Brasil recebe “prêmio” Fóssil do Dia em Durban pelo Código Florestal



02 dezembro 2011    
Estudos apontam que, com as mudanças no Código Florestal, o desmatamento aumentaria no país.
Estudos apontam que, com as mudanças no Código Florestal, o desmatamento aumentaria no país.
© WWF-Brasil/Bruno Taitson

A  proposta de reforma do Código Florestal brasileiro deu  hoje ao Brasil, na  COP 17, em Durban (África do Sul),  um prêmio que nenhum país gostaria de receber:  o  Fóssil do Dia. reforma do Código Florestal brasileiro deu hoje ao Brasil na  COP 17, em Durban (África do Sul),  um prêmio que nenhum país gostaria de receber:  o  Fóssil do Dia. A nada honrosa premiação  é concedida pela  ONG Climate Action Network  - CAN (Rede de Ação pelo Clima)   a países que emperram as negociações durante as Convenções de Mudanças Climáticas ( COPs).  Mas no caso do Brasil, a premiação não está relacionada à atuação do País nas negociações em Durban e sim ao projeto de lei  que altera o  Código Florestal.
 
A Climate Action Network  decidiu dar o primeiro lugar ao Brasil depois de uma afirmação do  Ministério do Meio Ambiente de que a nova lei iria ajudar o Brasil a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e a cumprir as metas  de redução estabelecidas pelo país. 
 
De acordo com a ONG, se for aprovada, a nova lei do Código Florestal que está tramitando no Congresso, será um desastre para as florestas brasileiras, para o clima, para as populações indígenas do país, para a preservação da biodiversidade e os importantes serviços ambientais que elas prestam.
 
“Quando o Ministério do Meio Ambiente anunciou esta semana que a lei irá ajudar o Brasil a alcançar as metas de redução de emissões, a CAN não vê outra  alternativa a não ser dar ao Brasil nosso mais notório prêmio – o Fóssil do Dia”, diz a nota publicada no site do CAN.
 
Ainda, segundo a ONG, a ministra do Meio Ambiente aparentemente adiou a sua viagem a Durban devido às negociações do Código Florestal no Congresso.  “Nós calorosamente damos as boas vindas à ministra e pedimos que ela venha a Durban, receba o prêmio e explique ao mundo como  é possível  reduzir as emissões de gases de efeito estufa cortando árvores”, conclui a nota.
 
O atual texto, aprovado na Comissão de Meio Ambiente do Senado, e que será votado em plenário em breve, anistia crimes ambientais cometidos até julho de 2008 e reduz as áreas de preservação permanente (APPs) e de reserva legal. A votação no Senado está prevista para a próxima terça-feira, dia 6. Depois, a proposta ainda precisa voltar para a Câmara dos Deputados, para nova votação.
 
Para o WWF-Brasil, é vergonhoso para o país receber essa premiação, ainda mais quando se prepara para sediar a Rio+20. “Essa ‘premiação’ é mais um alerta. Esperamos que ela ajude o  Brasil a  repensar o caminho que está trilhando na condução da   do  Código Florestal e  que o Congresso  brasileiro não aprove a proposta do jeito que está, de maneira apressada, sem as discussões necessárias, para que a sociedade brasileira entenda os impactos desta lei para  os recursos naturais do Brasil”, diz Regina Cavini, Superintendente de Comunicação e Engajamento do WWF-Brasil .
 
O segundo lugar da  “premiação” ficou com a Nova Zelândia e o terceiro com o Canadá.
A Climate Action Network – CAN (Rede de Ação pelo Clima) é uma rede mundial que agrupa em torno de 500 organizações que trabalham promovendo ações individuais e de governança para limitar mudanças climáticas causadas pela ação humana a níveis ecologicamente sustentáveis.  
 
 































Estudos apontam que, com as mudanças no Código Florestal, o desmatamento aumentaria no país.
Estudos apontam que, com as mudanças no Código Florestal, o desmatamento aumentaria no país.
© WWF-Brasil/Bruno Taitson Enlarge
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