Unidades de conservação e Terras Indígenas na Amazônia: uma rede de segurança para a biodiversidade e os seres humanos



14 novembro 2014    
As áreas naturais que estão protegidas em Unidades de Conservação (UCs), juntamente com as Terras Indígenas (TIs), constituem os mecanismos de defesa mais importantes para a biodiversidade e para o manejo sustentável dos ecossistemas; elas formam uma rede viva de segurança também para os seres humanos.
© Nigel Dickinson / WWF
Sidney, Austrália,– A Amazônia é uma das regiões naturais mais importantes do planeta e é a número um  em biodiversidade, além de prover serviços ambientais essenciais, tais como a regulação climática e hídrica,.  Isso é possível porque a Amazônia é uma unidade ecológica que funciona de forma integrada e interdependente.  No entanto, o sistema ecológico da Amazônia está ameaçado em várias frentes pela crescente pressão que sofre de projetos de desenvolvimento, e está perdendo sua capacidade de continuar a suprir os serviços ambientais. 
 
As áreas naturais que estão protegidas em Unidades de Conservação (UCs), juntamente com as Terras Indígenas (TIs), constituem os mecanismos de defesa mais importantes para a biodiversidade e para o manejo sustentável dos ecossistemas; elas formam uma rede viva de segurança também para os seres humanos.
 
Para discutir esse assunto, a Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF lança, nesta sexta-feira, 14 de novembro, no Congresso Mundial de Parques, que acontece em  Sidney, na Austrália, o relatório intitulado “O Estado da Amazônia: representação ecológica, unidades de conservação e territórios indígenas”.  O documento em inglês pode ser acessado em http://goo.gl/3wMuwG
 
O documento  fornece um amplo panorama da Amazônia como um todo e mostra a importância das unidades de conservação e terras indígenas  para se alcançar uma visão mais integrada de desenvolvimento sustentável, no qual a agenda de conservação da natureza desempenha um papel importante nos planos de desenvolvimento e nas políticas econômicas dos países.
 
Representação Ecológica
 
O relatório avançou além do número e  distribuição espacial das UCs  e das TI na Amazônia, que é compartilhada por nove países da América do Sul (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e França, por meio de seu território ultramarino na Guiana Francesa).  O estudo  apresenta uma análise sobre a representação ecológica e a situação atual da Amazônia em relação as  metas globais de conservação ambiental.
 
A unidade ecológica da Amazônia é composta de muitos tipos diferentes de ecossistemas.  Em seu estado atual, a Amazônia possui uma boa cobertura de unidades de conservação; no entanto, essa cobertura não é suficientemente equilibrada para abranger todas as suas ecorregiões, paisagens terrestres e “paisagens aquáticas”.
 
“A importância ecológica da Amazônia nos obriga a ser mais ambiciosos em termos de representação ecológica, não apenas incluindo toda a diversidade biológica como, ainda, procurando assegurar que as áreas naturais de unidades de conservação cubram 30% com os demais elementos da meta global 11 de biodiversidade até 2020 (Metas Aichi) – ou seja, com efetividade de manejo e gestão, conectividade e integração das paisagens, e equidade”, explica Claudio Maretti, coordenador da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF.
 
“Infelizmente, algumas ecorregiões e paisagens, terrestres e aquáticas, não estão suficientemente protegidas, e outras estão muito ameaçadas; isso significa que preencher as lacunas ecológicas é uma prioridade imediata para a conservação ambiental”, completou Maretti.
 
Quando se leva em conta as Terras Indígenas, as ecorregiões, paisagens terrestres e aquáticas alcançam o mínimo de 30% de cobertura.  Isso é bom para a conservação ambiental.   É  importante entender que as Terras Indígenas são criadas, geridas e manejadas com finalidades sociais e culturais.  E os povos indígenas têm interesse em conservar a natureza em apoio a seu modo de vida e de sustento, bem como à sua visão de mundo (cosmovisão).  No entanto, eles têm o direito de não seguir as mesmas regras e de não buscar os mesmos objetivos que se aplicam às unidades de conservação. 
 
Segundo Maretti, além da tarefa urgente de complementar a representação ecológica e criar novas unidades de conservação nas ecorregiões e paisagens terrestres e aquáticas que estão subrepresentadas, existem ameaças relacionadas às unidades de conservação e Terras Indígenas que precisam ser abordadas.  Entre elas, ele citou as tentativas de degradação, diminuição de tamanho e desclassificação das unidades de conservação e terras indígenas existentes.
 
“É muito provável que, ao colocar em risco o equilíbrio ecológico da Amazônia, colocamos em risco também os serviços ambientais fornecidos pela Amazônia tanto para a região como para o mundo todo, inclusive a mitigação das mudanças climáticas globais, que é vital”, conclui Maretti. 
 
Notas:
Bioma Amazônia – O relatório apresenta um amplo panorama do bioma Amazônia, que compreende 6.7 milhões de quilômetros quadrados e se estende por nove países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e França, por meio de seu território ultramarino na Guiana Francesa).
 
Metodologia da Representação Ecológica – Para fins dessa análise, foram considerados dois conjuntos de unidades espaciais.  Em primeiro lugar, para os ecossistemas terrestres o relatório divide o bioma em ecorregiões terrestres.  Para a análise final,  36  ecorregiões formam a base de representação de ecossistemas.  Embora as ecorregiões terrestres possam fornecer uma boa ideia inicial da representação de ecossistemas, é preciso definir unidades heterogêneas de água doce dentro das ecorregiões terrestres, de forma que elas proporcionem uma análise suficientemente detalhada que forneça as informações para a tomada de decisões e a implementação de políticas regionais, tais como a identificação de áreas prioritárias para conservação ambiental, bem como para as decisões sobre a criação de novas unidades de conservação. Essas unidades heterogêneas de água doce (“paisagens aquáticas”) representam o segundo tipo de unidade espacial que é levado em conta neste relatório.
 
Ecorregião – A Rede WWF define ecorregião como uma grande unidade de terra ou água contendo uma coleção geograficamente distinta de espécies, comunidades naturais e condições ambientais.  Os limites de uma ecorregião não são fixos nem nítidos, mas abarcam uma área dentro da qual existe uma forte interação de importantes processos ecológicos e evolutivos.
As áreas naturais que estão protegidas em Unidades de Conservação (UCs), juntamente com as Terras Indígenas (TIs), constituem os mecanismos de defesa mais importantes para a biodiversidade e para o manejo sustentável dos ecossistemas; elas formam uma rede viva de segurança também para os seres humanos.
© Nigel Dickinson / WWF Enlarge
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