Mudanças Climáticas e seus Impactos nas Minorias



02 abril 2020    
Painel de Mudanças Climáticas e seus Impactos nas Minorias
Mudanças Climáticas e seus Impactos nas Minorias foi parte da programação do Festival Digital Hora do Planeta
© WWF-Brasil
É fundamental ampliar discussões e debates para incluir a população mais afetada.
 
Por Thaís Gabrielle
*Sob supervisão de Bruna Cenço

 
Falta de planejamento urbano, condições precárias de moradia, saneamento básico e saúde. Tudo isso aliado à dificuldade de acesso a renda e a eventos extremos cada vez mais intensos e frequentes. Como é possível ver, a luta por uma melhor qualidade de vida passa obrigatoriamente pela questão ambiental, mas como as populações vulneráveis estão lidando com o assunto? Esse foi o tema do painel Mudanças Climáticas e seus Impactos nas Minorias, realizado sábado, dia 28, durante o Festival Digital Hora do Planeta.
O evento completo, que teve duração de doze horas, contou com painéis, webinars, bate-papos e lives. Veja a programação completa aqui.
Para a discussão de clima e minorias, estiveram presentes Renata Camargo, especialista em políticas climáticas do WWF-Brasil; Adriana Terra, editora do portal ECOA, do UOL; e Paula Rodrigues, repórter de questões sociais e meio ambiente. Durante um bate-papo de cerca de meia hora, elas dividiram experiências e debateram possibilidades de tornar a discussão mais acessível para esta parte da população que é a mais afetada pelos efeitos climáticos.
Renata abriu a conversa trazendo a parte técnica, de que podemos olhar a crise climática sobre duas vertentes: a de mitigação – que é como podemos reduzir a emissão de gases de efeito estufa, com redução do desmatamento, por exemplo – e a de adaptação, que se relaciona diretamente com a qualidade de vida das pessoas e que também precisa ser endereçada de maneira urgente.
“O cenário do aquecimento global está se tornando cada vez mais extremo. Então, como se adaptar às ondas de calor, às enchentes cada vez mais frequentes? A infraestrutura e nossas políticas públicas precisam responder a esses cenários”, apontou a especialista do WWF-Brasil.
Paula Rodrigues, por sua vez, refletiu sobre a importância da representatividade do discurso ambiental, já que muitas vezes as soluções trazidas por especialistas não conversam com a realidade social das pessoas no Brasil. Para ela, é preciso falar com os mais afetados e ouvir o que eles têm de experiência, sem querer impor soluções importadas de outros contextos.
“Durante minhas entrevistas, percebi que as comunidades indígenas e quilombolas estão falando sobre meio ambiente há muito tempo, e nós, muitas vezes, não damos espaço para esse debate. Isso me trazia muito desconforto. Todos os especialistas que eu via discutindo pautas ambientais e o futuro das minorias eram pessoas brancas e ricas, e quem está nos quilombos e periferias pouco falava. Então, comecei a identificar essas vozes e a conversar com elas para descobrir e saber quais são os melhores jeitos de trazer isso para a vida delas”, comentou Paula.



Ao longo da conversa, as painelistas citaram diferentes exemplos de iniciativas ambientais que já acontecem nas periferias. São projetos que começam pequenos, mas que impactam positivamente toda uma comunidade, como ressaltou Adriana Terra:
“Uma coisa muito importante nesse debate é a ideia de coletividade. Muitas soluções para populações vulneráveis e periferias envolvem o coletivo, por questão de sobrevivência. É a noção de que está tudo junto e que a gente se afeta”, comentou a editora do ECOA/UOL.
Divulgar e fortalecer essas iniciativas, promover as lideranças ambientais dentro das comunidades e investir em educação climática foram algumas das oportunidades levantadas para democratizar a discussão e fazer com que as questões ambientais sejam incorporadas pelas minorias, instigando a busca por soluções realistas e eficientes.
A questão do voto consciente e o acompanhamento dos representantes eleitos foi outro ponto bastante falado, tanto para cargos altos quanto para líderes de comunidade.
“Temos que pensar no olhar do candidato, quais são as posições dele quanto ao lixo – que está extremamente conectado à vida nas cidades -, ao saneamento básico, à coleta seletiva, quais são os planos de adaptação, políticas públicas, como ele vê as questões de ordenamento territorial e o que ele traz de soluções. Fazer esse exercício democrático é fundamental”, completou Renata.
Painel de Mudanças Climáticas e seus Impactos nas Minorias
Mudanças Climáticas e seus Impactos nas Minorias foi parte da programação do Festival Digital Hora do Planeta
© WWF-Brasil Enlarge
Renata Camargo, especialista em políticas climáticas do WWF-Brasil.
Renata Camargo, especialista em políticas climáticas do WWF-Brasil
© Renata Camargo Enlarge
Paula Rodrigues, repórter de questões sociais e meio ambiente
Paula Rodrigues, repórter de questões sociais e meio ambiente
© Paula Rodrigues Enlarge
Adriana Terra, editora do portal ECOA, do UOL.
Adriana Terra, editora do portal ECOA, do UOL
© ECOA/UOL Enlarge
Painel de Mudanças Climáticas e seus Impactos nas Minorias.
Painel de Mudanças Climáticas e seus Impactos nas Minorias
© WWF-Brasil Enlarge
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