Como reciclar o lixo doméstico



27 dezembro 2020    
A questão do tratamento de resíduos no Brasil é complexa e desafiadora
© Shutterstock
Mesmo nas cidades onde não há coleta seletiva, é importante destinar corretamente os resíduos 

Por Taís Meireles 


Mesmo quem está tentando reduzir seu impacto no planeta acaba produzindo resíduos. Por isso queremos te ajudar a aprender de uma vez por todas a separar o seu lixo doméstico, para que ele tenha menos impacto e possa ser destinado da melhor maneira possível. 

O primeiro passo é entender que não existe “jogar fora”. Tudo que vai para a lixeira em casa, depois é encaminhado para algum lugar. Em geral, aprendemos a separar nossos resíduos apenas em “recicláveis” e “não recicláveis”, mas dentro desta segunda categoria existem outras que são muito importantes de serem diferenciadas.  

Além dos recicláveis, existem os resíduos orgânicos (ou molhados), os resíduos especiais e os rejeitos. Vamos explorar cada um deles? 

Resíduos recicláveis  
Também conhecidos como lixo seco, os resíduos recicláveis são compostos por itens limpos e secos feitos de papel, plástico, vidro ou metal. Ou seja, uma garrafa PET de refrigerante é um item reciclável, desde que seja limpa e seca. Não precisa lavar com sabão, mas passar uma água e depois deixar todos os itens recicláveis para secar é fundamental. 

Entram nesta categoria embalagens de alimentos industrializados, revistas, latinhas, embalagens plásticas de shampoo, sacolas plásticas, papelão, tampinhas, etc. No caso de vidros quebrados, é importante colocar os cacos em uma garrafa fechada ou embalá-los em papel de jornal ou revista, para prevenir cortes em quem terá de lidar com o resíduo. 

Mesmo em cidades onde não há coleta seletiva, é importante separar este tipo de resíduos para ajudar o trabalho de cerca de 800 mil catadores que atuam no país. Pelo aplicativo Cataki, você consegue ajudar esses trabalhadores autônomos a terem mais dignidade. Outra opção é o site eCycle, que tem mais de 8 mil postos de descarte cadastrados, tanto para os recicláveis quanto para os resíduos especiais, em todo o país.

Resíduos orgânicos (ou molhados)  
Quase metade dos resíduos produzidos em casa são orgânicos. Ou seja, restos de comida, como talos, cascas e bagaços. Quando este tipo de resíduo vai para a lixeira comum, ele chega ao aterro sanitário, onde gera metano, um gás 23 vezes mais poluente que o CO2. 

A alternativa é diminuir ao máximo o desperdício de alimento e transformar os resíduos orgânicos em adubo por meio da compostagem. Você pode fazer a sua própria composteira em casa seguindo este passo a passo ou, se preferir, terceirizar o serviço. Na maioria das grandes cidades existem hoje empresas que oferecem a compostagem em troca de uma mensalidade. Se isso não for viável, use sacos biodegradáveis de bioplástico para que, quando os resíduos molhados cheguem ao aterro, possam se decompor fora de sacos plásticos feitos de petróleo. 

Resíduos especiais 
Dentro desta categoria, estão resíduos que não são recicláveis, mas que também não podem ser encaminhados para o lixo comum porque envolvem algum tipo de risco para quem os manuseia. Veja alguns exemplos abaixo. 
  • Pilhas e baterias: Não podem ser recicladas nem descartadas no lixo comum porque possuem metais pesados. Procure um PEV (Ponto de Entrega Voluntária) próximo a você para o descarte correto. 
  • Lâmpadas: Também possuem gases tóxicos e devem ser encaminhadas a um PEV. Em geral, lojas que vendem este produto encaminham para o descarte adequado. 
  • Eletrônicos: Como também possuem metais pesados, precisam ir a um PEV. Aqui entram aparelhos eletrônicos antigos ou fios, carregadores e afins. 
  • Medicamentos: Como possuem contaminantes, não podem ir para o lixo comum. Caixas e bulas de remédios podem ir para o lixo reciclável, mas as embalagens que entram em contato com o medicamento, assim como remédios vencidos, precisam ser descartadas em farmácias ou postos de saúde. O mesmo vale para agulhas, seringas e outros instrumentos médicos usados. 
Rejeitos  
Por fim, o rejeito é o que não é possível reciclar, compostar ou dar uma destinação apropriada. Nesse caso, vai para o aterro mesmo, mas corresponde a apenas 10% dos resíduos produzidos em casa. Entram nesta categoria poeira de casa, papéis higiênicos usados, fraldas descartáveis, absorventes, camisinhas, etc.  

Também entram aqui os resíduos de materiais recicláveis, mas que ficam muito sujos ou contaminados para serem reciclados, como uma caixa de papelão de pizza suja de gordura, uma lata de tinta, um pote de vidro com restinho de esmalte, etc. 

A questão do tratamento de resíduos no Brasil é complexa e desafiadora. É necessária mais atuação dos governos municipais, assim como responsabilização das empresas para garantir logística reversa para seus produtos. Mas o que cada um de nós pode fazer hoje é separar corretamente seus resíduos e, na medida do possível, encaminhá-los para a reciclagem. #JuntosÉPossível termos um planeta mais sustentável.  
A questão do tratamento de resíduos no Brasil é complexa e desafiadora
© Shutterstock Enlarge
Mesmo onde não há coleta seletiva, este tipo de resíduos ajuda cerca de 800 mil catadores que atuam no país
© Shutterstock Enlarge
Quase metade dos resíduos produzidos em casa são orgânicos
© Shutterstock Enlarge
São aqueles resíduos que envolvem algum tipo de risco para quem os manuseia
© Shutterstock Enlarge
Rejeito é o que vai para o aterro. Apenas 10% dos resíduos produzidos em casa tem esse destino
© Shutterstock Enlarge
DOE AGORA
DOE AGORA