Conservação de botos no Brasil, Colômbia, Equador e Peru chega mais perto de um plano regional | WWF Brasil

Conservação de botos no Brasil, Colômbia, Equador e Peru chega mais perto de um plano regional



22 junho 2020    
O endosso da comissão científica da CBI é um marco importante para a SARDI, iniciativa composta por Faunagua, Fundação Omacha, Instituto Mamirauá, Prodelphinus, Solinia, WWF e outras organizações.
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Boa notícia para a conservação de botos na América do Sul! Após expedições científicas e análises de dados em busca de mais informações sobre os cetáceos de rio da Amazônia, a Iniciativa dos Botos da América do Sul (SARDI) está celebrando mais um passo em direção ao desenvolvimento de um Plano de Manejo da Conservação (CMP, da sigla em inglês).

O CMP regional auxiliará na proteção dos botos nos rios Amazonas, Orinoco, Tocantins e Araguaia, que cobrem Brasil, Colômbia, Equador e Peru.

“Esses animais enfrentam uma infinidade de ameaças, incluindo captura acidental e mortalidade em redes de pesca, caça direcionada, perda de habitat, poluição, impactos das mudanças climáticas e distúrbios sonoros”, explica Andrea Ramírez, diretora de Assuntos Marinhos e Costeiros e Recursos Aquáticos do Ministério do Meio Ambiente da Colômbia.

Ramírez apresentou a proposta ao Comitê Científico da Comissão Baleeira Internacional (CBI) e destacou o apoio recebido pelas organizações da sociedade civil dos quatro países que integram o SARDI.

Trabalho regional é imprescindível para a conservação dos botos

A Comissão Baleeira Internacional é a mais importante instituição científica internacional em se tratando de cetáceos, sendo responsável pela regulamentação relacionada a esses animais. Assim, o endosso da comissão científica da CBI é um marco importante para o SARDI, iniciativa composta por Faunagua, Fundação Omacha, Instituto Mamirauá, Prodelphinus, Solinia, WWF e outras organizações.

A Iniciativa realizou um extenso trabalho, incluindo estimativas de abundância e monitoramento por satélite de botos no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Membros de SARDI chamam a atenção para o perigo de ameaças como a construção de barragens hidrelétricas, que afetam a conectividade dos rios e, portanto, os movimentos dos animais. Os resultados desses estudos foram fundamentais para o desenvolvimento do CMP, que foi reconhecido pelo comitê científico da CBI como uma cooperação verdadeiramente regional.

Fernando Trujillo, diretor da Fundação Omacha e membro do Comitê Científico da CBI, disse que o CMP chega em um momento importante: há um ano a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) recategorizou os botos do rio Amazonas como ameaçados de extinção, o que destaca a urgência para que sejam implementadas ações para sua conservação.

Trujillo acrescentou a importância da coordenação política e legislativa a ser alcançada entre os quatro países, promovendo ações conjuntas que permitam contrariar fatores que ameaçam a sobrevivência dessas espécies, como contaminação por mercúrio, desmatamento e perda de conectividade fluvial.

“É notável que, em tempos de pandemia, quatro países continuaram trabalhando juntos e articularam ações para garantir a sobrevivência dos botos no continente, uma vez que também serão implementados os planos de envolver parceiros na Bolívia e na Venezuela”, disse Saulo Usma, especialista em Água Doce do WWF-Colômbia.

Espera-se que esta proposta avance rapidamente no processo de desenvolvimento no segundo semestre de 2020, para que a fase de implementação possa ser iniciada. Este Plano de Manejo representa um grande desafio, pois a área geográfica onde será implementada corresponde a três bacias hidrográficas com aproximadamente 9 milhões de km².

Preocupação com o comércio ilegal de piracatinga na região

Os membros do SARDI e outras organizações científicas apresentaram uma atualização sobre o status da pesca de piracatinga na região ao subcomitê de Pequenos Cetáceos da CBI. O comércio dessa espécie, conhecido como piracatinga (no Brasil), mota (no Peru, Colômbia) ou blanquillo (na Bolívia), exerce pressão sobre os botos, uma vez que os cetáceos são capturados em algumas regiões para serem usados ​​como isca nessa pescaria.

Especialistas chamaram a atenção para vários aspectos. Existem evidências de que a piracatinga está sendo movida ilegalmente para a Colômbia. A Autoridade Nacional de Aquicultura e Pesca já realizou várias apreensões, cerca de 1.500 kg, até agora neste ano na área de fronteira", explicou Fernando Trujillo.

