Projeto 'Amazônia Indígena - Direitos e Recursos' anuncia apoio a grupos de MT, RO e PA



11 março 2022    
Na Associação Bebô Xikrin do Bacajá, mulheres Xikrin produzem artesanatos para todas as 20 aldeias da Terra Indígena Trincheira Bacajá, no
© Associação Bebô Xikrin do Bacajá
Serão beneficiadas 391 famílias, que vão implementar projetos socioeconômicos baseados em ativos da Floresta Amazônica

Por WWF-Brasil 


Para fortalecer a economia florestal desenvolvida por povos indígenas e comunidades tradicionais, sete iniciativas econômicas indígenas localizadas nos estados do Mato Grosso, Rondônia e Pará vão implementar projetos socioeconômicos baseados em ativos da Floresta Amazônica. A convocação e seleção dessas iniciativas foi realizada através do projeto Amazônia Indígena: Direitos e Recursos (AIRR), uma parceria entre WWF Brasil, NESsT, organizações indígenas, organizações  locais e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

As sete iniciativas econômicas indígenas beneficiam 391 famílias que desenvolvem atividades nos setores de artesanato, moda sustentável, colheita de castanha-do-Brasil e utilização de  sementes. Eles foram selecionados pelo Comitê de Economia Indígena do projeto AIRR, um grupo de governança formado por representantes da COIAB, OPAN, FEPIPA, FEPOIMT, ICV, WWF e NESsT 

As organizações receberão até R$ 40.000 de investimento, um ano de assistência técnica em negócios e apoio para mensuração de impacto socioambiental, acesso às redes da NESsT e dos parceiros.  

“As iniciativas selecionadas receberão orientação de negócios sob medida, treinamento técnico e financiamento, ajudando-as a se expandir para novos mercados, fortalecendo a comercialização de seus produtos em cadeias de valor sustentáveis”, explica Marissa Renaud, Gerente de Portfólio NESsT.

O projeto visa promover o desenvolvimento local e a proteção das florestas, como explica Gabriela Yamaguchi, diretora de Engajamento do WWF-Brasil:

“Sabemos que a proteção das florestas e o futuro do planeta só são possíveis com a valorização dos saberes dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Oferecer condições de manutenção dessas culturas é reconhecer o protagonismo dos povos originários nas soluções socioeconômicas para a convivência harmônica entre sociedade e natureza e, assim, enfrentar a crise climática."


Ana Cláudia Moura, líder do projeto Amazônia Indigena: Direitos e Recursos, no qual está inserido o edital, afirma que a ação tem como objetivo melhorar a participação dos povos indígenas no desenvolvimento sustentável da Amazônia. “O projeto busca apoiar iniciativas econômicas indígenas que mantenham a floresta em pé e tragam benefícios para a comunidade. Estes apoios são potenciais instrumentos de transformações sociais, que podem fortalecer comunidades locais e  promover a conservação da biodiversidade, ressalta”.

Iniciativas Econômicas Indígenas selecionadas:

