Pegada ecológica de Natal | WWF Brasil

Pegada ecológica de Natal



17 março 2017    
Pegada ecológica de Natal
© WWF-Brasil
A Pegada Ecológica é uma metodologia utilizada para medir os rastros que nós deixamos no planeta com base em nossos hábitos de consumo. O cálculo já é feito para os países e, agora, começa a ser ampliado para um nível mais local, para as cidades e os estados. O objetivo do trabalho não é somente calcular a Pegada Ecológica, mas estabelecê-la como uma ferramenta de gestão ambiental regional e urbana.

Esse cálculo é uma parte fundamental desse processo. Porém para dar sentido ao indicador, a população deve ser mobilizada para compreender seu significado e desenvolver – com base na discussão dos resultados – estratégias de mitigação em conjunto com os setores público e privado. Desta forma, o cálculo não se restringirá a um exercício de contabilidade ambiental, mas funcionará como uma ferramenta para estimular a população a rever seus hábitos de consumo e escolher produtos mais sustentáveis, além de estimular empresas a melhorarem suas cadeias produtivas.

A Pegada Ecológica de um país, estado, cidade ou pessoa corresponde ao tamanho das áreas produtivas terrestres e marinhas necessárias para sustentar determinado estilo de vida. É uma forma de traduzir, em hectares, a extensão de território que uma pessoa ou uma sociedade utiliza para morar, alimentar-se, locomoverse, vestir-se e consumir bens de consumo em geral. É importante ressaltar que é considerado, para esse cálculo, o impacto do consumo sobre os recursos naturais renováveis.

No âmbito da “Família de Pegadas”, a Pegada Ecológica difere dos outros dois métodos – a Pegada Hídrica e a Pegada de Carbono – no que diz respeito à sua abrangência de análise. Enquanto a Pegada Ecológica avalia o impacto do consumo de forma mais abrangente sobre a biosfera, a Pegada Hídrica relaciona o impacto sobre os recursos hídricos e sobre uma cadeia produtiva específica. Este enfoque é também uma característica da Pegada de Carbono, que analisa a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) de uma atividade ou de um processo produtivo.

A Pegada Ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais. Expressa em hectares globais (gha), permite comparar diferentes padrões de consumo e verificar se eles estão dentro da capacidade ecológica do planeta. Um hectare global é um hectare de produtividade média mundial para terras e águas produtivas em um ano. A biocapacidade, por sua vez, representa a capacidade dos ecossistemas em produzir recursos naturais renováveis para o consumo humano e absorver os resíduos gerados pelas atividades da população.

O objetivo principal da Pegada Ecológica é verificar se o consumo e a biocapacidade estão em equilíbrio. Sendo assim, a Pegada Ecológica compara a biocapacidade descrita por vários recursos ecológicos (agricultura, pastagem, florestas, pesca, área construída, energia, biocapacidade e área necessária para a absorção de dióxido de carbono) com diferentes classes de consumo (alimentos, moradia, mobilidade e transporte, bens e serviços, governo e infraestrutura).

As decisões cotidianas tomadas nas diferentes classes de consumo geram um impacto sobre a biocapacidade. Atualmente, a média da Pegada Ecológica mundial é de 2,7 hectares globais por pessoa, enquanto a biocapacidade disponível para cada ser humano é de apenas 1,8 hectare global. Isso coloca a humanidade em grave déficit ecológico de 0,9 gha/cap, ou, expressando de outra forma, a humanidade consome um planeta e meio, excedendo, assim, a capacidade regenerativa do planeta em 50%.

Desde meados da década de 1980, a humanidade passou a consumir mais do que o planeta naturalmente oferece e se mantém acima do limite de um planeta necessário desde então. Projeções para 2050 apontam que, se continuarmos procedendo dessa forma, necessitaremos de mais de dois planetas para manter nosso padrão de consumo. A Pegada Ecológica brasileira é de 2,9 hectares globais por habitante. Isso indica que o consumo médio de recursos ecológicos pelo brasileiro está bem próximo da Pegada Ecológica mundial.
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