por Varcoe é como influenciar políticas, e em especial políticas de saúde, para fortalecer a estratégia. “Estamos tentando encontrar os líderes e as melhores práticas. Temos nossa ação muito concentrada em ter cada vez mais eventos com esse tipo de temática de estabelecimento de parcerias.”


Próximos passos

Os próximos passos visualizados pelo WWF-Brasil na implementação da iniciativa PSPS no Brasil incluem a capacitação de gestores de Áreas Protegidas por meio de cursos de EAD, atividade que já vem sendo promovida pela organização. A intenção é incluir um curso básico sobre a relação entre saúde e natureza e abordar o PSPS. 

Avançar no desenho do mecanismo da governança, que possivelmente será construída em parceria com a Rede Saúde e Natureza, a criação de uma identidade e de mensagens chave para a divulgação da iniciativa no Brasil e a realização de um piloto para materializar a estratégia completam esse quadro. 
Estratégia para a agenda Parques Saudáveis, Pessoas Saudáveis no Brasil
Estratégia para a agenda Parques Saudáveis, Pessoas Saudáveis no Brasil
© Ricardo de O. Lemos / Shutterstock
Estratégia para a Agenda Parques Saudáveis, Pessoas Saudáveis (PSPS) no Brasil.
Estratégia para a Agenda Parques Saudáveis, Pessoas Saudáveis (PSPS) no Brasil.
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Estratégia para a Agenda Parques Saudáveis, Pessoas Saudáveis (PSPS) no Brasil.
Estratégia para a Agenda Parques Saudáveis, Pessoas Saudáveis (PSPS) no Brasil.
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