Negociações em Lima preparam novo acordo climático global



02 dezembro 2014    
Montanhas Lupine e Chopicalqui (6354 meters) Cordillera Blanca, nos Andes, Peru.
© Kevin Schafer / WWF
A 20ª edição da Conferência das Partes (COP20) das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas teve início nesta segunda-feira, 1º de dezembro, em Lima, capital do Peru. O evento é anual e discute o papel dos países na redução das emissões dos gases de efeito estufa.
 
Embora o tema mudanças climáticas pareça algo bem distante e complexo, o assunto está mais presente no dia-a-dia das pessoas do que se pode imaginar. Da falta de água em São Paulo à enchente do rio Madeira; da alteração do período de chuvas à escassez de alimentos: tudo isso está relacionado com o aumento da intensidade das alterações climáticas no planeta. Nos últimos 150 anos, observou-se um crescimento considerável e progressivo na concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera, em virtude principalmente a atividades humanas ligadas à indústria, ao transporte, a atividades agropecuárias e ao desmatamento.
 
Este avanço nas emissões pode ter consequências sérias para a vida na Terra, pois o período de permanência dos gases na atmosfera é de mais de 100 anos. Isto significa que o que for emitido hoje pode gerar impactos no clima ao longo de vários séculos. Preocupada com essa realidade, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a COP em 1994 como um espaço internacional de negociação das regras e políticas de mudanças climáticas.
 
O Brasil, por exemplo, sempre contribuiu com as negociações de clima. Nesta edição da Conferência, o país irá apresentar uma proposta inovadora de estrutura para o novo acordo, que traz melhorias na forma como os países irão se comprometer com a redução de suas emissões domésticas, tendo em vista o objetivo global de mitigar os impactos das mudanças climáticas como um todo.
 
Mas para André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, também é necessário que o governo brasileiro sinalize uma meta concreta para reduzir suas emissões após 2020. “Com a COP20 ocorrendo em nosso vizinho, temos de aproveitar a oportunidade e mostrar que os países da América Latina, que são os grandes impactados com as mudanças climáticas, também buscam estar na vanguarda da redução das emissões. Nós queremos rumar seguramente pelos caminhos do desenvolvimento sustentável. Precisamos e sabemos que é possível cumprir essa missão ao mesmo tempo em que ajudamos a garantir a segurança climática para o mundo”, avalia.
 
Com os impactos das alterações climáticas cada vez mais evidentes, fortes e frequentes, é essencial que o assunto seja prioridade absoluta dos governantes. A expectativa é que se saia da COP20 com uma base sólida para o acordo climático global que deve ser concluído e aprovado em Paris, em 2015.
 
O WWF-Brasil estará presente na Conferência, disponibilizando informações e análises do processo de negociação, acompanhando os debates e compartilhando experiências sobre desenvolvimento de baixo carbono e medidadas adaptativas. Além disso, a organização apoiará a sociedade civil brasileira para pressionar e influenciar o processo de negociação para garantir um futuro de segurança climática para  o planeta
Montanhas Lupine e Chopicalqui (6354 meters) Cordillera Blanca, nos Andes, Peru.
© Kevin Schafer / WWF Enlarge
COP 20, Lima, Peru
© COP 20 - UNFCCC Enlarge
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