Um dia todo conectado ao planeta em Noronha



05 abril 2018    
820 kg de lixo foram retirados do Porto Santo Antônio
© WWF-Brasil/ Fabio Borges
Por Juliana Marinho

Tudo começou com um café da manhã no Porto Santo Antônio, praia escolhida para a limpeza de praia. No porto se acumula grande quantidade de resíduos sólidos por conta do alto fluxo de pessoas. Os 80 voluntários que participaram da ação recolheram 820kg de resíduos, entre cordas, sucata metálica de ferro e aço, microplásticos (tampas de garrafas, creme dental, fragmentos de peças plásticas), resíduos de embalagens de bebidas (PET, alumínio), sacolas plásticas, isopor e linhas de nylon.
 
Parte expressiva do material coletado não veio do oceano, mas foi deixado ali incorretamente pelas pessoas que frequentam a praia.. O destaque foi para os alunos da Escola Arquipélago que, com sua alegria e proatividade, ajudaram os adultos no trabalho, que foi, além de colaborativo, bem divertido. Renizete Marcelino, a Dona Lizete, moradora querida e antiga da ilha, encerrou a atividade convocando todos a fazerem a sua parte: “Vamos manter a nossa ilha limpa! Isso depende de nós”, disse no megafone. Algumas ecobags (sacolas retornáveis de uso prolongado) foram distribuídas para que os moradoresa ideia é construir novos hábitos, trocando as sacolas plásticas pelas retornáveis.
 
“A gestão do dito ‘lixo’ em Fernando de Noronha é um dos problemas ambientais mais sérios da Ilha, apesar de a administração distrital empreender grandes esforços e alocar vultosa parcela dos recursos financeiros na adequada destinação dos restos gerados por moradores e turistas”, analisa Mateus Mendonça, consultor do WWF-Brasil especialista em resíduos sólidos. Em sua avaliação, há três principais desafios para a ilha:
  • A diminuição da geração de resíduos
  • A separação dos diferentes tipos de resíduos (recicláveis, compostáveis e rejeitos) na fonte
  • A coleta diferenciada por tipo de materiais.
“Somam-se a esses desafios a Educação Ambiental dos cidadãos, sejam moradores permanentes, temporários ou turistas”, diz. Os altos custos de logística para transportar os materiais recicláveis de volta ao continente adicionam especial complexidade à questão.
 
Apesar dos desafios, grupos da comunidade, agentes locais públicos, privados e do terceiro setor estão alertas ao problema e engajados para, mais uma vez, tentar mudar a cultura de relacionamento com o que ainda chamamos de “lixo”.
 
“Não basta ser uma ação pontual. É preciso estabelecermos um processo contínuo de conscientização rumo a uma Noronha Lixo Zero”, completa Mateus.
 
As ações de limpeza de praia como essa marcam o início do apoio do WWF-Brasil à Campanha Mares Limpos, da ONU, que durante cinco anos (2017-2021) terá ações para conter a maré de plásticos que invade os oceanos. “Os oceanos são responsáveis por 54,7% de todo o oxigênio da Terra, produzido pelas algas marinhas, temos que garantir que eles continuem saudáveis para desempenharem integralmente seu papel”, afirma Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil. Antes do mutirão em Noronha houve outra limpeza na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ) e, em seguida, serão realizadas duas ações simultâneas no dia 14 de abril, em Recife (PE) e na Baía de Guanabara (RJ).
 
Essas também são as primeiras ações de limpeza de praias que a marca OMO, da Unilever, está patrocinando. A iniciativa da marca é criar uma linha com os compromissos da companhia, dentre eles, o de ter 100% de suas embalagens plásticas reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2025.
 
Logo após o mutirão de Noronha, em 24 de março, houve o batismo da canoa havaiana Ohana Imua, que chegou há pouco tempo em terras noronhenses. O ritual, que conecta alma, natureza e o desejo de bons fluidos para a canoa deu o tom emotivo ao evento.
 
À noite, foi a vez de uma caminhada noturna na ponta do Air France, com direito a observação de estrelas exatamente durante a Hora do Planeta. O grupo Noronha nas Estrelas, de estudantes e professores da Escola Arquipélago, deram um show explicando sobre as constelações e as estrelas, além de fazerem a plateia se deliciar com uma viagem guiada pela via láctea e outras galáxias.
 
O WWF-Brasil contou com outros parceiros que tornaram essa atividade possível, como o ICMBio, a Associação de Condutores da ilha, a Acitur, a Econoronha e a Imua. Obrigado a todos que participaram!

820 kg de lixo foram retirados do Porto Santo Antônio
© WWF-Brasil/ Fabio Borges Enlarge
Observação das estrelas na ponta do Air France na Hora do Planeta
© WWF-Brasil/ Johnson Silva Enlarge
DOE AGORA
DOE AGORA