WWF dá início ao estudo de matrinxãs do Parque Nacional do Juruena



22 maio 2014    
Cachoeira do Salto Augusto, no Parque Nacional do Juruena.
© Zig KOCH
A Rede WWF, por meio de sua Iniciativa Amazônia Viva e do WWF-Brasil, deu início a um estudo sobre as matrinxãs, peixe migratório encontrado no Salto Augusto, no Parque Nacional (Parna) do Juruena, uma unidade de conservação existente entre os estados do Amazonas e do Mato Grosso.

As matrinxãs (Brycon amazonicus) são um tipo de peixe amazônico muito famoso por seu brilho prateado e sua carne saborosa. Eles podem chegar a 70 cm de comprimento, 4 quilos, são muito apreciados na pesca esportiva e, sobretudo, fazem parte da dieta e são fonte de proteína para as comunidades locais.

O estudo encaminhado pelo WWF se concentrou na região do Salto Augusto, uma belíssima queda d’água situada dentro do Parque Nacional. Ali, os pesquisadores coletaram 20 amostras de mantrinxãs – dez acima e dez abaixo da cachoeira – e farão testes genéticos, para saber se as comunidades de matrinxã que existem acima e abaixo do Salto Augusto são as mesmas.

Essas vinte amostras estão hoje nos laboratórios da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, e serão estudadas por uma equipe coordenada pelo ictiólogo (especialista em peixes) Paulo Cesar Venere. A previsão inicial é de que este estudo fique pronto em julho.

Além disso, os pesquisadores de campo coletaram amostras de nadadeiras de outros 15 exemplares, com o objetivo de ter mais subsídios para os testes genéticos que serão feitas nas matrinxãs.
A Expedição Espécies de Peixes Migratórios do Rio Juruena, na bacia hidrográfica do Tapajós, nos arredores do Parque Nacional do Juruena (MT-AM), iniciada no último dia 12, se estenderá até 24 de maio, Dia Mundial da Migração dos Peixes.

Diferenças importam

De acordo com Reginaldo Carvalho dos Santos, um dos biólogos que coletou os dados no campo, é muito importante saber se existem diferenças entre as duas populações de matrinxãs acima e abaixo do Salto Augusto.

“Se comprovarmos que essas comunidades são diferentes, isso significa que teremos ambientes distintos – então as águas acima e abaixo do Salto devem ter características como taxa de oxigenação, taxa de condutividade e temperatura diferentes também”, afirmou.

Reginaldo disse que, se a hipótese dos pesquisadores se confirmar, será preciso realizar ações de conservação diferenciadas nesses dois ambientes, levando em conta as características de cada um. “Se queremos conservar as matrinxãs ou o próprio Salto Augusto, teremos que adotar abordagens distintas, que tratem esses ambientes de forma diferente”, explicou.

Segundo Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva, este primeiro estudo visa compreender melhor a dinâmica das espécies migratórias e a dimensão social e econômica das comunidades em relação ao ambiente e aos recursos disponíveis. “A bacia do Tapajós é a próxima “fronteira” indicada pelo governo para construção de hidroelétricas na Amazônia. A construção de barragens altera toda a dinâmica ecológica, social e econômica de uma região e, portanto, é fundamental conhecê-la”, afirma.

Expedição ao rio Juruena

O estudo com as matrinxãs é parte de uma série de iniciativas mais amplas, que têm como objetivo conhecer melhor os recursos pesqueiros do rio Juruena.

O levantamento sobre a atividade pesqueira foi feito com a aplicação de questionários junto às famílias de ribeirinhos do rio Juruena e das comunidades como a Barra de São Manoel e Pedro Colares, em Apuí, no Amazonas. Por meio desta ferramenta, o WWF quer saber quais são os tipos de peixes mais pescados na região; com que frequência eles são apanhados; em que trechos específicos do rio eles são pescados; e quem são os pescadores.

As pousadas e guias turísticos da área também estão incluídos neste estudo, de maneira a, no final desse processo, montar um quadro amplo da atividade pesqueira existente na região.

Todos esses trabalhos ainda não foram concluídos. Os pesquisadores voltam a suas bases no dia 24 de maio para compilar e analisar resultados para sua divulgação.

Para realizar este trabalho, o WWF contou com a parceria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que emitiu as licenças de pesquisa obrigatórias para que o levantamento. Um dos gestores do Parque Nacional do Juruena acompanhou parte da expedição em campo.

Cachoeira do Salto Augusto, no Parque Nacional do Juruena.
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