COP24 termina com avanços e um chamado para fortalecer as metas climáticas nacionais | WWF Brasil

COP24 termina com avanços e um chamado para fortalecer as metas climáticas nacionais



16 Dezembro 2018   |  
COP24 começou no dia 3/12. A previsão era que terminasse na sexta, 14.
© UNClimateChange
Por WWF

Katowice - Polônia e Brasília (15 de dezembro 2018) – No encerramento das negociações de clima da ONU, o WWF vê progressos na adoção de um livro de regras para operacionalizar o Acordo de Paris e em um sinal da conferência de Partes para aumento da ambição climática, mas continua profundamente preocupado com o fato de que os países ainda precisam mostrar o nível de ambição necessária para enfrentar a emergência climática.

“Os líderes mundiais chegaram a Katowice com a tarefa de responder aos dados científicos mais recentes, que deixam claro que só temos 12 anos para reduzir as emissões pela metade e evitar um aquecimento global catastrófico. Eles fizeram progressos importantes, mas o que vimos na Polônia revela uma falta de compreensão da nossa crise atual. Por sorte, o Acordo de Paris está se mostrando resiliente às tempestades da geopolítica global. Agora, precisamos que todos os países se comprometam a elevar a ambição climática antes de 2020, porque o futuro de todos está em jogo”, disse Manuel Pulgar-Vidal, Líder de Clima e Energia Prática do WWF.

As negociações deste ano enviaram um sinal de que as nações irão aumentar suas metas climáticas até 2020, em resposta aos dados científicos mais recentes, entregues pelo relatório especial do IPCC sobre 1,5℃. Países-chave desenvolvidos e em desenvolvimento se uniram em apoio à aceleração dos esforços globais para garantir um futuro de segurança climática.

Os resultados desta COP destacam que a Cúpula do Clima, reunião de alto nível da Assembleia da ONU, prevista para 23 de setembro de 2019, será uma oportunidade-chave para os líderes responderem ao pedido por mais ambição da COP24, anunciando ou se comprometendo com metas climáticas nacionais atualizadas e mais ambiciosas para 2020.

“Essa conferência colocou uma responsabilidade direta sobre os líderes, para que cheguem à Cúpula do Clima em setembro com metas climáticas melhoradas ou um compromisso de entregá-las até 2020. Qualquer coisa menos que isso é uma falha em liderança política e moral”, acrescentou Pulgar-Vidal.

Esta rodada de negociações gerou um livro de regras de trabalho para operacionalizar o Acordo de Paris, mas lacunas críticas permanecem e precisam ser abordadas em futuras negociações sobre o clima. Um conjunto comum de regras para transparência e contabilidade sobre os progressos climáticos dos países chegou até o final, oferecendo alguma flexibilidade para os países em desenvolvimento.

Os resultados dessas conversas também terminaram com pouca clareza sobre como fazer a contabilidade para o financiamento climático dos países desenvolvidos para países em desenvolvimento, como o objetivo de US$100 bilhões até 2020 será atingido, ou como a meta global de financiamento para pós-2025 será acordada.

Na noite de quarta-feira, alguns países se destacaram positivamente, com o ressurgimento de uma “Coalizão de Grande Ambição”. É um grupo que inclui as Ilhas Marshall, Fiji, Etiópia, União Europeia, Noruega, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Nova Zelândia, México e Colômbia, países que se comprometeram a melhorar as suas metas climáticas nacionais antes de 2020 e aumentar a ação a curto e longo prazo.

De acordo com o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, os resultados da COP24 ressaltam a urgência de ações climáticas ainda mais fortes e mais urgentes, de todos os setores da sociedade, em especial do governo brasileiro.

"Nossa janela de oportunidades está se fechando. Para a biodiversidade, a diferença entre um aumento médio de 1,5℃ e 2℃ pode ser fatal. O relatório do IPCC foi muito claro a esse respeito. O Brasil, como sétimo maior emissor mundial e grande exportador agrícola tem um papel essencial no processo. Precisamos encarar meio ambiente como prioridade, e as mudanças climáticas como um dos nossos principais desafios. Qualquer ameaça aos recursos naturais tem impacto direto na economia do país. É imprescindível que o Brasil siga o caminho de México e Colômbia, por exemplo, e não só reafirme seu comprometimento com o Acordo de Paris, como traga mais ambição para suas metas pré e pós 2020. O planeta e, em especial, o Brasil dependem disso", comenta Voivodic.

O coordenador do programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur, ressaltou a importância que o país tem para atingir o grande objetivo do Acordo de Paris, de se esforçar para que o limite do aquecimento médio global fique em 1,5℃ acima do Período Pré-Industrial, e os benefícios diretos que isso pode proporcionar.

"O Brasil tem tudo para se tornar um dos líderes nesse novo mercado de baixo carbono, que já está acontecendo. Com os recursos naturais que nosso país possui, podemos alavancar essa agenda e gerar benefícios econômicos e sociais para toda a população, desde o empresário, que pode investir nessas áreas, até para a população em geral, que terá como resultado uma nova oferta de empregos e mais qualidade de vida. Alcançar o objetivo de 1,5℃ ainda é possível, mas, para isso, é necessário um trabalho de todos. Além do governo federal, Estados, cidades, empresas, academia e a população em geral têm um poder enorme. O cenário não está bom, mas, juntos, podemos revertê-lo", afirma Nahur.

A 25ª sessão da Conferência das Partes (COP25) da UNFCCC acontecerá no Chile, de 11 a 25 de novembro de 2019, com a pré-COP sendo realizada na Costa Rica.
COP24 começou no dia 3/12. A previsão era que terminasse na sexta, 14.
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