Como as mentiras e fake news prejudicam o Brasil | WWF Brasil

Como as mentiras e fake news prejudicam o Brasil



01 abril 2020    
Captura de tela da transmissão ao vivo
© WWF-Brasil
A mentira e a desinformação na era da pós-verdade foi tema de conversa da Hora do Planeta 2020

Por Renata Peña


Não existe notícia falsa. Isso porque, por definição, uma notícia é informação que foi pesquisada, apurada e confirmada por profissionais que dedicam o seu tempo a isso. Por outro lado, existem sim conteúdos falsos e maldosos que circulam diariamente pelas redes sociais e pelos grupos de whatsapps

Pensando em entender melhor a produção e a distribuição de conteúdo na atualidade e como cada um de nós pode atuar para evitar a disseminação de mentiras, o WWF-Brasil promoveu um debate sobre "fake news" durante a programação totalmente digital da Hora do Planeta 2020. 

Os jornalistas Karina Yamamoto, líder de digital e imprensa do WWF-Brasil, Fernanda Schimidt, editora da plataforma ECOA-UOL e Rodrigo Ratier, fundador do site 'Vaza, Falsiane!", conversaram sobre como a desinformação atrapalha o dia a dia dos cidadãos, das organizações e das redações profissionais.



Para se ter uma ideia da força da propagação das mentiras, o termo “fake news” foi escolhido palavra do ano pelo dicionário britânico Collins, explicou Karina Yamamoto. “É muito complicado porque a mentira circula muito mais rápido e com mais intensidade do que a própria correção dos dados que virá depois. Vivemos numa fase em que as pessoas preferem as emoções aos fatos e isso normalmente ocorre em ambientes não públicos, como os jornais, ocorrem em geral em bolhas como grupos de whatsapp e é muito difícil furar essas bolhas”, afirmou a líder de digital e imprensa do WWF-Brasil.  

Rodrigo Ratier agregou que o desmentido vai muito menos longe porque a notícia falsa possui estratégias de construção que são “sexys”. “As notícias falsas tocam fundo nas emoções. O desmentido é uma coisa chata... Essa é a atualidade da pós-verdade, vivemos num momento em que a razão é o que menos importa”.

A editora de ECOA/UOL, Fernanda Schimidt, explicou que os jornalistas têm que se esforçam ao máximo para identificar se a informação que chegar é real ou não. “Até você ler uma notícia na home do UOL há todo um processo super trabalhoso e extensivo. O jornalista, antes de publicar, precisa identificar a fonte da informação, se há estudos relacionados ao tema, checar todos os dados”, contou.

Fernanda contou um exemplo recente de como as mentiras afetam a qualidade da informação das pessoas. “A crise da COVID-19 abriu uma oportunidade para a divulgação de uma mentira: a de que o vinagre matava o coronavírus. Quando chegou ao ponto de ser necessária uma checagem foi porque o tema já chegou a níveis enormes de divulgação. Criamos uma editoria de checagem de informações para mostrar que não era verdade e que inclusive poderia provocar a morte de pessoas”, disse.

O que são as fake News?
Rodrigo Ratier explicou que as “fake news” são notícias que simulam o formato jornalístico no design, com foto, com manchete. Mas a maioria dos teóricos defende não utilizar esse termo mais porque está desgastado. “Acontece que foi instrumentalizado por agentes políticos que o utilizam quando são confrontados com fatos que os desagradam. Dizem que é 'fake news' e se eximem de colocar a sua versão”, disse Ratier.

“O melhor é usar o termo “desinformação, que engloba ações como fraude - em que alguém grava um áudio imitando a voz de outro e se passando por essa outra pessoa – e a lacração - alguém edita um trecho de um conteúdo mais extenso com objetivo de utilizar esse pedaço de forma mentirosa e de acordo com os seus objetivos, muitas vezes fora de contexto”, falou Ratier.  
 
Como identificar um conteúdo falso e como punir o autor?
Ratier deu algumas dicas de como proceder para identificar se o conteúdo é falso ou verdadeiro:  “Verifique se o que você recebeu está assinado por alguém, se a autoria é de fato comprovável. Pesquise sobre isso no Google. Você pode digitar na barra de pesquisa a informação mais a palavra “boato” porque assim vai ativar uma busca de serviços de checagem e pode ser que tenham analisado essa informação. A maioria das informações falsas circula pelo whatsapp que é uma rede do afeto. A gente costuma dar credito a pessoas de quem somos próximos. Mas esse não é um bom critério. O bom critério são as fontes jornalísticas e pesquisar muito a informação que recebeu no google antes de repassar. Sobre imagens, a dica é arrastar a imagem para a busca do google e verificar a origem”, explicou Ratier.

O Código Civil prevê a punição por injúria, calunia e difamação. Além disso, a lei eleitoral de 2019 proíbe conteúdo difamatório em ano eleitoral. O problema é que notícia falsa normalmente não tem dono.

Sobre a Hora do Planeta
O movimento promovido desde 2007 pelo WWF, surgiu em Sydney (Austrália) e se tornou um dos maiores eventos sobre meio ambiente do mundo, inspirando indivíduos, comunidades, empresas e organizações em mais de 180 países e territórios a tomar ações ambientais efetivas. Cada pessoa e cada setor da sociedade (empresas, governos, comunidade acadêmica e sociedade civil em geral) têm papel fundamental para promover as transformações que o planeta precisa. 

Historicamente a Hora do Planeta se concentrou nas mudanças climáticas, mas, mais recentemente, abrange outras questões relacionadas ao meio ambiente, incluindo a permanente perda da natureza.
Captura de tela da transmissão ao vivo
© WWF-Brasil Enlarge
A programação aconteceu durante a Hora do Planeta
© WWF-Brasil Enlarge
DOE AGORA
DOE AGORA