Nota de posicionamento sobre operação da PF contra MMA e Ricardo Salles

19 maio 2021

Esperamos que essa operação possa representar um ponto de inflexão nos excessos do Ministério do Meio Ambiente em favor dos agentes de destruição ambiental no país
Por WWF-Brasil

A operação da Polícia Federal deflagrada nesta quarta-feira (19/05) tendo por alvo o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, empresários do ramo madeireiro e servidores públicos, entre eles o presidente do Ibama, Eduardo Bim, é um desdobramento que não surpreende em uma democracia, em que ninguém está acima da Lei e onde os três Poderes agem para se equilibrar mutuamente.

Desde o início da gestão Bolsonaro, o WWF-Brasil e outras organizações da sociedade civil têm denunciado o profundo desmonte das políticas e instituições construídas para proteger o meio ambiente e  a qualidade de vida dos brasileiros, o que vem favorecendo o aumento de atividades ilegais em todo o país, mas sobretudo na Amazônia. Uma evidência é o desmatamento ilegal recorde ocorrido nos últimos dois anos, inclusive dentro de terras indígenas e unidades de conservação, o qual vem sendo impulsionado por grileiros, madeireiros e garimpeiros certos não só da impunidade imediata, mas sobretudo da possibilidade de futura legalização por meio de projetos de lei apoiados pelo Presidente da República.  

Esse retrocesso e o consequente avanço da ilegalidade tem gerado uma repercussão extremamente negativa no exterior, notadamente entre empresas e mercados alinhados aos desafios da preservação da biodiversidade e do combate à crise climática, com potenciais efeitos nefastos sobre as exportações brasileiras.

Nesse contexto, a operação da Polícia Federal não é uma surpresa, embora devamos, num Estado Democrático de Direito, aguardar o desenrolar das investigações para avaliar se de fato,nesse caso, houve corrupção e, dentre a lista de servidores públicos envolvidos, na qual se inclui o Ministro de Estado e o Presidente do IBAMA, quais realmente teriam responsabilidade por ação ou omissão. De qualquer forma, esperamos que  essa operação possa representar um ponto de inflexão nos excessos do Ministério do Meio Ambiente em favor dos agentes de destruição ambiental no país.

 
Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente
© Palácio do Planalto/Wikimedia Commons
DOE AGORA
DOE AGORA