  • Associação Indígena Xavante Ripá de Produtividade e Etno-desenvolvimento - AIXRPE  (Canarana/MT): realiza coleta, beneficiamento, armazenamento, transporte e comercialização de sementes. Promove ainda o reflorestamento do Cerrado na Terra Indígena Pimentel Barbosa.
  • Associação Indígena Kawaiwete (Juara/MT)): A base econômica desta comunidade se concentra na coleta e venda de castanha-do-Brasil. Pretendem desenvolver técnicas de apoio e suporte desde as atividades primárias até o produto final e, ao mesmo tempo, realizar seu aperfeiçoamento.
  • Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí - COOPAITER (Cacoal/MT e Rondolândia/RO): os cooperados e outros indígenas trabalham com a produção e venda da castanha in natura, de café especial fermentado e não-fermentado, além de banana e artesanato.
  • Instituto Munduruku (Juara/MT): desenvolve duas principais cadeias de valor nesta região: a castanha-do-Brasil e o açaí. Pretende desenvolver o processo de manufatura, que vai desde a coleta, a embalagem e o comércio. O trabalho ainda se expande para outras cadeias como o Babaçu e o Palmito, em cooperação com associações e comunidades indígenas da região, além de fortalecimento comunitário e defesa do território.
  • Associação Bebô Xikrin do Bacajá (Altamira/PA): mulheres Xikrin produzem artesanatos para todas as 20 aldeias da Terra Indígena Trincheira Bacajá e aperfeiçoam as peças feitas nas novas aldeias. Além de castanha, óleos de babaçu e cumaru, produzem pulseiras de miçangas, camisetas com grafismo, tecidos e bolsas com grafismo.
  • Associação de Moradores Agroextrativistas e Indígenas do Tapajós - AMPRAVAT (Santarém/PA):  trabalham com produtos amazônicos por meio do manejo agroecológico em quintais, roças e florestas. Trabalham ainda com a diversidade oferecida pela mandioca, plantas não convencionais (PANCs) e alternativas de usos de frutos amazônicos, por meio de geléias, caldas e doces, molhos e conservas a partir de cogumelos nativos - URUBÉ.
  • Casa de Cultura Karajá (São Félix do Araguaia/MT): produtores de artesanato em madeira, cerâmicas e Palhas de buriti. Dentre os  artesanatos produzidos pela Etnia Karajá, estão: remo tradicional, borduna, arco e flecha, ritxoko (bonecas de cerâmicas) de lendas, potes e panelas de cerâmica tradicional, colares, brincos e pulseiras de miçanga, banco tradicional de madeira, cestaria de palha de babaçu e buriti dentre outros.

Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma organização da sociedade civil brasileira que há 25 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática. Conheça: wwf.org.br

Sobre a NESsT

A NESsT investe em empreendimentos sociais que criam empregos de qualidade para comunidades vulneráveis, ao mesmo tempo que sustentam o planeta. A NESsT levanta capital filantrópico e de investimento de impacto para apoiar as comunidades que enfrentam isolamento, discriminação e falta de qualificação profissional ou educação. Desde o seu lançamento, a organização treinou mais de 21.000 empreendedores, apoiou mais de 1.200 empresas sociais e investiu em cerca de 200, que criaram mais de 70.000 empregos de qualidade, beneficiando 700.000 indivíduos vulneráveis em países emergentes.

Sobre a USAID

USAID é a principal agência de desenvolvimento internacional do mundo, um dos principais atores na condução e promoção do desenvolvimento global e da resiliência dos beneficiários. Mais informações sobre a USAID: https://www.usaid.gov/

 
Na Associação Bebô Xikrin do Bacajá, mulheres Xikrin produzem artesanatos para todas as 20 aldeias da Terra Indígena Trincheira Bacajá, no
© Associação Bebô Xikrin do Bacajá Enlarge
Na COOPAITER, os cooperados e outros indígenas trabalham com a produção e venda da castanha in natura, de cafe.
© Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí Enlarge
Na Associação Bebô Xikrin do Bacajá, mulheres Xikrin produzem artesanatos para todas as 20 aldeias da Terra Indígena Trincheira Bacajá, no Pará
© Associação Bebô Xikrin do Bacajá Enlarge
Na COOPAITER, os cooperados e outros indígenas trabalham com a produção e venda da castanha in natura, de café
© Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí Enlarge
Na COOPAITER, os cooperados e outros indígenas trabalham com a produção e venda da castanha in natura, de café
© Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí Enlarge
Mulheres coletoras da Aldeia Ripá
© Associação Indígena Xavante Ripá de Produtividade e Etno-desenvolvimento Enlarge
Na Associação Bebô Xikrin do Bacajá, mulheres Xikrin produzem artesanatos para todas as 20 aldeias da Terra Indígena Trincheira Bacajá, no Pará
© Associação Bebô Xikrin do Bacajá Enlarge
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