O coordenador de SARDI, Marcelo Oliveira, acrescenta que no Peru há evidências de captura de piracatinga com o uso de botos como isca, bem como na Bolívia e na Venezuela (no rio Orinoco).

A moratória da pesca e comercialização de piracatinga no Brasil, para impedir a matança de botos de rio, terminou em janeiro deste ano. Entretanto, será restaurada por um ano, a partir de 1º de julho de 2020. Além disso, a Colômbia mantém uma proibição do comércio de piracatinga, principalmente devido aos altos níveis de contaminação por mercúrio nesses peixes. Nesse sentido, uma das conclusões da CIB é que todos os governos devem trabalhar para alinhar estratégias regulatórias nas fronteiras que permitam que o comércio de piracatinga não seja feito usando botos como isca.

Da mesma forma, as recomendações feitas para a pesca de piracatinga estão alinhadas com o plano de conservação de botos apresentado pelos governos da Colômbia, Brasil, Equador e Peru e que receberam o endosso da CBI por meio de seu comitê científico. A aprovação do CMP ainda está pendente. Para isso, os comissários dos governos, SARDI e outras instituições participantes contarão com o apoio de um Grupo Intersecional da CIB para revisão e refinamento de algumas das ações sugeridas no plano de conservação.

Para saber mais sobre a conservação dos botos

Se você quer conhecer mais sobre a Iniciativa dos Botos da América do Sul (SARDI) e o trabalho de conservação dos botos, não perca as três transmissões ao vivo que fizemos na página do WWF Amazônia no Facebook.

A primeira, realizada no dia 16 de junho e disponível para assistir aqui, teve a participação do coordenador da Iniciativa, Marcelo Oliveira, do fotógrafo Adriano Gambarini e de Miriam Marmontel, do Instituto Mamirauá. O tema da primeira conversa foi sobre como a pandemia de Covid-19 tem impactado o trabalho de conservação ambiental.

Já a segunda transmissão tratou da importância de conservação desses animais para a saúde dos ecossistemas de água doce. Participaram do bate-papo Lila Sainz, do WWF-Bolívia, Aimée Leslie, do WWF-Peru, Jessica Pacheco e Maria Vallejo, ambas do WWF-Equador. Esta transmissão, realizada em 17 de junho, está disponível para assistir aqui.

Por fim, no dia 18 de junho, foi realizada a terceira e última conversa, entre Saulo Usma e Verônica Téllez, do WWF-Colômbia, e Fernando Trujillo, da Fundação Omacha, integrante da Iniciativa SARDI. Também participaria da conversa Miriam Marmontel, do Instituto Mamirauá, mas ela ficou sem conexão no dia. A conversa, sobre a relação entre os rios da Amazônia, as espécies de botos e nossa saúde, está disponível para assistir aqui.

Mais informações sobre a Iniciativa dos Botos da América do Sul (SARDI) você encontra no site www.river-dolphins.com.
O endosso da comissão científica da CBI é um marco importante para a SARDI, iniciativa composta por Faunagua, Fundação Omacha, Instituto Mamirauá, Prodelphinus, Solinia, WWF e outras organizações.
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O Plano de Manejo representa um grande desafio, pois a área geográfica onde será implementada corresponde a três bacias hidrográficas com aproximadamente 9 milhões de km².
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Espera-se que a proposta avance rapidamente para que a fase de implementação possa ser iniciada o quanto antes.
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Os botos são ameaçados, principalmente, pela construção de barragens hidrelétricas, que afetam a conectividade dos rios e, portanto, os movimentos dos animais.
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Para chegar à proposta, a Iniciativa SARDI realizou um extenso trabalho, incluindo estimativas de abundância e monitoramento por satélite de botos no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.
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Para aproximar as pessoas da conservação dos botos, três transmissões ao vivo foram realizadas no Facebook WWF Amazonia. A primeira delas contou com a participação do coordenador da Iniciativa, Marcelo Oliveira, do fotógrafo Adriano Gambarini e de Miriam Marmontel, do Instituto Mamirauá.
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Na segunda transmissão, Lila Sainz, do WWF-Bolívia, Aimée Leslie, do WWF-Peru, Jessica Pacheco e Maria Vallejo, ambas do WWF-Equador falaram sobre a necessidade de conservação dos botos para a saúde dos ecossistemas de água doce.
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Na terceira e última conversa, Saulo Usma e Verônica Téllez, do WWF-Colômbia, e Fernando Trujillo, da Fundação Omacha, falaram sobre a relação entre os rios da Amazônia, as espécies de botos e nossa saúde.
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