Potencial da Energia Renovável no Acre



05 dezembro 2016    
Sumário Executivo - Potencial de Aproveitamento de Energia no Acre
© WWF-Brasil
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Em um dos extremos do Brasil, na fronteira com a Bolívia e o Peru, o jovem estado do Acre vem se destacando com uma economia acima da média nacional, redução do desmatamento e alto crescimento demográfico. Ao longo dos últimos 16 anos este estado busca a consolidação de uma economia baseado no uso sustentável da floresta e atividades produtivas de baixa-emissão de carbono. Junto com o crescimento populacional, a experiência do Acre coloca o o desafio do abastecimento de energia elétrica na região, que hoje precisa recorrer a usinas a óleo diesel e combustível – caras e extremamente poluentes – para viabilizar seu desenvolvimento sustentável e suprir a necessidades dos locais não abastecidos pelo SIN (Sistema de Integração Nacional).

De acordo com o coordenador do programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur, mesmo a parte do Acre que já está interligada ao SIN sofre com interrupções de fornecimento e outros problemas elétricos. “Com isso, o número de pessoas que possuem acesso à energia elétrica de qualidade é muito menor do que os contabilizados pelo sistema”.

Para tentar amenizar o problema do abastecimento, contribuir para a diminuição de gases de efeito estufa e apoiar a transição para uma economia de base florestal e de baixa-emissão no estado, o WWF-Brasil lança a publicação “Potencial da Energia Renovável no Acre: superando o desafio logístico, socioeconômico e ambiental”, de autoria dos pesquisadores Amaro Pereira, Johannes Schmidt, Rafael Cancella e Marlon Bellido.

O documento é um sumário de vários relatórios que o Programa de Planejamento Energético/UFRJ elaborou para avaliar a possibilidade de aumentar a proporção de energia de fontes renováveis na matriz energética do Acre. Além disto, apresenta três estudos de caso que foram feitos para verificar diferentes opções de geração elétrica no Estado.

“Os resultados trazem uma análise dos potenciais do estado para implantação de energia renovável e reflexões de como este recurso pode ser melhor aproveitado no contexto da região”, comenta um dos organizadores, o analista de conservação do WWF-Brasil Ricardo Fujii.

De acordo com Fujii, o documento traz algumas sugestões, como a adoção pelo governo de sistemas fotovoltaicos em edifícios públicos e a formação de um comitê que acompanhe de perto as mudanças nos mercados internos e externos em relação ao custo da tecnologia: “com estas ações, acreditamos que o Acre tem grandes possibilidades de crescer como um estado sustentável”.

O material destaca ainda a importância de um gerenciamento integrado entre diferentes atividade produtivas, como o uso de biomassa em cascatas (em que a matéria-prima é usada primeiramente para construção e móveis e depois como fonte de energia).

Para o analista de conservação Francisco Kennedy de Souza, do ponto de vista de emissão de gases de efeito estufa, o uso de resíduos de uma indústria de madeira sustentável seria a forma mais adequada de se apropriar desse recurso. Por outro lado, alerta que a conversão de grandes áreas para plantações de florestas energéticas pode trazer consequências gravíssimas.

“Mesmo sendo plantadas em áreas desmatadas, as florestas energéticas aumentam a pressão sobre o uso da terra e podem resultar no deslocamento das atividades produtivas situadas nesses locais e em desmatamento”. Por outro lado, segundo Kennedy, “estratégias baseada em energias sustentáveis podem contribuir para reduzir alguns dos gargalos de competitividade de longo prazo dos mecanismos de economia verde implementados no acre ao longo de 16 anos”.
Sumário Executivo - Potencial de Aproveitamento de Energia no Acre
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Estudo completo - Potencial de Aproveitamento de Energia no Acre
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