Viagem ao Tumucumaque: Serra do Navio – portal de entrada do parque nacional



06 outubro 2011    
Rio Amapari, meio de acesso ao parque a partir de Serra do Navio
© WWF-Brasil/Luciano Candisani
Ligia Paes de Barros, WWF-Brasil

Serra do Navio é um município com cerca de cinco mil habitantes e é uma das portas de entrada do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, por meio do rio Amapari. 72% de sua área está dentro da unidade de conservação.  

A cidade surgiu em meados dos anos 1950, com a instalação da Indústria e Comércio de Mineração (Icomi), empresa norte-americana que tinha permissão do governo federal para exploração de manganês no local.  Apesar da saída da empresa no fim da década de 1990, e com ela grande parte dos moradores de Serra do Navio – a maioria funcionários da Icomi - a vila sobreviveu ao abandono e se recuperou.

O movimento da cidade está concentrado na Vila que é a sede do Município, onde as ruas são asfaltadas e está localizada a sede da prefeitura municipal.  O prédio da rádio Manganês FM também fica no local e os que passam por ali podem escutar programação da rádio transmitida pelos alto-falantes na praça.  

Hoje, Serra do Navio se vangloria de seus atributos naturais preservados no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e no Parque Natural Municipal do Cancão, a primeira unidade de conservação municipal do estado do Amapá. Além da mineração, a cidade espera que o turismo ambiental também se firme na sua economia.

“Hoje Serra do Navio tem muito orgulho de ser portal de entrada do Parque do Tumucumaque. O parque nacional e o Parque Municipal do Cancão estão ajudando a entender que é possível viver junto da natureza e tirar proveito disso. Podemos ter mais conhecimento e atrair pessoas para verem com a nossa realidade que é bom viver com a preservação”, afirmou a prefeita da cidade Francimar Santos (PT-AP).

Porém, de acordo com a prefeita, que é membro do conselho consultivo do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, ainda é preciso que toda a população entenda a importância do parque e o momento agora é de investimento na educação.

Marcela de Marins, chefe substituta do parque nacional e moradora de Serra do Navio desde 2003, concorda com a prefeita. Segundo ela, é preciso que a população entenda o que é o parque, qual o seu papel e quais benefícios ele pode gerar. 

“Pelo fato do Parque estar num lugar muito isolado, ele fica um pouco distante das pessoas, e elas não o conhecem muito”, afirmou Marins. “Nós temos que adotar uma estratégia para mudar um pouco a visão das pessoas em relação à natureza. Nós não precisamos usar todos os recursos até o fim. É possível procurar uma forma de ter desenvolvimento com o parque no município. A idéia é mostrar que não são coisas incompatíveis”, completou a gestora.

Pensando nisso, a Coordenação de Educação Ambiental e Articulação Externa do parque vem trabalhando com os professores de Serra do Navio e de outros municípios do entorno da unidade de conservação em um projeto chamado Curso de Pedagogia de Projetos em Temas Ambientais (CPPTA). O curso, que conta com o apoio do WWF-Brasil e da Ecosia, consiste na capacitação de professores para que eles desenvolvam seus projetos de educação ambiental e os implementem com seus alunos nas escolas.

O projeto vem dando certo. Saiba mais sobre os resultados dessa iniciativa na próxima matéria.

Rio Amapari, meio de acesso ao parque a partir de Serra do Navio
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