Recuperação de animais atingidos por petróleo em 2019



01 abril 2021    
Sexto e último vídeo da série “Vidas sob o mar de petróleo” mostra como foi complexo o resgate de animais impactados pelo vazamento de óleo no Nordeste brasileiro em 2019
© WWF-Brasil
Ninho com ovos de tartaruga precisou ser isolado e filhotes soltos em outra praia

Por Douglas Santos


Em 2019, durante o vazamento de petróleo na costa brasileira, dezenas de animais foram atingidos por fragmentos do material. Porém, o resgate ágil e realizado com equipes preparadas ajudou a salvar vidas. Essa é a história do sexto e último episódio do especial “Vidas Sob o Mar de Petróleo”. 



Entre os animais atingidos há registros de tartarugas, golfinhos, aratus, caranguejos, peixes, crustáceos, aratus, aves e muitas outras. Infelizmente, muitas morreram e não há um registro unificado e claro sobre a extensão da tragédia.

Dos animais resgatados, alguns levaram até seis meses para se recuperar completamente. Um exemplo da complexidade e da gravidade que é o contato direto com o petróleo: dos 33 animais que chegaram à Fundação Mamíferos Aquáticos, em Pernambuco, apenas nove sobreviveram. 

O último animal devolvido ao mar pela Fundação precisou de 91 dias em recuperação até ser reintegrado. O caso foi de uma tartaruga, que passa por um processo de higienização e recuperação física em muitas etapas. Por ser um réptil e ter um metabolismo mais lento, sua recuperação é mais demorada do que a de uma ave, por exemplo. 

Foi preciso muita esponja, óleo vegetal e detergente para limpar boca, olhos, narina e cloaca — por onde a tartaruga também respira. Um processo demorado e cuidadoso que teve um final feliz: a soltura do animal no oceano.

Desova deve que ocorrer em praia não afetada

Setembro é um mês de desovas pontuais da espécie tartaruga-oliva (Lepidochelys olivácea), ameaçada de extinção. No mesmo dia em que o óleo chegou à costa do Rio Grande do Norte, um desses animais desovou na praia de Búzios, na cidade de Nísia Floresta (RN).

Segundo Jéssica de Paiva Bezerra, analista socioambiental da ONG Oceânica, a instituição tinha um cuidado especial com o ninho. “Foi realizada uma análise de risco e concluímos que não haveria a necessidade de transferência do ninho. A região foi isolada para garantir uma desova tranquila”, conta.

Porém, no período de nascimento dos animais, a praia ainda apresentava fragmentos de petróleo. Assim, a decisão foi de recolher os filhotes no nascimento e realizar a soltura no município vizinho, em Parnamirim (RN), na praia de Pirangi do Norte. 

“Tivemos que realizar uma grande operação em parceria com o Instituto Tamar e o ICMBio para recolher os filhotes e realizar a soltura em outra região menos afetada e mais distante”, explica Jéssica.

Para assistir a todos os episódios da série “Vidas Sob o Mar de Petróleo”, acesse a playlist completa no Youtube.
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